O quarteto português tem-se imposto como um dos colectivos musicais mais cativantes e talentosos do país, marcando cada vez mais a indústria musical europeia. The Black Wizards “Reflections”

Editora: Kozmic Artifactz / Raging Planet
Data de lançamento: 23.08.2019
Género: fuzz / blues / stoner
Nota: 5/5

O quarteto português tem-se imposto como um dos colectivos musicais mais cativantes e talentosos do país, marcando cada vez mais a indústria musical europeia. Os jovens lançam este ano mais um álbum, desta feita o seu terceiro longa-duração, mantendo o caminho do rock e do hard-blues, com algum heavy metal à mistura.

“Reflections” é uma produção ambiciosa de autoria própria com Budda a apoiar na mistura e gravação. Joana, Lugatte, Paulo e Mendes perfazem uma das formações de referência da música portuguesa, que promete continuar a encantar os ouvidos dos fãs do verdadeiro rock à antiga. Os The Black Wizards deixaram já de ser uma novidade que surpreende tudo e todos; agora, são uma confirmação que surpreende tudo e todos, inspirando-se no rock dos anos 1970 como grande fonte para as suas letras e sonoridade. No entanto, há sempre elementos novos nas suas músicas com a inclusão do progressivo num rock que apresenta uma toada muito tóxica e técnica. Em “Reflections”, o grupo expande-se um pouco mais, criando um álbum mais conciso e mais ambicioso. Quase todas as faixas têm mais de cinco minutos e o ouvinte terá neste disco uma verdadeira aula de um quarteto que tem amadurecido de forma significativa.

Não se pode negar a importância da voz na sonoridade destes portugueses cheios de qualidade. Joana Brito tem aqui uma excelente performance, incorporando de forma discreta a sua voz no instrumental fervoroso da guitarra e companhia. A bateria parece ter um papel mais importante ao longo do álbum, crescendo em termos dramáticos para batidas mais pesadas e decisivas. Há muito de pesaroso neste “Reflections” – e para tal, o baixo contribui significativamente – com temas mais lentos e trabalhados à volta das emoções, como, por exemplo, “Soul Keeper” e “Starlight” que elevam o disco a outro patamar. Apesar destas baladas, o longa-duração é bastante consistente, evoluindo o caminho anteriormente iniciado, sem nunca comprometer a sonoridade das lendas dos anos 1970 e a própria criatividade do grupo. Pode dizer-se que “Reflections” funciona como um hino à música progressiva / tóxica / psicadélica pela forma como utiliza os efeitos sonoros e os instrumentos para compor passagens realmente envolventes e altamente dinâmicas, bastando escutar as loucas “Outlaws” e “Kaleidoscope Eyes”, as muito roqueiras “Imposing Sun” e “56th Floor”, e a stoner “Symphony of the Ironic Sympathy”.

É impossível ficar indiferente aos The Black Wizards, com a força progressiva do seu rock que soa a uma avalanche musical que vai aumentando de faixa para faixa. Surpreendem pela sua classe e maturidade, apesar da juventude. São donos de um rock muito progressivo e tóxico, altamente técnico e complexo, que está claramente a evoluir e a amadurecer de ano para ano. A tudo isto, a banda portuguesa ainda adiciona um blues-rock de muita qualidade nas suas quasi-baladas, que nos lançam para um mundo quase místico. Mantenham-se atentos a esta banda portuguesa cheia de talento, que continua a produzir temas e discos muito evoluídos musicalmente.