Sexo e satanismo estão para o underground do metal como sal está para o bacalhau, um não vive sem o outro. Do México chegam... The Meatfückers: sexo ocultista

Origem: México
Género: black/thrash metal
Último lançamento: “Sexual Rites of the Occult” (2019)
Editora: independente
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Entrevista: Diogo Ferreira | Review: João Correia

Sexo e satanismo estão para o underground do metal como sal está para o bacalhau, um não vive sem o outro. Do México chegam os The Meatfückers com os seus rituais ocultistas.

«A cada álbum tentamos esforçar-nos para fazer algo diferente da gravação anterior.»

Último lançamento: «Este EP é a nossa terceira gravação em estúdio. Desta vez, ao invés de um álbum, queríamos gravar e lançar duas músicas, antes de mais para que os nossos fãs saibam que estamos vivos (o nosso último álbum “Porn Again” foi lançado em 2013) e porque agora as pessoas gostam mais de ouvir uma música do que um álbum completo. A cada álbum tentamos esforçar-nos para fazer algo diferente da gravação anterior; portanto, nestas novas músicas movemo-nos mais para um heavy metal clássico, adicionando mais texturas à música, usando-se principalmente um refrão feminino e explorando as nossas duas guitarras para expandir o som em vez de ambas fazerem o mesmo riff. Acho que as pessoas ouvirão uma banda mais madura.»

Conceito: «Como podem ver pelo nosso visual e nome, assim como pelo título do EP, existe sempre um tema sexual/satânico. Além disso, desta vez, quisemos focar-nos mais no ritmo das músicas, algo que podem querer cantar sem perder força e poder, mas ao mesmo tempo fazendo-se músicas mais complexas. Por exemplo, apesar de “Get Laid” ter um riff que se repete muitas vezes, o desafio passava por ver como se podia usá-lo de forma interessante durante os seus quatro minutos de duração; portanto, os dois solos de guitarra são completamente diferentes e a bateria também possui alguns truques aqui e ali. Por outro lado, “The Devils” é apenas uma música que se move com ritmo, por isso não foram necessários solos de guitarra para manter o fluxo e a intensidade. As letras das duas músicas foram inspiradas em factos reais.»

Evolução e referências: «Não tenho a certeza se evoluímos depois de todos estes anos! Acho que o nosso som é menos caótico, mais poderoso e mais coerente. Esta gravação colocou todos os instrumentos no espaço certo. O baixo do Reverendo D é profundo e pesado, as minhas guitarras (Lord Angermann) e do Rex Lucifer estão distorcidas como o caraças – mas, na verdade, consegue-se distinguir os dois –, a bateria soa muito melhor e, claro, as vozes de Rex Lucifer e de Reverendo D são agressivas, mas é possível cantarem com eles. A nossa referência musical é ampla em termos de metal: Mentors, Slayer, Venom e Mötley Crüe. Como podem ver, vai das bandas de rock/proto metal do underground dos anos 1970 às bandas de metal dos 1980 e black metal dos 1990.»

Review: A primeira coisa que nos ocorre quando ouvimos os riffs iniciais de “The Devil” é ‘ui, isto é uma homenagem a Pungent Stench!’. Pungent Stench é vida, logo, depressa nos colámos aos The Meatfückers, um colectivo mexicano que, não contente com a homenagem a uma das bandas de maior culto dentro do metal extremo, ainda se esticam e polvilham a coisa com pozinhos de Sarcófago, Witchery, Slayer e Venom, entre outros. Brevemente, “The Devil” é uma pilha de decrepitude auditiva que nos fustiga os tímpanos e que nós muito agradecemos.