Tommy Stewart's Dyerwulf é um projecto a dois de doom metal liderado por Tommy Stewart, ex-baixista dos lendários norte-americanos Hallows Eve. Tommy Stewart’s Dyerwulf: perdição a dois

Origem: Estados Unidos da América
Género:  doom metal
Último lançamento: “Sordid Songs for a Cold Grey Sun” (2019)
Editora: Black Doomba Records
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Entrevista: João Correia | Review: Diogo Ferreira

Tommy Stewart’s Dyerwulf é um projecto a dois de doom metal liderado por Tommy Stewart, ex-baixista dos lendários norte-americanos Hallows Eve.

“Depois de ouvir o conjunto de músicas, pude sentir como todas as composições são pessoais.”

O que esperar: «Estou neste momento a gravar o segundo álbum completo de Tommy Stewart’s Dyerwulf e estas foram as músicas que não se encaixavam no fluir do álbum, pois trata-se de um registo consistentemente mais agressivo. Assim utilizei todas as músicas melancólicas em grupo e lancei-as no formato EP. Acho que o conteúdo inquietante ficou mais enfatizado ao utilizar uma das minhas pinturas como capa de “Sordid Songs for a Cold Grey Sun”. Agora, sinto que se trata de um trabalho coeso.»

Conceito: «Depois de ouvir o conjunto de músicas, pude sentir como todas as composições são pessoais. Que, devido a ter utilizado a minha pintura para a capa, se torna numa obra extremamente pessoal. Por isso mesmo, tive algum receio em lancá-lo, mas sabia que era por isso que tinha de o fazer e enfrentar um possível escrutínio desagradável. Se perguntasse “Devo lançar algo tão sincero?” directamente aos fãs de metal, acho que eles responderiam que tanto escolhem composições autênticas e sentidas, como escolhem temas de fantasia de outros artistas.»

Influências: «Em “Sordid Songs for a Cold Grey Sun” decidi usar a minha principal influência e fiz uma interpretação de “Wheels of Confusion”, dos Black Sabbath. É seguro dizer que não precisamos de outra versão de um música de Black Sabbath da parte de um artista de doom metal. A isso eu diria que, antes de mais, não se trata de uma versão, mas da minha interpretação baseada nos meus sentimentos canalizados através do esqueleto básico da composição dos Sabbath. A minha versão tem muitas diferenças. Em segundo lugar, essa música exprime exactamente como eu me senti muitas vezes. Se tentasse escrever algo parecido, simplesmente escreveria novamente essa música. À luz disso, sinto que deveria estar a tocar essa música à minha maneira, visto que exprimiu o que sinto tantas vezes. Estou agradecido por ter sido composta e, com a gentil permissão da editora, pude executá-la. Eles são responsáveis por uma parte enorme da minha evolução musical.»

Review: Com membros dos interessantes Negative Wall, este projecto mais pessoal de Tommy Stewart está no mesmo campo sonoro de uns Black Sabbath e de uns Pentagram, onde também se pode incluir um cheirinho de blues, como se ouve na faixa “Thy Graveless Soul”. Portanto, estamos perante um doom metal bem old-school que, propositadamente, soa cru e directo, ainda que se sinta algum experimentalismo nos segmentos onde a voz e a guitarra cheia/distorcida não tomam conta desta musicalidade de condenação.