Demasiado previsível, enfadonho e insípido. É o que é. Suicide Silence “Become The Hunter”

Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 14.02.2020
Género: deathcore
Nota: 3/5

Hetfield continua em rehab e até o Keith Richards deixou de fumar! Já os Suicide Silence, que andam nisto desde 2002, acharam que é uma boa altura para lançar “Become The Hunter”, o sexto álbum de estúdio, que sucede ao álbum ao vivo, editado em 2019, “Live and Mental”. O novo álbum chega no início do ano precedido de quatro videoclips (“Meltdown”, “Love Me To Death”, “Feel Alive” e “Two Steps”), prontos a desvendar novos episódios como se de uma nova temporada duma qualquer série de horror da Netflix se tratasse. Esta é sobre predadores e assassinos em série que aterrorizam as criancinhas numa produção hollywoodesca. É Los Angeles a rular. Desta amostra inicial o que saltou à vista foi um mash-up de hardcore com death e alternative metal, com muito groove a ligar uma combinação de estilos, como quem vai inserindo ingredientes na Bimby. O problema é que depois sabe tudo ao mesmo, um novo tipo de muzak, como papel de parede para encher a Internet. Tecnicamente está tudo certo, tudo no sítio, e há uma produção infalível. Mas não basta, é demasiado previsível, enfadonho e insípido. É o que é.

Se procurarem, ainda assim, alguma alma ao longo dos onze temas que perfazem o álbum, vão direitos ao assunto: “Love Me To Death”, “The Scythe” ou “Become The Hunter” talvez ajudem.

O nu-metal do início da década passada gerou a controvérsia suficiente ao provocar ódios de estimação e amores à primeira vista entre a comunidade metálica. A controvérsia é uma reacção positiva, um saudável sinal de diversidade.

Apesar do deathcore dos Suicide Silence não trazer nada de novo, é isto que os novos adolescentes com queda para a música extrema andam a seguir, os velhos do Restelo vão ter de gramar a pastilha. Este metal não é para velhos. A música pesada entrou numa nova era, e anda agora ao sabor da vertigem de um clique no mundo da música digital. A indústria que circula à volta do heavy metal anda a produzir bandas para o Spotify, Bandcamp e para os Soundclouds da vida e na senda dos seus one-hit-wonders, o que sempre foi bom para o negócio. Chamem-lhe mainstream metal – acreditem que isto soa àquela banda do ano passado da qual já ninguém se lembra do nome, tal a facilidade com que as editoras andam a debitar novos lançamentos. Sinal dos tempos onde tudo é descartável, reutilizável, reciclável e mais efémero do que nunca. A pop chegou ao metal e todos disputam os tais 15 minutos de fama de que falava Andy Wharhol.