Blasting e riffing são as palavras de ordem ao longo destes 38 minutos, mas nem por isso se deixa de criar espaço suficiente para... Tomb Mold “Planetary Clairvoyance”

Editora: 20 Buck Spin
Data de lançamento: 19.07.2019
Género: death metal
Nota: 4/5

O death metal continua bem vivo e de saúde, mas, verdade seja dita, tem vindo a tornar-se cada vez mais desafiante conseguir criar e apresentar material original dentro deste nicho. O que também não nos aparece como novidade é que o Canadá continua a ser um dos locais de onde nos chega a créme de la créme do que a este género musical diz respeito. Não vos deverá surpreender então que, num curto espaço de tempo, a banda de que vos falamos salte directamente dos mais profundos recantos de Toronto para se deixar anunciar como um dos mais esperados lançamentos do ano. Nada que não se justifique, depois do lançamento de três demos, um EP, uma compilação e ainda dois álbuns do menos puro old-school death metal – e isto em apenas quatro anos. 

Depois do seu aclamado “Manor of Infinite Forms”, lançado no ano passado, este monstro de quatro cabeças decide aventurar-se por galáxias desconhecidas, ainda que algo familiares, e o resultado final é este “Planetary Clairvoyance”. Demilich, Incantation e Bolt Thrower são apenas algumas das referências que nos poderão servir de combustível, a bordo de um veículo que se dispõe a transportar qualquer mero mortal até inexploradas dimensões. Os canadianos apresentam-se desta vez num registo mais maduro, tornando desde cedo evidente o largo investimento que foi feito em composição, execução e produção. Embora se mantenham as assinaturas mais características deste tipo de som, as mudanças de tempo são recorrentes e revelam-se capazes de fazer mexer até os mais cépticos. Este tom groove em nada se opõe a alguns dos aspectos mais técnicos e progressivos dos temas, que em conjunto com uma narrativa coesa e inúmeros detalhes dignos de um bom filme de ficção científica contribuem para que este não se torne apenas mais um álbum. Emissões interrompidas e passagens mais atmosféricas serão apenas alguns exemplos disso. “Beg for Life” consegue deixar-nos à beira do abismo nos primeiros segundos e rapidamente nos apercebemos do potencial por trás da secção de cordas. Max Klebanoff dá-nos uma lição, que tantos outros gostariam, sobre como coordenar uma bateria absolutamente incansável e growls cavernosos.

Blasting e riffing são as palavras de ordem ao longo destes 38 minutos, mas nem por isso se deixa de criar espaço suficiente para solos e, possivelmente, alguns dos riffs mais memoráveis que vão ouvir este ano. Nem “Phosphorene Ultimate” nos consegue fazer perder o ímpeto, funcionando como um interlúdio perfeito para aquilo que se poderá considerar a segunda metade deste álbum. Depois de passar pelo single de lançamento, “Accelerative Phenomenae”, preparam-nos para o final da viagem, em que “Cerulean Salvation” e “Heat Death” exploram tons mais melancólicos e nos apresentam um quarteto mais do que preparado para nos servir um death/doom de excelência. Desenganem-se todos aqueles que julgavam o espaço sideral um local silencioso.