“Caveman Logic” não é o som do amanhã e os horizontes não foram obviamente ultrapassados, mas é um álbum bom, porreiro,... The Limit “Caveman Logic”

Editora: Svart Records
Data de lançamento: 09.04.2021
Género: punk n’ roll
Nota: 3.5/5

“Caveman Logic” não é o som do amanhã e os horizontes não foram obviamente ultrapassados, mas é um álbum bom, porreiro, divertido e sincero.

Há quem se irrite com o termo supergrupo, mas que melhor e mais simples expressão do que esta para classificar uma banda que reúne nomes incontornáveis de uma cena? Pois. E The Limit é mesmo isso, um supergrupo. Aqui junta-se Hugo Conim e João Pedro Ventura (Dawnrider), Sonny Vincent (Testors), Jimmy Recca (The Stooges) e o grande ícone do heavy doom Bobby Liebling (Pentagram), sem esquecermos os convidados Fabian Dee Damners (UDO), Nils Finkeisen (Die Krupps) e Paul Simmons (Bevis Frond).

Ao longo de 12 faixas, que rondam uma média de três minutos cada – o que é perfeito para o estilo que aqui ouvimos –, é óbvio que algumas possuem as suas idiossincrasias mas é certinho que vão todas parar ao mesmo fim: heavy rock, punk rock e rock n’ roll – três rocks que pré-definiram o metal.

A inaugural “Over Rover” apresenta um riff de doom à Black Sabbath / Pentagram, “Black Sea” possui uma vibe vocal à Danzig, o tema-título “Caveman Logic” oferece um breve mas grandioso lead de puro rock n’ roll que depois se transforma num solo de arena e ainda possui um toque de rebeldia à Turbonegro, há mais r’n’r sem espinhas em “When Life Gets…”, “Kitty Gone” é uma das composições mais energéticas com solos/leads de guitarra por todo o lado e uma bateria que é um frenesim, e a última “Enough’s Enough” fecha muito bem com um aroma a blues.

Convenhamos, este não é um álbum para dissecar até ao tutano. É um conjunto de músicas boa onda, para desfrutar sem compromissos e com aquela energia edificante do punk – os refrãos cativantes e os coros de rua à velha-guarda de uns Ramones falam por si. Basicamente, velhos – perdão se se sentirem ofendidos – a fazerem música velha que sabe tão bem e que, sem se descobrir o fogo, pode muito bem ajudar os mais novos a perceberem como se faz som sem problemas. A simplicidade, sem ser exagerada, reina e menos é mais – Kiss é um bom exemplo –, a equipa joga bem com cada elemento a saber o que deve e não deve fazer a mais aqui e ali. E mesmo Liebling apresenta uma performance vocal linear e honesta, percebendo-se ainda assim que a idade e os abusos de uma vida já estão a fazer das suas – mas nem isso é causa para não fazermos elogios.

“Caveman Logic” não é o som do amanhã e os horizontes não foram obviamente ultrapassados, mas é um álbum bom, porreiro, divertido e sincero. Esta malta aproveitou ao máximo a oportunidade, agradece ouvindo sem preconceitos.