Formados a partir de membros que passaram pelos veteranos Centinex, os Demonical têm actualmente uma carreira de quase 15 anos com... Demonical: «Os verdadeiros fãs de death metal têm o meu maior respeito»
Foto: cortesia Agonia Records

Formados a partir de membros que passaram pelos veteranos Centinex, os Demonical têm actualmente uma carreira de quase 15 anos com seis álbuns sempre bem-recebidos na bagagem, sendo “World Domination” a novidade lançada pela Agonia Records.
A propósito deste novo disco, a Metal Hammer Portugal conversou com o baixista e membro-fundador Martin Schulman. Na entrevista que se segue, o sueco fala sobre o novo trabalho, o novo vocalista e o convite endereçado e concretizado a Nils Patrik Johansson, deixando ainda uma laracha aos efémeros seguidores de death metal.

«Gosto de títulos de álbuns e de faixas que sejam fáceis e memoráveis, que descrevam a causa de uma maneira compreensível.»

Martin Schulman

A crítica e os fãs sempre foram simpáticos com Demonical, o que atesta o quão boa a banda é. “Chaos Manifesto” é o álbum que mais nos está na memória, já que foi lançado há apenas dois anos – por isso, comparando “Chaos Manifesto” e “World Domination”, parece que o novo é mais cruel e cru do que o anterior, sempre sem se perder o sentido de melodia que o death metal sueco nos habituou. Concordas com as diferenças? Foi de propósito fazerem um álbum de Demonical que soa a Demonical mas ainda mais agressivo?
Sim, é isso mesmo, sempre recebemos boas críticas e reacções vindas dos fãs e da imprensa, e isso é porreiro. Talvez o novo álbum seja um pouco mais cru do que “Chaos Manifesto”. Também pode ter a ver com a produção, que é um pouco mais ‘de volta ao básico’ em comparação ao álbum anterior. Quando fazemos álbuns, não pensamos muito sobre isso ou comparamos a nova gravação com as antigas, apenas fazemos o que gostamos e o que nos parece bom. Se as outras pessoas também gostarem, isso é um bónus. Eu sei que todas as bandas dizem isto, mas, para nós, é realmente a verdade. [risos]

Sobre o título do álbum e alguns títulos de faixas (como “We Stand as One” e “Victorious”), desejaram mostrar-nos uma postura de união através de um death metal honesto e melódico?
Sim, algo assim, mas no fim cabe ao ouvinte tirar as suas próprias conclusões. Gosto de títulos de álbuns e de faixas que sejam fáceis e memoráveis, que descrevam a causa de uma maneira compreensível.

Vários vocalistas entraram e saíram, e agora temos Christofer Säterdal. Para nós, é um vocalista com uma voz muito forte, verdadeiramente na veia do death metal sueco, o que se encaixa muito bem em Demonical. Que novidades trouxe para a banda?
Bem, o Christofer é o terceiro vocalista da banda em quase 15 anos de carreira, portanto, na minha opinião, não é assim tão dramático, parece pior do que realmente é. Claro, um vocalista é mais a ‘cara da banda’ do que, por exemplo, um guitarrista, portanto percebo que as pessoas possam pensar que mudamos de vocalista a toda a hora.
Quando o Alexander, o vocalista anterior, saiu, claro que foi muito importante encontrar-se alguém que pudesse prosseguir o seu legado – afinal, ele é um grande vocalista. Estávamos na busca de alguns talentos locais e deparei-me com o Christofer. Eu tinha ouvido algumas gravações que ele fez com outras bandas, portanto eu sabia que ele tinha voz e talento. Assim, só precisávamos da química pessoal para haver um clique. Encontrei-me com ele, bebemos umas cervejas e, rapidamente, percebi que ele seria perfeito.
Ele é um excelente vocalista, com uma boa quantidade de ideias para arranjos e, claro, tem uma óptima voz, portanto vamos torcer para que a formação continue assim.

«Encontrei-me com ele, bebemos umas cervejas e, rapidamente, percebi que ele seria perfeito.»

Martin Schulman sobre o novo vocalista Christofer Säterdal

Nils Patrik Johansson (Astral Doors, ex-Civil War) na faixa “Slipping Apart” foi uma surpresa muito boa – não estávamos nada à espera disto! Ele tem uma voz única e vimos logo que era ele. Como é que isto aconteceu e por que é que o escolheram?
Quem acompanha Demonical há, pelo menos, alguns álbuns sabe que tentamos sempre incluir uma faixa que talvez seja um pouco diferente das outras, algo que se destaque um pouco. No último álbum tínhamos “Välkommen Undergång”, a faixa com letras em sueco e também com alguns vocalistas convidados.
Para este álbum, decidi compor uma faixa numa direcção mais heavy metal, uma peça mais lenta com algum tipo de sensação de arena dos anos 1980 sem ser muito foleira, e, claro, uma faixa como esta tem de ter vozes pesadas e poderosas. Nada de power metal, nem algo parecido, mas mais hard rock, mais heavy metal, mais tomates!
Quando compus a faixa, tanto a música como a letra, andava à procura e a pensar quem seria adequado, quem teria o tipo de voz que eu procurava. Depois percebi que o Nils Patrik tinha aquele tipo de voz pesada e metálica, um pouco crua e suja, mas ainda assim muito boa e com uma gama ampla.
Quem tiver feito o seu trabalho de casa sabe que ele é o vocalista principal de Astral Doors e Lion’s Share, e também esteve em Civil War nos três primeiros álbuns. Além disso, ele também tem alguns álbuns solo.
Entrei em contacto com ele, apresentei-lhe minha ideia, e ele concordou imediatamente em fazer isto. Enviei-lhe uma demo em bruto com a letra e ele fez uma gravação básica para eu ouvir. Soou muito bem. Quando a faixa foi totalmente gravada, com todos os instrumentos, mandei-lha e ele gravou as vozes no seu estúdio caseiro. Dei-lhe liberdade quanto ao arranjo e linha melódica – confiei nele porque afinal é ele o especialista nessas coisas, não eu.
Gosto muito da faixa e é importante para mim de várias maneiras, especialmente como compositor, porque é uma prova de que também consigo fazer esse tipo de músicas muito bem.

«Entrei em contacto com ele, apresentei-lhe minha ideia, e ele concordou imediatamente em fazer isto.»

Martin Schulman sobre o convite feito a Nils Patrik Johansson

Death metal está melhor do que nunca, ou pelo menos é o que sentimos. Existem muitas bandas jovens que homenageiam o som dos anos 1990, mas dando-lhe um toque contemporâneo ao mesmo tempo. Sentes-te satisfeito com isso? Vêem a vossa juventude nestes miúdos famintos por mais?
Sim, é verdade, o death metal (old-school) está muito popular e quase que se tornou numa tendência com a qual, honestamente, não estou muito feliz. Claro, é óptimo, com grandes bandas a lançarem música do caraças, mas como acontece sempre com as tendências, quando algo se torna uma ‘moda’, criam-se muitos imitadores que simplesmente fazem isto porque está ‘na moda’ e não porque têm paixão.
O mesmo com os fãs, a imprensa e por aí fora. Muitos fãs dão a impressão de que são obstinados e que sempre o foram, mas a verdade é que se tornaram fãs recentemente… Quero dizer, por exemplo, acho que é um bocado aborrecido que uma grande banda como Dismember tenha tido muito poucos seguidores quando desistiram em 2008, mas agora, de repente, são ‘A’ banda na boca de toda a gente. Esses fãs falam em muitos álbuns e tentam impressionar com o seu conhecimento, mas se lhes perguntassem por Dismember há 10 anos nem conheciam a banda.
Mas os verdadeiros fãs e seguidores, que realmente gostam de death metal, sem importar quão popular é ou não, são obviamente excelentes e são eles que têm o meu maior respeito.