E tudo começou num concerto de Sex Pistols em 1976 na cidade industrial de Manchester com Bernard Sumner e Peter Hook na plateia. Sim,... Joy Division: 40 anos de “Unknown Pleasures”

E tudo começou num concerto de Sex Pistols em 1976 na cidade industrial de Manchester com Bernard Sumner e Peter Hook na plateia. Sim, pode mesmo dizer-se que a cena Madchester começou ali, no Manchester Lesser Free Trade Hall, porque a seguir, e depois de Warsaw, apareciam os Joy Division, a consequente ligação à Factory Records de Tony Wilson, um boom de novas bandas e a expansão da cultura rave na Haçienda.

A 15 de Junho de 1979 dá-se uma revolução: Joy Division lançam “Unknown Pleasures” e tornam-se os pioneiros incontestáveis do post-punk. Se a primeira experiência com Warsaw passava basicamente por utilizar malhas punk sem a distorção ruidosa, com Joy Division foi dado um passo em frente: o punk podia estar lá, mas muito do que hoje chamamos indie-rock ou o feedback do shoegaze já se ouvia em “Unknown Pleasures”.

O som e a execução eram crus como a juventude do quarteto. Bernard Sumner, sempre ao cantinho dos palcos, oferecia o seus power-chords e solos tímidos, Peter Hook era o bad boy que dava groove, Stephen Morris parecia ser o músico com melhor preparação e Ian Curtis… Ian Curtis é só dos melhores performers da História da Música. A epilepsia que o atormentava era transportada às actuações com constantes espasmos e movimentos estranhos, e a depressão que o levou ao suicídio era espelhada nas letras sem rodeios. Estava mais do que visto: a existência de tamanho ícone só ficaria realmente nos anais da História se a vida fosse curta e a morte fosse trágica.

Ian Curtis suicidou-se a 18 de Maio de 1980, com 23 anos, e já não assistiria ao lançamento de “Closer” (Julho, 1980), nem à popularidade mundial e intemporal de “Love Will Tear Us Apart”.

A entrada de “Disorder” apresenta dos riffs mais conhecidos do rock alternativo com assinatura de Sumner e os versos de Curtis indicam o caminho: “It’s getting faster, moving faster now, it’s getting out of hand”. A seguinte “Day of Lords” não despega e Curtis pergunta: “Where will it end? Where will it end?” Todos sabemos. Talvez ele próprio soubesse… E como tantas vezes se diz que no meio está a virtude, “She’s Lost Control” posiciona-se sensivelmente no centro de “Unkown Pleasures” como o mais conhecido tema deste disco com 40 anos. As letras inspiradas num ataque epiléptico ombreiam com a musicalidade passivo-agressiva e claustrofóbica na sua maioria – a fusão entre a imaginação de quem ouvia e os sentimentos reais de quem sentia era assim conquistada. Menções honrosas ainda para “New Dawn Fades” e “Shadowplay”.

Após o desaparecimento prematuro de Ian Curtis, o trio que sobrevivia ao luto formava, ainda em 1980, os New Order, que tomariam a indústria musical novamente de assalto com o seu electro-pop. A ligação com a Factory Records, do amigo Tony Wilson, duraria mais uns anos, apesar do dinheiro constantemente perdido na Haçienda. O single “Blue Monday” é considerado o mais vendido de sempre em formato 12”.