O primeiro rasgo de simpatia é sempre uma porta aberta para boa conversa e Danny Estrin, vocalista e keytarist de Voyager, sabe como pôr... Danny Estrin (Voyager): «Melodias, sintetizadores e atmosferas tornaram-se cada vez mais aceites como um complemento perfeito para o metal.»
Foto: Dark Spirit Photography

O primeiro rasgo de simpatia é sempre uma porta aberta para boa conversa e Danny Estrin, vocalista e keytarist de Voyager, sabe como pôr as pessoas à vontade: «Que sonho seria tocar em Portugal. Um dia vamos conseguir, prometo!»

Parece que foi ontem que ouvimos falar destes australianos pela primeira vez, mas na verdade já cá andam desde 1999, desde os tempos em que Danny Estrin, Mark Baker e Adam Lovkis se conheceram na University of Western Australia. E também já lá vão sete álbuns, contando com o novíssimo “Colours in the Sun”. Para além do talento de uma banda que combina prog e pop, é a assinatura de um contrato com a Season Of Mist que nos fez ver o seu nome de forma mais reluzente aqui e acolá. «Uma assinatura como esta é sempre um compromisso enorme e um grande marco», comenta Estrin. «Colocas a tua confiança e produção criativa nas mãos de um parceiro e esperas que seja produtivo. Já tivemos experiências más com editoras, então fomos DIY [do it yourself, faz tu mesmo] durante um tempo. Assinar um papel significa que temos confiança na Season of Mist como editora – sou fã e já vi o que eles fazem. Tenho a certeza de que farão justiça aos novos álbuns!»

Quantos metaleiros conheces que tanto vibram com a entrada de “The Trooper” como com o refrão de “Enjoy The Silence”? Supomos que muitos, ou pelo menos uma boa mancheia. Por aqui, na Metal Hammer Portugal, muitos de nós somos assim: o poder de uma guitarra eléctrica de uma cena black metal pode ser tão contagiante como a atmosfera de um sintetizador revivalista dos 80s – por isso, para este vosso escriba, ouvir “Colours in the Sun” é um verdadeiro deleite. Aqui há prog rock/metal, djent e synth-pop – ainda por cima, bem feito e orelhudo. Danny Estrin conta-nos sobre como esta mistura brotou de si e que problemas (ou faltas deles!) podemos verificar quando se juntam dois mundos tão criativamente distintos. «É tudo natural. Sempre tive uma voz dos anos 80 e adorava sintetizadores. Portanto, passar de power / progressive metal para um som mais baseado em sintetizadores foi muito fácil. Curiosamente, nunca sinto que há problemas em juntar os dois. As malhas staccato são maravilhosas porque dão muito espaço aos sintetizadores e aos pads, que se complementam perfeitamente. Os tons naturais da guitarra também proporcionam um som de sintetizador clínico, que eu adoro.»

“Colors in the Sun” é realmente um álbum muito colorido e envolvente. Em relação ao som por ele emanado, podemos mesmo relacionar tudo isso e diferentes cores a sentimentos e coisas – por exemplo, azul pode representar frio ou mar, vermelho pode significar calor ou morangos. Por seu lado, o australiano complementa ao dizer-nos que se lembra de «framboesas e vinho tinto» quando pensa em vermelho, continuando o raciocínio sobre cores e sons: «Quase que acho que cada música pode ter uma cor diferente. A “Severomance” é como um cinza-escuro, enquanto “Sign of the Times” é mais um verde exuberante. Acho que muitas bandas pesadas têm medo de usar cores – eu costumava ser black metal até ao tutano –, e é por isso que é tão revigorante ver o espectro de cores! E por que não abraçar a paleta completa quando a música tem uma variedade tão vasta de influências?»

Prog metal/rock está a passar por uma mudança, como é possível testemunharmos com bandas como Voyager e Leprous que incluem cada vez mais atmosferas/arranjos pop/synth. Aliás, o agora chamado pop metal está a alcançar novos patamares com grupos como Babymetal ou Amaranthe. A verdadeira questão é: será esta revolução musical uma reedição do que aconteceu com nomes como Genesis ou Yes, mas agora com acontecimentos contemporâneos e novos elementos musicais? «É uma boa comparação», consente o frontman dos Voyager. «Talvez seja o que realmente é prog – um género que ultrapassa fronteiras e não fica estagnado. A chave é garantir que a música não se torne chata e genérica – acho que um refrão cativante sempre foi uma parte essencial do metal, desde o rock de arena dos anos 80 ao som de Gotemburgo no final dos anos 90 e aos últimos trabalhos de Type O Negative. É evolução constante. Para mim, melodias, sintetizadores e atmosferas sempre foram importantes e tornaram-se cada vez mais aceites como um complemento perfeito para o metal.»

Já pelo fim, propusemos a Danny Estrin um pequeno puzzle que podia muito bem ter sido solucionado com o som dos próprios Voyager, mas isso seria fácil e real demais. Assim, pedimos ao australiano que escolhesse uma banda prog e um projecto synth-pop de modo a imaginar como seria o resultado final. «Talvez Meshuggah e Pet Shop Boys?», pergunta retoricamente. «Além disso, adoraria ouvir Car Bomb e Infected Mushroom misturados. Imagina o caos absoluto – mistura com crescimentos, desacelerações e refrãos cativantes – que sonho!»

“Colours in the Sun” foi lançado a 1 de Novembro pela Season Of Mist.