Os pesos-pesados ​​do thrash estavam a caminho da grandeza em 1992, mas uma invasão mainstream escapara-lhes até então. Isso estava prestes a mudar… Perto... “Symphony of Destruction” (Megadeth): de thrashers do underground a realeza do mainstream

Os pesos-pesados ​​do thrash estavam a caminho da grandeza em 1992, mas uma invasão mainstream escapara-lhes até então. Isso estava prestes a mudar…

Foto: Atlasicons / Neil Zlozower

Perto do fim de 1991 – apenas alguns meses após o álbum mais recente dos Megadeth, “Rust In Peace”, ter ganho o terceiro disco de ouro –, o vocalista/guitarrista Dave Mustaine enviou demos de várias novas músicas para a editora da banda. O grupo estava programado para fazer o seu quinto álbum com o produtor Max Norman (Ozzy Osbourne, Death Angel) logo após o Dia de Ano Novo, e a editora queria ter a certeza de que eles estavam prontos.

«Não sei se estive lá quando isso aconteceu», diz Dave, «mas o [baixista David] Ellefson disse que eles precisavam de mais algumas músicas – mais músicas, melhores músicas, músicas mais longas, não sei». Logo depois, Mustaine pegou na guitarra e criou um power riff que, ao lado de “Enter Sandman” e “Smells Like Teen Spirit”, tornar-se-ia indiscutivelmente um dos três riffs mais emblemáticos de toda a década. «Foi uma daquelas músicas em que tocas o riff e, de repente, algo dentro de ti se anima», lembra Dave.

Ainda assim, a música que se tornaria “Symphony of Destruction” – que em breve catapultaria os Megadeth para fora do metal underground e os faria entrar no rock mainstream – estava longe de ficar feita. «O refrão e o verso ainda eram dois momentos completamente separados», diz Dave. «Geralmente é assim que as minhas composições seguem – componho riffs e depois tento montá-los.»

Enquanto compunha o refrão da música, Mustaine diz que se inspirou no Fab Four. «O refrão é apenas uma progressão de acordes em movimento», diz. «Inspirei-me em quando os The Beatles tinham acordes de baixo em movimento sob outros acordes.» Enquanto isso, a linha de baixo da música foi inspirada numa música dos Queensrÿche, que ouviu numa estação de rádio de Los Angeles. «Estava a passar a “Jet City Woman” e eu fiquei tipo: ‘Esta é a parte do baixo. É isso que eu quero’», recorda Dave. «É porreiro, porque nunca sabes de onde vais tirar a inspiração musical.»

O mesmo pode ser dito sobre as letras, algumas das quais surgiram a Mustaine enquanto conduzia. «Escrevi-as no verso de um recibo de sushi, porque eu andava a fazer kickboxing e a preparar-me para o meu primeiro cinturão negro, e ia comer sushi muito regularmente depois do treino», diz. «Foi nesse mesmo restaurante de sushi onde arranjei a rapariga para dizer ‘one hour from now’ em “Countdown to Extinction”. Não era apenas um bom sushi – saquei duas músicas dali!»

Liricamente, “Symphony of Destruction” – que Dave diz ter sido inspirada no clássico filme e livro “The Manchurian Candidate” – descreve os perigos do efeito ‘Pied Piper’, em que, cegamente, os cidadãos ‘dançam como marionetes’ sob a vontade de líderes políticos corruptos. Ainda que o tom seja inegavelmente cínico, Dave diz ter cuidado para evitar passar o julgamento final. «Não acho que deva ser eu a dizer quem é esperto e quem é estúpido», comenta. «Acho que isso é evidente quando as pessoas captam os factos por si mesmas. É por isso que tento sempre encorajar os nossos fãs a decidir por si mesmos. Não saber algo é ignorante, e saber algo e escolher a coisa errada é estúpido; então tens de te questionar quando as coisas correm mal: ‘Foi um erro ignorante ou um erro estúpido?’ Não tento apontar estupidez, e não gosto de fazer as pessoas sentirem-se mal – a menos que me irritem.»

Uma vez que a música estava totalmente escrita, Mustaine e os seus colegas de banda gravaram uma demo, que tem 88 segundos a mais do que a versão que os metaleiros de todo o mundo iriam conhecer e adorar. (A demo aparece como faixa-bónus numa reedição de 2004.) Dave é rápido em reconhecer a contribuição do produtor Norman, que propôs mudar o verso final de antes do solo de guitarra de Marty Friedman para o final da música.

«Não posso tirar o crédito do génio de Max Norman», diz Mustaine. «Ele é um produtor e engenheiro incrível. Antes mesmo de entrarmos em estúdio, eu tinha dado as fitas da demo ao Max. Não sei se é da arrogância das pessoas com quem trabalhamos, mas ele é a única pessoa que veio até mim com notas sobre as músicas.»

«Sempre ouvi as sugestões das pessoas com quem trabalho. Isso não significa que eu faça o que eles dizem, mas ouço. É para isso que lhes pagas, e eles podem fazer algumas melhorias bem consideráveis ​​se fores homem suficiente para ouvir.»

Dave diz que seguiu um caminho semelhante quando a editora escolheu “Symphony…” para ser o primeiro single do álbum. «Lembra-te, está-se a falar de uma banda que não tem singles», diz. «Escolhemos músicas porreiras, fizemos vídeos e rezámos para aparecer na MTV. “Symphony…” foi o nosso primeiro single de ‘bona fide’ – o resto era apenas músicas que tivemos a sorte de ter airplay.»

“Symphony…” quebrou inquestionavelmente esse molde. A música chegaria ao #15 na tabela de singles do Reino Unido, enquanto com o videoclipe viu-se os Megadeth a passarem da noite de sábado no Headbanger’s Ball para as playlists das tardes semanais do programa Dial MTV. O clipe chegou a ter uma exibição respeitável nos 100 melhores vídeos do canal em 1992, onde, no número 68, a banda se viu entre Madonna e U2.

Em grande parte devido a “Symphony…”, “Countdown to Extinction” estreou em #2 na Billboard 200 dos Estados Unidos e em #5 no Reino Unido após o lançamento, e rapidamente a banda ganhou o primeiro disco de platina – até hoje, o único disco de dupla platina. «É engraçado quando começam a fazer incursões assim», reflecte Dave.

«Há escolhas a fazer – se vais manter as tuas ideias, se vais ficar com a miúda com quem dançaste ou a música que te fez grande. Tivemos esse enigma – continuamos a fazer músicas como os singles ou fazemos músicas como os não-singles? Depois do “Countdown …” começámos a sentir a pressão.» «Muitas pessoas que agora estão no nosso negócio não estavam antes e não sabem como fomos tratados», continua. «Não conhecem as portas que precisam de ser constantemente esmurradas e derrubadas apenas para se obter algum reconhecimento. Toda a gente pensa: ‘Eu posso andar com as minhas tatuagens e sou um durão numa banda’, e todo esse tipo de coisas. Não era assim. Se estivesses numa banda, tinhas de lutar. Perdes amigos, vês relações irem para o lixo. Era do tipo: ‘Qual é o teu amor primário?’»

Embora o riff principal de “Symphony…” não tenha sido tão complexo como a maioria do material anterior dos Megadeth, Dave diz que nunca se preocupou em saber como a música seria recebida pelos fãs do grupo. «Quando compões músicas que são agitadas, e depois fazes algo que não é, mas que ainda te satisfaz, há algo a ser dito sobre isso», diz. «O riff de abertura agora é mundialmente famoso, e o porreiro disso é que é tido como uma espécie de folclore.»

Assim, Dave faz referência a uma performance da música durante um concerto de Megadeth em Buenos Aires, em 1994, logo após o país ter relaxado as suas leis e ter começado a permitir que mais artistas ocidentais se apresentassem. «Os fãs abraçaram-nos e acabámos por dar cinco concertos seguidos esgotados», relembra. «Assim começou a história de amor entre Dave Mustaine e a Argentina.»

Enquanto a banda tocava as notas de abertura de “Symphony…”, a multidão fanática da América Latina começou a cantar em uníssono. Dave comenta: «Parei a meio da música e disse: ‘O que é que estão a dizer?’ Eles diziam: ‘Aguante Megadeth!’ Aguante significa continuar, e estava tudo a dizer ‘A-guan-te Me-ga-deth’ juntamente com riff.»

De acordo com o setlist.fm, essa performance de 1994 é uma das mais de 1400 vezes que os Megadeth tocaram a “Symphony…” até hoje – e como único membro constante, Mustaine subiu ao palco mais de 1400 vezes.

Será que ainda gosta de olhar para baixo e ver a música nas setlists da banda após todos estes anos? «Sim, verdade seja dita», refere. «É bom poder olhar para a setlist e ver qualquer coisa!»

Consultar o artigo original em inglês.