“Naiv” é a nova proposta de Thy Catafalque, projecto avant-garde metal do húngaro Tamás Kátai. Tamás Kátai (Thy Catafalque): «”Naiv” é como uma fuga à dureza urbana e ao aperto sufocante da realidade»

“Naiv” é a nova proposta de Thy Catafalque, projecto avant-garde metal do húngaro Tamás Kátai. Em 2020, o músico polivalente relaciona a sua liberdade e ingenuidade criativa com o movimento artístico do mesmo nome do disco e oferece-nos um trabalho que não é puramente alegre ou feliz, porque há growls e alguns riffs pesados ​​aqui e ali, mas que, ainda assim, está predominantemente em up-lifiting mode com uma atmosfera bonita e acolhedora.

Para a Metal Hammer Portugal, “Naiv” é o álbum mais exótico de Thy Catafalque, que já conta com 20 anos de carreira. «Sim, acho que este álbum é, provavelmente, o mais amigável em oposição a “Sgúrr” [2015] por exemplo, que é totalmente frio», diz-nos Tamás Kátai, e a presença de inúmeros convidados e instrumentos extra-metal ajudam à concepção de tal sensação. «Temos oud, violino, viola, violoncelo, guitarra clássica, quena, cítara, trombone, saxofone e fretless bass juntamente com os instrumentos tradicionais do metal, vocais masculinos e femininos. Por isso, sim, esta é a orquestração mais rica. Mas eu não pretendia meter isso tudo numa só música, o que foi importante para manter isto sóbrio e não ostentativo.»

«As grandes cidades sempre foram estranhas para mim.»

Tamás Kátai (Thy Catafalque)

O estado de espírito é uma base fulcral para o resultado final da criação de qualquer artista, e Kátai sempre foi muito sensível a isso, sempre em busca de respostas e lugares que o farão sentir-se bem consigo e com os outros. «Foi e ainda é um momento estranho na minha vida», conta sobre como se sentiu à medida que ia compondo “Naiv”. «Voltei da Escócia para a Hungria 10 anos depois. Duas faixas foram escritas principalmente em Edimburgo, mas a maior parte do álbum [foi composto] em Budapeste, um lugar um pouco difícil para mim. Nasci e cresci em Makó, uma pequena cidade no sudeste da Hungria, muito perto da fronteira romena, e as grandes cidades sempre foram estranhas para mim. Edimburgo não é grande, é muito menor do que Budapeste. Ainda preciso de tempo para me acostumar a isso, e sinto que tive uma mentalidade escapista durante esse tempo. Este álbum é muito como uma fuga à dureza urbana e ao aperto sufocante da realidade que nos rodeia. E o ódio e a ansiedade que a nossa sociedade sofre actualmente na Hungria também não ajuda.» «Podem não entender as letras», que estão em húngaro, «mas fugir é um elemento constante em todas elas», remata.

“Naiv” tem data de lançamento a 24 de Janeiro de 2020 pela Season Of Mist.