“Verminous” é o título do novo álbum dos The Black Dahlia Murder, e, para o vocalista Trevor Strnad, representa o «maior salto evolutivo» que... The Black Dahlia Murder: «Nós somos os vermes»

Verminous” é o título do novo álbum dos The Black Dahlia Murder, e, para o vocalista Trevor Strnad, representa o «maior salto evolutivo» que a banda já deu de um disco para o próximo. Caracterizado pela Metal Blade Records como o lançamento «mais dinâmico, empolgante e emocional» do grupo, o vocalista completa ao dizer que se trata de um registo «muito colorido, sombrio e carismático, que experimenta novos sons e ideias sem perder a ferocidade de Black Dahlia», com cada faixa a ser «uma entidade viva e que respira por si mesma».

Da primeira à última, há todo um teor antémico que prova a evolução dos norte-americanos. Trevor Strnad comenta através da Metal Blade Records: «”Verminous” tem algumas partes enormes com que, de certeza, muitos fãs se vão identificar. Foi intencional da nossa parte.» Se a abordagem a uma espécie de hino ficou a cargo do tema-título inaugural e da última “Dawn of Rats”, a banda acrescentou outra dimensão ao seu som ao incluir uma negra melancolia em faixas como “Removel of the Oaken Stake” e “Sunless Empire”. «Como sempre, não houve discussão ou planeamento prévio para este álbum. Preferimos manter as coisas completamente orgânicas e deixar a música fluir no momento certo. Simplesmente escrevemos o que escrevemos. No entanto, acho que isso tem sido um objectivo inerente nos últimos anos, para se fazer música mais diversificada. Queremos que um álbum pareça uma loucura. Uma viagem que tenha picos e vales do princípio ao fim.»

«Queremos que um álbum pareça uma loucura. Uma viagem que tenha picos e vales do princípio ao fim.»

Trevor Strnad

Quando se tratou de dar um título ao disco, Strnad olhou à sua volta, para a cena que ajudou a nutrir, e encontrou a sua inspiração. «Nós, os membros do nosso amado e ocultado mundo do heavy metal underground, somos os vermes. Os ratos e as baratas à espreita nas fendas deste mundo caído. Somos os párias que o mundo da normalidade entende como repugnante e obsceno. Somos portadores de uma praga de conhecimento tão vil que poderia levar a inocente humanidade a pôr-se de joelhos. Sempre os oprimidos. O nosso amor por esta música e o que significa nas nossas vidas é estupidamente subestimado.» Ora, isso está vinculado aos temas líricos que permeiam esta novidade discográfica. «O mundo exterior da ‘normalidade’ distorcida pela religião é o ponto de vista oposto. Nós somos o antagonista final dos seus modos arcaicos de pensamento, os sonhadores de pesadelos que os abanam até ao tutano. Embora sejamos humildes vermes para eles – os invisíveis e os subestimados –, os nossos números são milhões. Abandonamos os seus caminhos e preferimos consolar-nos no reino oculto do underground, onde os negros frutos do pensamento livre podem ser saboreados. Somos os nossos próprios deuses. A responsabilidade das nossas acções é só nossa.» Na sua posição, o vocalista também é capaz de oferecer aos ouvintes a oportunidade de exorcizarem a necessidade de se explorarem temas sombrios, encontrando-se algum alívio pessoal. «Não sendo muito diferente do apelo de um filme de terror, existe um lado curiosamente negro em todos nós que consegue apreciar o olhar ocasional através dos olhos do todo-poderoso assassino mascarado. Gosto de levar o ouvinte por essa viagem. Existe uma certa catarse ao colocar-me no coração de cada personagem que crio. Onde me falta poder na minha vida, canalizo-o na minhas criações.»

Ainda que o momento não seja o melhor para se promover álbuns e bandas ao vivo, o frontman dos The Black Dahlia Murder assume por fim: «Há uma emoção masoquista em tocar esta música tecnicamente exigente que simplesmente não se consegue encontrar em nenhum outro lugar. Somos uma banda ao vivo. Vivemos para nos destruirmos em palco todas as noites.»