Com uma nova formação e novas ideias, os Lacrimas Profundere, ao fim de 25 anos, recriam-se e unem gothic e doom metal num álbum... Lacrimas Profundere “Bleeding The Stars”

Editora: Steamhammer / Oblivion
Data de lançamento: 26.07.2019
Género: dark metal
Nota: 4/5

Friedrich Nietzsche disse que “tens de ter caos dentro de ti para fazer nascer uma estrela dançante”. Deve ter sido o que os irmãos Schmid tinham em mente quando Christopher (um dos irmãos, antigo vocalista e indispensável mais-valia para a banda) surgiu com o título “Bleeding The Stars”, o tão aguardado novo álbum de Lacrimas Profundere.

Fundada em 1993, esta banda alemã sempre viu os seus álbuns serem bem-recebidos, tanto pela imprensa como pelos fãs, e tanto durante a fase mais doom metal, com discos como “…and the Wings Embraced Us” (1995) e “La naissance d’un rêve” (1997), como na fase gothic metal, em que se podem mencionar trabalhos como “Filthy Notes for Frozen Hearts” (2006) ou “The Grandiose Nowhere” (2010).

Com uma nova formação e novas ideias, os Lacrimas Profundere, ao fim de 25 anos, recriam-se e unem gothic e doom metal num álbum que busca o antigo, dá forma ao presente e instiga a abraçar o futuro sónico da própria banda.

A primeira faixa “I Knew And Will Forever Know” dá logo um mote doom metal com a sua lentidão e modo introdutório, sendo a primeira grande surpresa providenciada. A segunda “Celestite Woman” mostra os Lacrimas Profundere que conhecemos dos últimos 15 anos com o seu rock gótico orelhudo e cativante apresentado com a voz grave e sedutora de Julian Larre que tão bem funcionaria como single, mas é a terceira “The Kingdom Solicitude” que volta a colocar a banda em terrenos doom metal com a inclusão de guturais e andamentos mais velozes que funcionam como clímax. O que também não falta é atmosfera, aquela melancólica e trágica, surgindo relevantemente em “Mother Of Doom” com todo o fundo preenchido pelas guitarras e por arranjos de piano e electrónica, apetrechos estes que são vastamente usados no disco e que voltam a dar ar de sua graça em “Father Of Fate”, que à partida pode parecer mais um single bem congeminado mas que, à medida que se ouve, incorpora vozes mais berradas e breaks à dark metal.

As surpresas continuam e “Like Screams In Empty Hall” podia ser a faixa death/doom metal que assentaria muito bem no álbum. No entanto, e por mais influências que tenha no death metal (tanto nas guitarras como nas vozes), este single acaba por ser apenas uma composição aguerrida no panorama dark metal. Por sua vez, com “After All Those Infinities” tornamos a ouvir uns Lacrimas Profundere dos tempos de “The Grandiose Nowhere” (2010) com um tema aberto, energético e grassado por um refrão altamente catchy adequado para fãs de HIM.

Assim, os Lacrimas Profundere provam que é possível executar-se uma recriação mesmo ao fim de 25 anos e mesmo com percalços pelo caminho, renovando-se em recursos humanos e em criatividade que merece todos os aplausos.

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