Fundados em 1989, os The 69 Eyes são actualmente uma das bandas icónicas do gothic-rock. Ao longo de 30 anos, o grupo, que ficou... The 69 Eyes: 30 anos dos Vampiros de Helsínquia

Fundados em 1989, os The 69 Eyes são actualmente uma das bandas icónicas do gothic-rock. Ao longo de 30 anos, o grupo, que ficou conhecido como Vampiros de Helsínquia, passou por várias mutações – punk-rock, glam-rock, hard-rock, alt-rock e gothic-rock são os ingredientes de uma mistura que resulta sempre num sentimento noctívago, romântico e urbano.

Para se comemorarem estas três décadas de existência, a Metal Hammer Portugal selecciona uma música por cada álbum.

Foto: Christin Morris

Voodoo Queen – Bump ‘n’Grind (1992)
Ainda muito influenciados pela adolescência e pelo punk-rock britânico, os The 69 Eyes lançam o primeiro longa-duração “Bump ‘n’Grind” em 1992. “Voodoo Queen” é o tema inaugural que, ainda muito punk, já mostrava liricamente para onde estes jovens queriam ir – para a noite e para o obscuro.

Wild Talk – Savage Garden (1995)
Depois do punk-rock veio o glam-rock com o segundo álbum “Savage Garden”. Desta vez influenciados pela pujança roqueira de uns Mötley Crüe, os The 69 Eyes contam com a participação de Andy McCoy, guitarrista dos compatriotas Hanoi Rocks, na faixa “Wild Talk”.

Call Me – Wrap Your Troubles in Dreams (1997)
O terceiro álbum dos finlandeses é aquele que começa a evidenciar as primeiras mudanças estéticas e sonoras da banda até ao gothic-rock. Mesmo que o glam-rock e o hard-rock continuem a ter a sua presença, é com este disco que Jyrki 69 começa a dar destaque à sua voz soturna e a restante banda dá início a uma conjuntura auditiva mais negra. “Call Me”, uma composição original de Blondie, inaugura este trabalho de 1997.

Wasting The Dawn – Wasting The Dawn (1999)
O ano de 1999 é sinónimo de uma década para os The 69 Eyes, mas também marca a derradeira inclinação para o gothic-rock. Para além do mais importante, que é a evolução sónica, destaca-se também a presença de L-G Petrov (Entombed) em duas faixas e de Ville Valo (HIM) em três, com maior relevância no tema-título, o primeiro hit dos The 69 Eyes. O single “Wasting The Dawn” presta homenagem a Jim Morrison (The Doors).

Brandon Lee – Blessed Be (2000)
A cena vampírica nos anos 1990 estava em altas. No início da década chegava a Portugal a série brasileira “Vamp”, Francis Ford Coppola dava vida a “Dracula” em 1992, Brad Pitt e Tom Cruise reinavam em “Interview with the Vampire” (1994), os amantes de cinema ficavam encantados com a história de amor e vingança protagonizada por Brandon Lee em “The Crow” (1994), Quentin Tarantino tem consciência do cenário e lança o horripilante e cómico “From Dusk Till Dawn” em 1996, e, no ano seguinte, aparece “Buffy the Vampire Slayer”, uma série de culto com sete temporadas.
Os The 69 Eyes aproveitaram tudo isso, libertando “Blessed Be” em 2000, o primeiro disco puramente gothic-rock. “Gothic Girl”, “The Chair” e “Brandon Lee” são os singles responsáveis pela conquista de álbum de ouro na Finlândia.

Betty Blue – Paris Kills (2002)
Da fria Finlândia, os, agora sim, Vampiros de Helsínquia já davam ar de sua graça por toda a Europa e Portugal não foi excepção. “Paris Kills”, com toda a sua devoção romântica e fatalista floreada por guitarras catchy e teclados melódicos, conquista platina no seu país-natal e abre um precedente estranho para a época: os metaleiros também gostam de gothic-rock. Num álbum perfeito, “Dance d’Amour” e “Betty Blue” tornaram-se mais dois hinos obrigatórios.

Lost Boys – Devils (2004)
A gozarem de popularidade mundial, a banda dos irmãos 69 não tirou o pé do acelerador e continuou a surpreender com “Devils”; mais uma vez, um trabalho cheio de vampirismo e aventura urbana. “Lost Boys” é a faixa mais conhecida do álbum e, como o próprio título indica, é inspirada no filme de Joel Schumacher lançado em 1987.

Perfect Skin – “Angels” (2007)
O título de “Angels” podia ser antagónico ao do seu antecessor, mas não foi por isso que a banda se tornou mais luzidia. Mais próximos dos EUA do que nunca, as ambiência góticas não foram postas de parte mas é verdade que a esquecida veia hard-rock foi recuperada, como se ouve no single “Perfect Skin”.

Dead N’ Gone – Back In Blood (2009)
A passarem por uma reestruturação sonora, os The 69 Eyes utilizaram parte da primeira década de 2000 para conhecer o mundo, especialmente os EUA (a amizade com Bam Margera e paixão por Los Angeles era nítida), e experimentar algo novo que pudesse funcionar comercialmente. Assinados pela Nuclear Blast pela primeira vez em 2009, os nórdicos optaram por um som mais alt-rock e comercial, sem nunca abdicarem do conceito vampírico.

Borderline – X (2012)
Mais estrelas e influenciados pela cultura rock dos EUA, 2012 traz o décimo álbum de uma banda que continuava a crescer em popularidade nalguns nichos, mas que começava a perder um pouco o fio à meada e também uma legião de fãs afectos particularmente ao panorama gótico. “Borderline” é um single que, naquela época, representa facilmente a orientação da banda a sonoridades norte-americanas afectas ao country e às baladas daquele continente.

Jerusalem – Universal Monsters (2016)
“Universal Monsters” era prometido pela banda como o regresso às paisagens sonoras de “Blessed Be” e “Paris Kills”. Será que foi? Em certa medida percebeu-se que sim, mas na sua generalidade tal não aconteceu e isso desapontou muitos fãs que estavam à espera de sentir o fervor gótico de outros tempos e que os Vampiros de Helsínquia tão bem eram capazes de transmitir. Todavia, este disco de 2016 pôde ser considerado o melhor desde 2004, tendo em conta uma segunda fase mais aventureira da banda, tanto a nível artístico como pessoal.

Black Orchid – West End (2019)
Nada melhor do que se celebrarem 30 anos de carreira com um grande disco! Agora sim, com “West End”, os The 69 Eyes foram capazes de retornar à elegância sedutora, amorosa, fatalista, sexual, mortal e eterna daquela época de entrada no novo milénio.
Trinta anos depois, os finlandeses apresentam-se numa forma criativa e performativa invejável, sendo que o que mais salta à audição é a camaradagem musical, as experiências sonoras bem conseguidas e a voz sempre atraente de Jyrki 69.