“Orphans” vence pela variedade sonora e zero de medo quanto a um desconhecido que foi, certamente, descoberto a cada música composta The Agonist “Orphans”

Editora: Napalm Records / Rodeostar Records
Data de lançamento: 20.09.2019
Género: melodic death metal / metalcore
Nota: 4/5

Mais pesados, dinâmicos e diversos do que nunca, os The Agonist deram tudo o que tinham para dar neste sexto álbum que dá pelo título de “Orphans”.

Logo na inaugural “In Vertigo” há uma entrada de rompante afecta ao death metal / deathcore aliada a um ambiente protagonizado por uma espécie de coro feminino que contrasta com a voz rugida de Vicky Psarakis e com os leads frenéticos de uma guitarra detalhada. Assim, a diversidade deste álbum começa logo aqui, na primeira faixa, ao testemunharmos refrãos de voz limpa com relações ao metalcore. Esta primeira amostra acaba por desembocar num clímax extremamente pesado, recorrendo-se mais uma vez ao deathcore premeditado no início.

Tecnicismo é outra variante de uns The Agonist muito arrojados, o que se prova em “As One We Survive” com toda a sua toada assente em technical death metal, sendo que, novamente, Vicky Psarakis sobressai através da sua gama vocal que, aqui, apresenta inclinações sedutoras.

Num momento épico, “Blood As My Guide” abre os portões para deixar entrar uma boa dose de death metal melódico misturado com uma voz à heavy metal, tudo a fazer lembrar uns Visigoth se estes usassem tremolo picking, blast-beats em massa e orquestrações como os The Agonist incluem nesta composição. Com ligações à Grécia, é então interessante ouvir Vicky a entoar alguns versos na língua helénica.

“Mr. Cold”, com toda a sua pujança extrema, é uma composição muito dramática e com secções vocais com reminiscências de um jazz sensual, “A Devil Made Me Do It” incorpora uma faceta experimentalista com um ritmo exótico construído entre bateria e guitarras e “The Killing I” oferece-nos thrash metal embebido em metal moderno.

“Orphans” vence pela variedade sonora e zero de medo quanto a um desconhecido que foi, certamente, descoberto a cada música composta. Sem esquecermos o trabalho de equipa – porque um álbum deste calibre tem mesmo de ser louvado assim –, é Vicky Psarakis quem mais tem realce devido à performance estonteante que faz, finalmente, esquecer Alissa White-Gluz. Após uma audição pormenorizada, talvez os cépticos deixarão de o ser.