Como os provocadores do death metal Cannibal Corpse escreveram a música que os tornou famosos. A história da música: “Hammer Smashed Face” dos Cannibal Corpse

Como os provocadores do death metal Cannibal Corpse escreveram a música que os tornou famosos.

Cannibal Corpse dispensa apresentações. Da arte mórbida das capas às letras distorcidas e sádicas e aos álbuns all-killer-no-filler, continuam a ser o maior sucesso do death metal. O quinteto incorpora intransigentemente a palavra ‘extremo’ há mais de 30 anos, colocando-se entre os veteranos mais consistentes da música pesada. Mas a fiabilidade inflexível de Cannibal Corpse torna-se ainda mais chocante ao sabermos que a génese do seu maior single e a música que os lançou ao palco mundial, “Hammer Smashed Face”, surgiu de um grupo quase a implodir.

«Tecnicamente, o Alex [Webster, baixo] e eu deixámos a banda», recorda o baterista e co-fundador Paul Mazurkiewicz. «Estávamos fartos da situação e de um gajo em particular, que substituímos. Lembro-me de voltar de uma digressão e dizer: ‘Vamos sair daqui! Vamos começar a nossa própria banda!’ Isso durou apenas uma semana, mas, nessa semana, adivinha o que nasceu: “Hammer Smashed Face”! Fizemo-la por puro ódio.»

«Foi principalmente obra do Alex», acrescenta Paul sobre a fase inicial da composição da faixa. O profundo envolvimento do baixista no início da “Hammer Smashed Face” não é surpreendente. A música é célebre pelo seu início rítmico e agressivo, em que a batida rápida, porém primitiva, de Paul dá lugar a um breve interlúdio liderado pelo baixo, tudo antes de um breakdown gigantesco e culminante.

«Sempre soubemos que era importante para nós fazer o baixo brilhar. O Alex é esse tipo de baixista. Sempre gostámos da abordagem dos Iron Maiden quanto a isso, e era o que queríamos. Sempre quisemos que o baixo fosse ouvido, mais ainda no [álbum] “Tomb of the Mutilated” do que em qualquer um dos discos anteriores.»

À medida que “Hammer Smashed Face” explode com o seu primeiro verso incessante, a secção rítmica de Cannibal Corpse rasga como uma serra eléctrica enferrujada, com uma intensidade alimentada pela produção bruta do ícone do death metal Scott Burns.

«Naquela altura não tínhamos experiência suficiente para saber o que queríamos», explica Paul sobre a abrasiva qualidade de som da faixa. «O “Tomb…” foi gravado em duas semanas. Naquela altura não tinhas tempo, portanto tinhas de seguir sem experiência.»

Mas sob a produção violenta e a sua musicalidade, “Hammer Smashed Face” tresanda a aventura. Este monstruoso hino experimenta avidamente a sua velocidade, desacelerando a um ritmo mais groove até à uma última metade gloriosamente carregada de guturais – perfeito para um desagradável headbanging.

«Sempre gostámos de fazer misturas. Isso éramos nós a aprender à medida que avançávamos, aprimorando as nossas habilidades, trabalhando as nossas composições. Sempre quisemos ser rápidos, e o início da “Hammer…” é um dos mais intensos que já tivemos para uma música. Depois há aquele break de baixo do caraças, segue novamente para um blast e depois, sim, vai para a parte groovy, de ritmo a meio tempo. Era esse o estilo que procurávamos: gostamos de variedade, mesmo dentro de uma música. Inserir aqueles grooves, nós gostamos de fazer isso. É uma sensação boa!»

Paul admite com satisfação que «provavelmente poderia falar sobre a “Hammer…” durante muito tempo», mas o seu estatuto como uma das faixas mais conhecidas e pioneiras do death metal também se deve parcialmente à ajuda externa de uma fonte muito inesperada.

Em 1994, dois anos depois de ter esmagado crânios pela primeira vez, o single e os seus criadores fizeram uma participação especial no filme de Jim Carrey, “Ace Ventura: Pet Detective”, num segmento que entrou para a história do cinema devido à sua magnífica aleatoriedade.

«Na altura, o Jim achava o death metal muito intrigante», diz Paul. «Estávamos em casa, em Buffalo, e recebemos um telefonema da Metal Blade [Records]. Disseram: ‘Acabámos de receber uma chamada do Jim Carrey. Ele está a fazer um filme e quer que participem.’ Inicialmente tivemos de recusar porque tínhamos de estar na Europa para uma digressão. Mas passou um dia e ligaram novamente: ‘Eles querem-vos muito! Eles vão reorganizar as filmagens à volta da vossa digressão.’»

Através de uma bizarra mistura de brutalidade, variedade e comédias de culto de Hollywood, “Hammer Smashed Face” permaneceu como pioneira do death metal. E ainda arrasa.

Consultar artigo original em inglês.