“The Fire I Long For” é uma miríade de estilos, de sons e de emoções; é poesia não escrita que culminará num dos grandes... Avatarium “The Fire I Long For”

Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 22.11.209
Género: doom/prog metal
Nota: 4.5/5

A banda de doom/prog metal sueca lança este ano mais um disco cheio de inteligência, peso e uma diversidade invejável para uma banda tão jovem. Apesar da juventude em termos de anos de actividade, o seu estatuto é já icónico, sendo considerados um dos grandes inovadores do metal progressivo com uma forte tendência doom, sobretudo no que toca às letras e arranjos.

“The Fire I Long For” é o quarto disco de originais numa carreira que já tem estatuto mundial, sobretudo desde o lançamento de 2015. Carregando o legado do importantíssimo Leif Edling, fundador dos Candlemass, este tem servido como inspiração, apesar da sua saída após o lançamento do terceiro álbum. No entanto, o grupo tem evoluído os seus trabalhos, evolução essa que se denota neste quarto longa-duração.

“Voices” abre as hostes de uma forma impactante, o que permite introduzir um som mais rápido e pesado a um disco diverso e que nunca peca nem compromete as suas raízes; “Rubicon” foi o primeiro single, mostrando uma banda à sua medida, sem grandes delongas e com um vídeo altamente criativo e ricamente produzido. No entanto, os estilos são muitos, desde o heavy metal ao metal progressivo e ao doom metal – para tal basta escutar as incríveis “Porcelain Skull” e “Epitaph Of Heroes”, que elevam e inovam um som que tem sido trabalhado desde 2013 com novos acentos de género que magnificam ainda mais o som dos Avatarium. O desempenho dos membros atinge, provavelmente, o seu melhor nível, bastando atentar à performance da cada vez melhor e mais refinada voz de Jennie-Ann Smith que tem em “Stars They Move” e “The Fire I Long For” uma atuação intimista e sem filtros, conseguindo aperfeiçoar o seu lado mais emocional e privado.

Os Avatarium obtêm assim um dos melhores discos da sua carreira – talvez o melhor, mas isso fica para os fãs decidirem. O grupo sueco é uma referência da música, conseguindo um duo de estilos perfeito, muito raramente ouvido na indústria actual, casando o progressivo e o doom de uma forma exímia. “The Fire I Long For” é uma miríade de estilos, de sons e de emoções; é poesia não escrita que culminará num dos grandes lançamentos de 2019. O quarto álbum de originais tem de tudo: heavy metal, progressivo, doom, emoção, narrativa e uma estrutura refinada. É um disco sem preconceitos e sem filtros que não responde a uma norma institucionalizada de como fazer música. Os Avatarium sempre foram diferentes, mas agora são ainda mais, mostrando isso mesmo num álbum rico, emotivo e altamente diverso que satisfaz todo o tipo de fãs.