A revisitação aos nomes altos do punk do terror conduziu a dupla a dar uma curva na sua sonoridade – não... Bloody Hammers “Songs of Unspeakable Terror”

Editora: Napalm Records
Data de lançamento: 15.01.2021
Género: horror punk / gothic rock
Nota: 3/5

A revisitação aos nomes altos do punk do terror conduziu a dupla a dar uma curva na sua sonoridade – não que seja totalmente acentuada, mas ainda assim audível.

Para falarmos de “Songs of Unspeakable Terror” temos de voltar ao início de 2020, quando Anders Manga se estava a preparar para embarcar numa digressão de modo a promover o seu álbum a solo. Entretanto, a pandemia atacou e o mundo ficou em quarentena. Anders fechou-se então na cave com a esposa e companheira de banda Devallia, levando-se a cabo sessões de jamming em que revisitaram ícones do horror punk como The Misfits e The Cramps. Um novo álbum de Bloody Hammers estava assim a ganhar vida.

A revisitação aos nomes altos do punk do terror conduziu a dupla a dar uma curva na sua sonoridade – não que seja totalmente acentuada, mas ainda assim audível. Deixando praticamente de parte as inspirações góticas em Type O Negative e The Cure, a banda da Carolina do Norte optou por um novo caminho que proporcionou um rumo em direcção ao horror punk mais ortodoxo.

As influências em The Misfits são por demais evidentes na inaugural “A Night to Dismember”, há groove e mais peso em “Hands of the Ripper”, recordam Vincent Price em “Witchfinder General” (que vale mais pelo conceito do que pela música em si), finalmente surgem os sintetizadores (actualmente muito tímidos e pouco usados) de Devallia em “Not of this Earth” e “The Ones Who Own the Dark”, e há ainda uma balada mais atmosférica na fase final com “Lucifer’s Light”.

Sendo estes os destaques mais relevantes em 11 faixas, este sexto álbum de Bloody Hammers torna-se demasiado homogéneo e repetitivo, com o ouvinte quase a ter que afirmar que certo riff em fase adiantada do disco já foi ouvido anteriormente. Não diremos que seja falta de inspiração ou falta de tempo (até porque tempo foi o que não faltou), mas o duo pretendeu claramente oferecer músicas mais directas e menos complexas, mesmo que complexidade nunca tenha sido sinónimo de Bloody Hammers. Em suma, “Songs of Unspeakable Terror” não será totalmente esquecível, mas cremos que a dupla norte-americana já fez melhor – e não é preciso ir-se muito longe, basta ouvirmos “The Summoning” de 2019.