Os Muqueta Na Oreia estão preparados para alçar vôos ainda mais altos. O som do grupo é original, com identidades brasileiras, das nossas culturas,... Terra Brasilis: o som pesado e original dos Muqueta Na Oreia

Os Muqueta Na Oreia estão preparados para alçar vôos ainda mais altos. O som do grupo é original, com identidades brasileiras, das nossas culturas, a nossa língua, o nosso povo, o nosso sangue. A banda que conta com Ramires (voz/percussão), Bruno Zito (guitarra), Cris (baixo) e Henry (bateria) destaca-se pela sua originalidade e atitude, fugindo totalmente do comodismo e da mediocridade, trazendo ideias inovadoras, o que torna a personalidade da banda marcante.

A banda começa quando os primos Ramires e Bruno se juntam ao amigo Cris e começam a tocar. Após formar algumas bandas, em 2007, começam a perceber que tinham algo interessante, chegando o momento em que resolveram fazer o que mais gostamos: metal! O Henry juntou-se e assim surgiram os Muqueta Na Oreia! Sobre este nome inusitado, a banda responde: «Há muito tempo, nos anos 1990, um amigo deu-me uma cassete com uma colectânea só de músicas pesadas, tipo Slayer, Anthrax, Body Count. Enfim, era a cassete que eu mais ouvia. E ele escreveu na etiqueta “MUQUETA NA OREIA”. Muitos anos depois, em 2007 já, logo nos primeiros ensaios, veio-me esse nome à cabeça, porque definia muito bem o nosso som: pesado e sarcástico.»

Ao definir o som e as influências da banda, o guitarrista Bruno Zito diz: «Temos muitas influências que convergem e outras que acabam por nos completar. No começo, a ideia era só diversão, tocar as músicas das bandas que mais gostamos, como Pantera, Metallica e Sepultura. Porém, logo nos primeiros concertos, vimos que havia um potencial muito forte. A galera curtia demais, elogiavam-nos sempre, pediam fotos, autógrafos, e a partir disso sentimo-nos na obrigação de nos desenvolvermos e seguimos assim até hoje.»

Outra característica marcante da banda passa pelas letras que retratam crises sociais, política e outros temas revoltantes no cenário brasileiro, como uma maneira de expressar a revolta que muitos brasileiros sofrem. «Buscamos expressar o que está explícito e também intrínseco nas identidades brasileiras, das nossas culturas, da nossa sociedade, nossa língua, nosso povo, nosso sangue. A galera tem reconhecido isso, têm-se identificado com a mensagem dos Muqueta Na Oreia e com o que outras excelentes bandas brasileiras têm retratado.» E também, o método de composição para criar o som pesado e diferente: «A parte instrumental vem sempre primeiro, depois elaboramos as melodias e só então compomos as letras. Digamos que as letras são feitas sob medida para cada música. Depende do clima e da intenção dos arranjos; sentimos o que aquela música quer dizer e escrevemos em cima disso. A inspiração vem da própria vida, do que lemos, assistimos… Vivenciamos tudo o que está ao nosso redor e também dentro de nós. E como dizia o Cazuza: ‘Ideologia, eu quero uma para viver’.»

Questionados sobre música e política, a banda relata sobre o dever do artista em retratar os tempos que estamos a viver: «O principal é o entretenimento, mas a arte é uma ferramenta muito importante e fundamental de consciencialização. Fica a critério de cada artista expressar-se da maneira que bem entender e que lhe cabe melhor. Nós temos músicas sobre vários assuntos e diversas ópticas, mas, no momento, sentimos a necessidade de nos posicionarmos, deixando isso bem claro nos últimos lançamentos “Samba de Maria”, “Sangue no Zóio” e “Revolta”.»

Com a grande repercussão dos singles que foram lançados recentemente, comparado aos primeiros trabalhos, a banda sentiu a evolução neste projecto. Como todo o começo, o trabalho foi árduo e agora colhem-se os frutos. «Amadurecemos muito desde a gravação do debutante “Lobisomem em Lua Cheia” e “Blatta”. Fizemos uma sequência grande de concertos, promovendo os nossos álbuns, viajámos bastante, aprendemos muito com as novas experiências, trabalhámos duro e abrimos muitas portas, mas também entrámos em várias furadas. Tudo isso fez-nos crescer, inclusive musicalmente, e isso reflecte-se nos novos singles, que têm arranjos mais técnicos e elaborados, com timbres melhores e letras ainda mais consistentes.»

Devido a crise mundial da Covid-19, as bandas de todo o mundo estão à procura de alternativas para trabalhar e manterem-se na imprensa. Os Muqueta Na Oreia divulgaram o single “Revolta” e têm feito lives pelo Instagram todas as sextas-feiras (Brasil, 20h30 / Portugal, 00h30), que se chama “Meia Hora de Muqueta”, tendo sempre com um convidado especial. «Essa experiência tem sido bastante interessante e a galera tem curtido. Pelo menos, essas lives estão a render várias histórias engraçadas, além da troca de informações com o público.»

Os Muqueta Na Oreia têm recebido muitas mensagens, views e streams de Portugal. Já pensaram em fazer uma digressão pela Europa, e, após esta crise, com certeza irão trabalhar para fazer a sua estreia em Portugal. «Conhecemos um fã de Portugal, o grande baterista Jhoka Ribeiro, dos Alekto e KroW, que actualmente mora em Lisboa. Inclusive fizemos uma live com ele a falar sobre concertos, digressões, as questões da Covid-19 em Portugal, entre outros assuntos. O bom é que o som dos Muqueta está a espalhar-se e isso é graças a ajuda de todos vocês que reconhecem a qualidade da nossa música. Realmente, seria algo grandioso uma digressão em Portugal, ainda mais por sermos muito bem compreendidos.»