Formados em 2014, os Kryour lançaram o primeiro single “Chaos Of My Dream” em 2015 e em 2016 o single “Falling in Oblivion”. Praticantes... Terra Brasilis: o death metal melódico dos Kryour

Formados em 2014, os Kryour lançaram o primeiro single “Chaos Of My Dream” em 2015 e em 2016 o single “Falling in Oblivion”. Praticantes de um som influenciado pelo death metal melódico, há alguns meses lançaram o primeiro álbum, o conceptual “Where Treasures Are Nothing”.

“Where Treasures Are Nothing” é um trabalho conceptual que narra factos desde o nascimento até à morte e aborda os valores humanos. Não foi tão difícil trabalhar neste álbum de estreia, segundo o vocalista Gustavo Landoli: «O álbum foi feito com muita calma. Sempre gostei de criar histórias e conceitos. Já planeava fazer um álbum conceptual desde o início. Não houve pressão porque tinha bastante tempo para construir todas as ideias, e isso sem dúvida que ajudou muito no trabalho. Quando se cria algo conceptual, sem dúvida que um dos maiores desafios é tornar o conceito o mais natural possível.»

As letras formam a vida do ‘eu lírico’. Ao lidar com os tais factos desde o nascimento até à morte, aproximando-se dos valores humanos, o repertório do álbum é moldado numa história de vida com um tema bastante actual – ansiedade e depressão – ao lado de boas melodias e composições bem profissionais. «O primeiro objectivo foi expressar-me, poder usar a minha ansiedade a meu favor para poder construir tudo. Isso pode afectar quem entrar no conceito e nas letras; essa identificação é poderosíssima e foi o que eu sempre senti com os artistas em que me inspirava. Procuramos causar essa identificação cada vez mais nas pessoas.»

Sobre começar uma banda de metal no Brasil e reverberar, a banda percebe o progresso da seguinte maneira: «Começar uma banda de metal hoje em dia é um baita desafio. É preciso um amplo planeamento além de capital, ainda para mais considerando que as coisas aqui no Brasil são muito mais caras. Lidar com o capital e a disciplina na banda são os maiores desafios. E o metal mundialmente possui o género de pessoas fiéis, e, apesar de ter um certo conservadorismo, há sempre alguém na busca por algo novo. Tentamos sempre aprender com tudo o que acontece para assim poder haver um progresso interno cada vez maior. Agora, sobre a questão do progresso externo, a cada dia temos algum contacto com mais pessoas e isso é extremamente gratificante desde um elogio a uma crítica.» Questionados sobre a recepção do novo trabalho, comentam: «Nessas perspectivas podemos ver o tal conservadorismo a que eu me referi. Lidamos com isso apenas como opiniões, e por sabermos o quanto penamos para alcançar uma originalidade, isso não chega a afectar-nos de uma forma negativa. Mas claro que temos sempre de ter humildade para saber receber todo o tipo de opinião para assim aprender cada vez mais.»

A ideia de criar um som sem muito compromisso perante certos subgéneros do metal é muito difícil. É inevitável que se rotule a banda, que hoje pratica um som versátil, entre o death metal melódico e o metalcore. Para as pessoas que ainda não têm familiaridade com a trajectória e a sonoridade da banda, os Kryour tentaram definir a proposta e o som que fazem: «Foi muito natural criar o álbum, não houve preocupações de subgéneros em geral, sempre fizemos o que gostaríamos de ouvir em primeiro lugar. Children Of Bodom e Gojira são bandas que todos nós sempre ouvimos. Acredito que a proposta da banda é tocar quem estiver a ouvir – sempre me preocupei com o conceito e por fazer tudo o mais profundo possível para que o ouvinte possa sentir alguma coisa ali naquele som. Adoro criar histórias e fazer músicas – as músicas e álbuns da banda vão sempre juntar essas duas paixões.»

Os Kryour, que já abriram o concerto dos Symphony X no Brasil, comentam sobre isso: «Foi o nosso primeiro concerto com uma banda estrangeira e além da experiência incrível ficámos muito felizes com o nosso desempenho fora dos palcos – montámos e desmontámos o palco em menos de 10 minutos, conseguimos ter noção que a nossa maneira de trabalhar está a ir no caminho certo. Para discos futuros ainda não pensei muito sobre isso, mas para concertos temos o sonho de tocar com os artistas que nos inspiram.» E seguem realizando alguns concertos no país e trabalhando na divulgação deste trabalho inédito, aguardando a oportunidade de realizar espectáculos ao lado de outros grandes nomes do metal mundial e, claro, criar composições para o próximo álbum. «Um dos planos é dar concertos enquanto acumulamos mais material para um próximo trabalho. Temos algumas coisas prontas para o próximo álbum, e com todo cuidado construiremos aos poucos.»