"In The Raw" dá-nos uma Tarja Turunen renovada, apostando em novos caminhos musicais e conceptuais, o que pode ser visto como uma consequência do... Tarja “In The Raw”

Editora: earMusic
Data de lançamento: 30.09.2019
Género: symphonic metal
Nota: 4/5

“In The Raw” dá-nos uma Tarja Turunen renovada, apostando em novos caminhos musicais e conceptuais, o que pode ser visto como uma consequência do frenesim que têm sido os últimos anos. Depois de editar “The Shadow Self” e a prequela “The Brightest Void” em 2016, o assombroso disco de Natal “From Spirits And Ghosts (Score For A Dark Christmas)” no ano seguinte e o álbum ao vivo “Act II” em 2018, este ano de 2019 vê Tarja a apresentar sinais de desgaste físico e mental com “In The Raw”, um disco que foi também um processo terapêutico para a finlandesa, que despe-se de preconceitos e embarca numa jornada lírica onde enfrenta os demónios da depressão num drama tão belo e inspirador como só a Tarja consegue proporcionar.

O lado mais pesado deste disco encontra-se definitivamente no início, com temas como “Dead Promises” – que conta com a participação do vocalista dos Soilwork, Björn “Speed” Strid – ou “Goodbye Stranger” – este com Cristina Scabbia, dos Lacuna Coil – a oferecer-nos riffs de guitarra simples e ásperos, com uma postura quase defensiva, até que se abrem para conduzir o instrumental a passagens mais melódicas e polidas, próximas do trabalho que a finlandesa desempenhou no passado, aquando da sua passagem pelos Nightwish. De facto, a guitarra percorre um caminho evolutivo em que passa de momentos mais sombrios até composições como “The Golden Chamber (Awaken – Loputon Yö – Alchemy)”, que, com uma orquestra sinfónica a acompanhar a voz mágica e temperamental de Tarja, aproxima-se ao que podemos esperar das imponentes produções musicais da Disney.

No geral, “In The Raw” mostra-nos uma Tarja em controlo absoluto, como se pode verificar na balada “You And I” ou em “Shadow Play”, tema que encerra o disco, que providencia uma despedida épica e teatral com coros massivos e uma explosão sónica final, provando que Tarja continua a dominar a mistura entre o metal, o clássico e o progressivo, criando um disco mais do que sólido que dá um passo em frente rumo a um futuro cada vez mais brilhante.