“Animalesco, o método” é um disco simples executado por uma banda simples. E ainda bem – segundo Da Vinci, a simplicidade... Animalesco, O Método “Animalesco, o método”

Editora: Murder Records / Raging Planet
Data de lançamento: 01.05.2021
Género: crust / death metal
Nota: 3.5/5

“Animalesco, o método” é um disco simples executado por uma banda simples. E ainda bem – segundo Da Vinci, a simplicidade é o último grau de sofisticação.

Oriundos das zonas áridas de Portugal (com isto, presumimos que é no Alentejo), os Animalesco, O Método são uma simples banda simples de crust/powerviolence/d-beat/grind/thrash/death e talvez mais alguns epítetos desnecessários quando se pode resumir o estilo da banda em duas palavras: música extrema. “Banda simples” pode parecer uma afirmação depreciativa, logo, “simples banda simples” pode soar pior, mas nada poderia estar mais afastado da realidade. Se é verdade que esta redacção gosta de bandas técnicas, progressivas, avant-garde e até de fusão, também podemos dizer sem hesitar que gostamos do exacto oposto: gostamos de Implore, de Electro Hippies, de Hellbastard, de Anticimex, de Amebix, de Inepsy, de Terveet Kädet… No fundo, dividimos a música nos dois únicos segmentos que conhecemos: o da boa e o da má.

Ainda assim, os Animalesco, O Método interrogam-nos a tempos. Se em certas alturas confiam na escola dos bons costumes de colectivos como Extreme Noise Terror, noutras preferem ser mais metal, como se os Nasum e os (acima referidos) Implore dessem as mão e se atirassem alegremente de um penhasco. Isto não é um problema, de todo. A coisa começa a complicar-se no bom sentido quando ouvimos influências óbvias de algum death metal de Estocolmo, sempre com os Entombed a vir-nos à mente. Ainda assim, é algo relativamente invulgar no nosso burgo e, por conseguinte, bem-vindo. É possível que as descargas mais metálicas se devam a João Jacinto (guitarrista e membro de Analepsy) e a Pedro “Pedra” (vocalista e membro de Grog), o que dá ao registo total um ar mais clean do que se fosse um disco a apostar apenas no core. Depois, polvilham a coisa toda com a sujidade dos Motörhead, que é como quem diz: despejam mel em cima de açúcar.

Musicalmente, os elementos são competentes sem caírem em exageros técnicos, mas o membro que nos soou dois ou três passos à frente do resto do colectivo foi o baterista e tudo o que proporciona aos Animalesco, O Método: preciso, técnico, muito variado, limpo. Só falta dizermos que é um músico orgânico, o que seria enganoso, até porque o baterista não existe, é programado. Zero vergonha em não termos reparado nesse pormenor de ouvido à primeira (depois de obtermos a informação, sim, notamos na muito ligeira plasticidade sonora da tarola e de alguns pratos), pois isto só significa que o trabalho de mistura está como o baterista – uns passos à frente. Ficámos contentes por percebermos que, em detrimento da sonoridade das bandas de death metal técnicas da actualidade, a tecnologia, afinal, recompensa trabalhos muito mais simples e (por natureza) orgânicos como este.

Já nos fazia falta uma banda deste género, por mais que existam algumas outras relativamente idênticas dignas de nota, como Dokuga e Simbiose, mas nenhuma outra nacional (do nosso conhecimento) se aproxima tanto do metal extremo como esta, o que soma pontos em todas as frentes. A particularidade de o disco não chegar aos 30 minutos é agradável e inteligente, pois leva-nos a ouvi-lo mais vezes por já sabermos que não nos compromete a paciência. “Animalesco, o método” é, assim, um disco simples executado por uma banda simples. E ainda bem – segundo Da Vinci, a simplicidade é o último grau de sofisticação.