Os Svart Crown encontram-se num estado selvagem que a Century Media Records nem sequer pretende domar – é deixá-los à solta. Svart Crown “Wolves Among the Ashes”

Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 07.02.2020
Género: black/death metal
Nota: 4/5

Fundados em 2004, os Svart Crown deram nas vistas em Portugal quando, em Fevereiro de 2018, abriram para Carach Angren e Rotting Christ em Lisboa e no Porto.

“Wolves Among the Ashes” é o quinto álbum dos franceses e a sua concepção é descrita pelo vocalista/guitarrista JB Le Bail como «muito intensa» e «quase sem um dia de folga» enquanto estavam em estúdio no Verão de 2019, demonstrando largas doses de ambição.

Intenso e, parcialmente, insano são dois adjectivos que assentam muito bem neste disco ao termos, por exemplo, um sample de Jim Jones, fundador do culto Peoples Temple, a abrir as hostilidades. Na realidade, Jones ordenaria, com sucesso, aos seus seguidores que cometessem suicídio em massa – corria o ano de 1978. Nas palavras de JB, pretende-se assim representar a «loucura humana ao extremo».

Se a ferocidade deste registo se sente logo com a destruidora “Thermageddon”, que baseia a sua essência no blackened death metal mais ortodoxo, uma orientação mais arrojada é verificada em “Blessed Be The Fools”, faixa em que a banda, numa toada cerimonial, funde metal, industrial subtil e canto gregoriano.

Mais à frente, “At The Altar Of Beauty”, que é uma das melhores composições do álbum, expõe-nos uns Svart Crown a debitar uma sonoridade mais ancestral, como se fossem oriundos do black metal norueguês dos anos 1990, ao unirem melodia e um toque abstracto de perigo. Muito boa é também a faixa que se segue – com “Down To Nowhere”, os Svart Crown abrandam em velocidade, mas nunca em negritude, e oferecem uma música em que se incluem vozes limpas e influências épicas no goth e doom metal que agradará a fãs de, por exemplo, Tribulation.

Em suma, “Wolves Among the Ashes” é o álbum mais versátil e dinâmico do colectivo de Nice e o interessante / intenso / sedutor resultado final dá razão à ambição que se obrigaram a ter quando pensaram neste disco. Os Svart Crown encontram-se num estado selvagem que a Century Media Records nem sequer pretende domar – é deixá-los à solta.