Formado porJimmi DG (voz), Dee Machado (guitarra), Sas (bateria) e Vikki Sparkz (baixo), os Dirty Glory surgiram entre 2010 e 2011 derivados de um... Terra Brasilis: o hard rock moderno dos Dirty Glory

O que esperas de uma experiência no hard rock? A maioria do público pode ter preconceitos com novidades e saudar apenas os clássicos dos anos 1980, mas em busca de boas bandas encontramos miúdos que trazem a energia do hard rock desses anos 80.

Jimmi DG (voz), André Reichhardt (guitarra), Sas (bateria) e Vikki Sparkz (baixo), os Dirty Glory surgiram entre 2010 e 2011 derivados de um projecto acústico, e a estreia do grupo de São Paulo deu-se com o EP “It’s On” (2011), que contém três músicas, incluindo o vídeo/single “Mr. Jack”.

Jimmi conta um pouco sobre a inspiração da banda. «No início, as influências eram a música dos anos 1980. O hard rock dos EUA e o heavy metal britânico foram muito marcantes na nossa formação como banda. Hoje somos influenciados por ritmos e culturas diversas, ainda que isso não apareça claramente nas nossas composições.»

Após o EP, lançaram a balada “Everytime I Think About You”, talvez a música mais conhecida da banda. Em 2015 sai o primeiro álbum, “Mind The Gap”, que foi distribuído mundialmente em formato físico pela Perris Records dos EUA. Em 2017, editaram o single “Uma Noite e Meia”, uma versão da original de Marina Lima, lançada em 1987 – e muito conhecida no Brasil. Este ano ainda, os Dirty Glory preparam-se para lançar o segundo disco, digitalmente, com 10 músicas completamente inéditas.

Criar uma banda de hard rock e reverberar é algo difícil, pois no Brasil podemos encontrar, na maioria das vezes, bandas de metal. «O rock em geral é um estilo muito fechado e conservador na sua sonoridade, e os fãs de hoje têm dificuldade em aceitar novas ideias e novas bandas. A inovação não é bem vinda no rock, e os artistas acabam por ser limitados pela musicalidade e comportamento vindos do hemisfério norte do século passado. Então, respondendo, criar e reverberar com uma banda de hard rock no Brasil é bastante desafiador. Seguimos a fazer o que gostamos, da maneira que gostamos.»

Recentemente, os Dirty Glory ganharam o concurso New Rock Bands promovido pelo programa Autoral Brasil da rádio brasileira KissFM, em que concorreram com mais de 700 bandas e ganharam uma quantia em dinheiro para investir. Foi um grande passo na carreira, Jimmi ressalta: «Foi muito recompensador poder tocar num evento como esse, com duas bandas sensacionais como os Válvera e os Kryour, e termos sido escolhidos entre tantas bandas igualmente competentes, por nomes importantes do cenário brasileiro. Ficamos muito felizes, com certeza, pelo reconhecimento. O prémio será investido na conclusão do novo disco.» Com um longo tempo de estrada, este foi o primeiro concurso que ganharam, e após essa porta aberta, a banda já tem planos para uma digressão no estrangeiro: «Creio que foi o único concurso no qual já nos inscrevemos. Ao princípio fiquei com pé atrás porque acredito que competição e concursos desvalorizam a arte e o artista, mas o New Rock Bands foi mais uma selecção do que um concurso, e com nomes e uma produção de muito respeito. Concertos no estrangeiro estão nos planos há bastante tempo.»

«O roqueiro em geral parou no tempo, essa é a verdade.»

Jimmi DG (voz)

Este concurso mostra também um lado sobre a actual cena rock e metal brasileiro, e os Dirty Glory expõem a sua opinião sobre isso: «Nós e a maioria das bandas falamos da mesma coisa há muitos anos. Existem bandas excelentes, e muita gente muito competente e bem intencionada tentando alimentar o cenário. Mas o roqueiro em geral parou no tempo, essa é a verdade. Na minha humilde opinião, as máximas ‘o rock não morreu’ e ‘trazer o rock de volta’ não servem para nada, a não ser escancarar a sua actual irrelevância e mesmice. Nós mesmos reproduzimos o clichê do rock por muito tempo no nosso trabalho anterior. A evolução musical, como qualquer manifestação artística, precisa de mente aberta para acontecer. Do artista e do público. Isso aconteceu com outros estilos que se reinventaram, e o rock, já bem cafona, morreu.»

Com 10 anos de Dirty Glory, o grupo alcançou um bom resultado. «As expectativas de cada um de nós foram diferentes durante um bom tempo. Ao longo dos anos fomos alinhando as expectativas e entendendo que nem todos queríamos a mesma coisa para o futuro, mas todos nós temos enorme prazer em criar e actuar juntos. O amor pelo que produzimos e a alegria daqueles que nos seguem foram sempre suficientes, felizmente.»

Sobre diferenciais entre bandas, Jimmi diz: «Não temos um diferencial a não ser pelo facto de que ninguém é igual a ninguém. Nada que nos coloque acima. Somos quatro pessoas que buscam uma forma de expressão musical e colocam as suas melhores energias no trabalho que fazem.»

Para o futuro, mesmo com as incertezas da pandemia, os Dirty Glory querem continuar a fazer som enquanto for prazeroso. «Estamos ansiosos para que todo mundo ouça o disco novo. É o nosso favorito, de longe!»