“Titans of Creation” é a prova de que velhos são os trapos e que ainda dá gosto ouvir thrash metal. Mais: ao fim de... Testament “Titans of Creation”

Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 03.04.2020
Género: thrash metal
Nota: 3.5/5

“Titans of Creation” é a prova de que velhos são os trapos e que ainda dá gosto ouvir thrash metal. Mais: ao fim de mais de três décadas, os Testament continuam a ser leais às raízes, mas sabem reinventar-se.

Supersticiosos ou não, “Titans of Creation” é o 13º álbum dos Testament e acaba de ser lançado durante a fase mais negra e terrível da humanidade desde a II Guerra Mundial. Pior: o vírus, que é ordem do dia nas últimas semanas, atingiu mesmo as fileiras da banda.

Ao longo de 12 faixas, os norte-americanos vão sendo ortodoxos sem o serem. Se a inaugural “Children of the Next Level” nos mostra uns Testament que já conhecemos, prontos a arrasar com o seu thrash metal agressivo q.b. que não descura a melodia, a quarta “Night of the Witch” surpreende com a prestação vocal de Eric Peterson, que facilmente se compara ao berro sufocante tão característico de Ihsahn. Mais à frente, “Ishtar’s Gates” possui uma tendência sonora egípcia, enquanto “The Healers” nos faz regressar aos EUA através de uma composição que combina death e thrash metal através de um tremolo picking inesperado. Numa fase final do álbum surge “Curse of Osiris” em penúltimo, um tema de thrash metal puro e duro, que, algo nos diz, deverá funcionar muito bem ao vivo e que será a ignição para a formação de circle-pits implacáveis devido ao seu peso e rapidez, não se podendo omitir mais uma prestação vocal black metal de Peterson.

Claro que também não podemos esquecer Steve DiGiorgio e o seu baixo que tem um momento de destaque no início de “Code of Hammurabi” através de linhas que serão imitadas depois pelas guitarras num tema de thrash metal sem espinhas.

Doença e caos à parte, “Titans of Creation” é a prova de que velhos são os trapos e que ainda dá gosto ouvir thrash metal. Mais: ao fim de mais de três décadas, os Testament continuam a ser leais às raízes, mas sabem reinventar-se ao termos Peterson e Skolnick a darem o melhor de si nas guitarras enquanto debitam riffs pesados e complexos, sendo, muito provavelmente, a melhor dupla de guitarristas ainda no activo no panorama thrash metal. A reinvenção surge também devido a um sentido progressivo que se vai fazendo notar ao longo de um disco coeso, que só peca por ser longo demais – a verdade, nua e crua, é que as pessoas estão cada vez menos dispostas a ouvir um álbum de 60 minutos, preferindo músicas soltas ou, na melhor das hipóteses, discos que rondem os 30 minutos de duração. Porém, os Testament estão num patamar tão próprio e histórico que isso nem lhes deverá causar um dano significativo, sabendo que têm uma legião de fãs fiel que esperava ansiosamente por este trabalho.