Com Ho Chi Minh e “This Is Hell”, 2021 começa muito bem para o panorama nacional, estando nós perante uma banda... Ho Chi Minh “This Is Hell”

Editora: independente
Data de lançamento: 30.01.2021
Género: industrial metal
Nota: 4/5

Com Ho Chi Minh e “This Is Hell”, 2021 começa muito bem para o panorama nacional, estando nós perante uma banda que merece muito mais reconhecimento – que este regresso lhes granjeie bons resultados.

Para falarmos de Ho Chi Minh em 2021 temos de regressar a 2004 quando lançaram o primeiro EP de título homónimo e traçar um contexto temporal. Hoje fala-se muito em modern metal e concentramo-nos bastante na revolução que o género está a viver com a inclusão de electrónica no heavy e power metal. Porém, o que os Ho Chi Minh começaram a fazer há 20 anos já podia ser considerado moderno, e ousado até, muito na veia de pioneiros como KMFDM, Die Krupps ou Skinny Puppy. Por essa altura, o nu-metal começava a espernear à procura de um espaço que era cada vez menor em detrimento do ressurgimento do metal extremo, mas os Ho Chi Minh eram mais do que nu-metal – a música pesada dos alentejanos era poderosamente alicerçada em arranjos industriais que os destacavam de tudo o que se fazia em Portugal, um país onde sempre reinou mais o death e thrash metal. Aliás, Portugal nunca chegou a ter um movimento criativo nu-metal sólido, relevando-se apenas, por exemplo, bandas como os extintos aveirenses Anger.

Depois do álbum “It Has Begun” (2009), os Ho Chi Minh entraram num longo silêncio, tendo lançado dois EPs apenas em 2017 e 2018, mas arrancam 2021 com o tão aguardado “This Is Hell”.

A sonoridade não mudou, mantendo-se fiéis ao que originaram há duas décadas, mas há evolução e são capazes de empregar noções contemporâneas como os elementos djent cruzados com metalcore que se ouvem na faixa inaugural “Break It”.

Logo de seguida, com “Wasted”, apesar do peso contundente das estrofes, esta faixa torna-se intensamente melódica com um refrão ultra-cativante, como se se tratasse de uns Linkin Park dos primeiros anos em esteróides – por outras palavras: em bom. Numa fase mais adiantada do álbum, e falando-se novamente em Linkin Park, “Crawling”, na posição oito, não é um plágio sonoro, apenas uma coincidência, mas é, contudo, o tema mais próximo da banda norte-americana devido à melodia que une voz limpa e electrónica, sendo, ainda assim, uma faixa digna de se afirmar como metal pesado com guitarras que soam a murros certeiros.

Para além destas abordagens melódicas e orelhudas, o disco vai mudando de feição aqui e ali com “Let Them Suffer” (uma composição pesada, agressiva e revoltada – uma das grandes patadas do álbum) e “Paralyze” (puro metal industrial com uma maquinaria pneumática que se interlaça com riffs gordos e cheios).

Pelo meio encontramos alguns interlúdios que acalmam as hostes e que funcionam como uma adenda à respectiva faixa anterior. Pode parecer redundante mas não é, pelo simples facto de “This Is Hell” ser, apesar de tudo, um trabalho num registo homogéneo, havendo a necessidade de se fazer uma espécie de quebra para se respirar e limpar o palato.

Para além dos componentes death metal, groove metal, metalcore e djent, os Ho Chi Minh são mais conhecidos exactamente pelos arranjos electrónicos/industriais que podem tornar tudo mais previsível aqui e ali (desde as melodias às estruturas), mas, e em complemento ao parágrafo anterior, nada é cansativo ou enfadonho. Apesar da aparente homogeneidade, cada faixa contém e apresenta a sua própria identidade com detalhes criativos e auditivos que se diferenciam da sonoridade de base que já estamos à espera.

Com Ho Chi Minh e “This Is Hell”, 2021 começa muito bem para o panorama nacional, estando nós perante uma banda que merece muito mais reconhecimento – que este regresso lhes granjeie bons resultados.