A vocalista Alessia Scolletti falou com a Metal Hammer Portugal sobre criatividade ser a imagem de marca da banda, o salto para a Napalm... Alessia Scolletti (Temperance): «Somos guiados pela essência da música e pela sua criação, nada mais importa»

Temperance é um dos grupos em notável crescimento no panorama melódico e sinfónico. Oriunda da actualmente prolífica Itália, a banda chega ao quinto álbum “Viridian” e, mais uma vez, estamos convidados a navegar nas marés energéticas e empolgantes desta nova lufada de ar fresco na cena symphonic metal. A vocalista Alessia Scolletti falou com a Metal Hammer Portugal sobre criatividade ser a imagem de marca da banda, o salto para a Napalm Records e a digressão com Tarja que passa por Lisboa em Março de 2020.

«Criatividade é a nossa imagem de marca, não há dúvida disso!»

Alessia Scolletti (Temperance)

Em anos anteriores, entrevistámos algumas bandas italianas que se sentiam principalmente amarguradas e tristes por causa da cena metal italiana ser composta bandas de covers e concertos desse teor. Contudo, achamos que isso pode estar a mudar, especialmente devido à ascensão do heavy e symphonic metal com editoras como a Scarlet Records e bandas como Temperance, Fronzen Crown, Moonlight Haze, Kalidia, entre outras. Essa ascensão é sentida no próprio país ou apenas fora dele, com digressões e milhões de visualizações no YouTube?
Bem, é difícil responder a essa pergunta, especialmente para mim, porque estou muito envolvida na cena musical italiana, como fã e como artista – não é fácil ser objetiva. Falando no geral, poderia dizer que o público italiano ainda está muito ligado a alguns sons clássicos do passado, e muitas vezes isso faz com que alguns artistas merecedores escapem. Isso acontece principalmente com as nossas próprias bandas, nascidas e criadas em Itália… Inacreditável, não é? Existem muitas bandas italianas que mereciam mais atenção, e sim, temos de agradecer o trabalho árduo de editoras como a Scarlet Records, que nos deixaram conhecê-las. Mas devemos fazer mais pela cena metal, ainda não é suficiente. Temos a sorte de viver num momento em que tudo o que é preciso está ao nosso alcance (pense-se no Spotify e nas suas sugestões aleatórias com base em gostos musicais!), portanto a melhor coisa a fazer é tirar proveito disso e deixar essas plataformas fazerem o seu trabalho. Quantas novas bandas porreiras podemos descobrir dessa forma? Então, vamos começar a apoiá-las na vida real! As visualizações no YouTube não são suficientes para serem consideradas um ‘apoio’.

Como a Emma Cownley, da Metal Hammer UK, escreveu, o ‘género’ female-fronted metal tem de morrer porque não define um género, apenas ‘ajuda’ a escolher entre homens e mulheres. Todavia, a cena metal italiana tem-nos dado a conhecer muitas mulheres talentosas, como em Temperance, claro. Vemos a arte como uma força conjunta entre seres humanos e não através de perspectivas de género sexual. Quão comprometidos estão os Temperance em criar música bela sem fronteiras?
Os Temperance são principalmente guiados pela essência da música e pela sua criação, nada mais importa, e, para mim, acho que esse é um dos factores mais importantes e um dos aspectos que me fazem sentir mais orgulhosa por estar nesta banda. Adoramos música e a sua evolução; também nos interessamos pelas estrelas em ascensão e por novos sons… Temos uma mente muito aberta! Portanto, essa é a razão pela qual o nosso estilo é tão diversificado –tentamos sempre criar músicas que representem os gostos musicais de todos os membros da banda. Somos todos importantes da mesma maneira, como os tijolos de uma parede: não podes decidir remover um desses tijolos, porque assim a parede não poderá ser considerada completa. Acho que já deu para entender muito bem o que eu penso da tendência ‘female-fronted’ – os Temperance estão muito longe dessa definição.

Cinco discos num período de 6-7 anos é uma óptima referência, especialmente quando a banda está a ser cada vez mais reconhecida. Quando se ouve Temperance, sente-se uma energia muito positiva, é muito estimulante. Como se sentem ao criar música assim nestes tempos sombrios em que vivemos?
Criatividade é a nossa imagem de marca, não há dúvida disso! Não nos forçamos a escrever coisas novas, é simplesmente a nossa natureza: todas as malhas e melodias, tudo o que nos surge tem de ser escrito. O tempo passa rápido, e as nossas ideias também! A energia positiva que sentem é o resultado que tentamos sempre oferecer aos nossos ouvintes: a vida está a ficar cada vez mais difícil, só há más notícias na TV e nos jornais… Na minha opinião, a melhor tarefa dos músicos é dar esperança e enviar vibrações positivas através das suas próprias músicas: sempre que as pessoas regressam a casa após os nossos concertos, gostaríamos de pensar no seu entusiasmo e felicidade pela experiência ao vivo. Seria óptimo se as pessoas sentissem a mesma energia e alegria que nós enquanto estamos no palco.

A Scarlet Records é excelente para o heavy/symphonic metal, mas mudar para a Napalm Records é um grande passo na carreira de qualquer banda. Sentiram mais pressão para compor “Viridian” ou encararam isso como uma recompensa e deram o vosso melhor?
Sem pressão nenhuma. Tivemos muito tempo para nos concentrarmos em cada etapa e estamos muito satisfeitos com o resultado final. Muitas bandas pelas quais fomos influenciados fazem parte da lista da Napalm Records. Sentimo-nos realmente abençoados! E, é claro, queremos dar o nosso melhor, como sempre fizemos. Ser um músico profissional para nós significa, antes de tudo, pôr coração e alma nisto, tudo o mais é relegado para segundo plano porque a verdadeira recompensa é estarmos juntos, a tocar a música que gostamos e a divertirmo-nos.

Estarão em digressão com a Tarja, e um concerto já está agendado em Portugal. Quão entusiasmados estão com esta oportunidade, ao lado de uma diva do metal como a Tarja?
Sim, exactamente, o primeiro concerto de Março está marcado para Lisboa! Estamos muito empolgados em apresentar “Viridian” ao público de português – que excelente início de digressão! A Tarja é uma das cantoras mais importantes e icónicas da cena metal sinfónica/melódica, por isso estamos muito honrados em apoiá-la na sua digressão. Desta vez, teremos a hipótese de visitar muitos países europeus e, finalmente, também chegaremos a muitas cidades alemãs. Estejam prontos para uma nova jornada connosco!

“Viridian” tem data de lançamento a 24 de Janeiro de 2020 pela Napalm Records.