Após problemas profissionais e pessoais, os Stone God conseguiram reorganizar-se e atacam 2020 com o novo álbum "Incorporeal", um portento de death metal progressivo... Stoned God: maravilhas imateriais

Origem: Alemanha
Género: progressive death metal
Novo lançamento: “Incorporeal” (2020)
Editora: independente
Links: Facebook | Instagram
Entrevista e review: Diogo Ferreira

Após problemas profissionais e pessoais, os Stoned God conseguiram reorganizar-se e atacam 2020 com o novo álbum “Incorporeal”, um portento de death metal progressivo cheio de groove indicado para fãs de Gojira.

«Este álbum estava em construção há quatro anos e quase que não seria lançado.»

Novo lançamento: «Queríamos que tudo fosse simplificado e directo ao assunto, mas único. Sentimos que muitas bandas têm um som único na cena progressive death metal, mas muitas delas são vítimas de composições caóticas e inacessíveis, e não queríamos tornar-nos numa delas. Esperem progressive death metal compacto e com groove cheio de ganchos memoráveis! Infelizmente, passámos por uma mudança completa da formação e muitos problemas pessoais durante o processo de composição, e depois de tudo isto ter terminado foi um alívio lançar o álbum e deixar que as pessoas o ouçam. Este álbum estava em construção há quatro anos e quase que não seria lançado, portanto estou feliz que esteja finalmente cá fora!»

Conceito: «O título “Incorporeal” significa não ser-se composto de matéria, não ter existência material. Fiquei imensamente fascinado com a palavra quando a encontrei por acidente… Representa muitos aspectos do que estamos a tentar alcançar a nível musical e pessoal. Não somos de modo algum pessoas religiosas ou espirituais, a falta de forma representa mais a própria música e os sentimentos que ela transmite dentro de nós, o que é provavelmente semelhante às experiências que algumas pessoas podem ter com a fé. Metáforas espirituais e religiosas também estão sempre presentes nas nossas letras e, claro, no nosso nome Stoned God, por isso faz sentido usar títulos relacionados a divindades. As letras em si são, no entanto, um pouco mais diversas: enquanto deuses e divindades estão presentes em músicas como “Celestial Deicide” e “Incorporeal”, “Dethrone the Traitors” e “Alive” são sobre a raiva e o desapontamento que senti pelas acções e mentiras dos meus ex-colegas de banda. “The Creator” e “Artificial Sun” são pura ficção-científica, enquanto “Illusion” e “The Decadent Blind” são críticas sociais. Esses assuntos parecem funcionar muito bem em conjunto, e pretendo fazer um álbum conceptual combinando isso! Por último, mas não menos importante, “Glowworms” é sobre uma visão induzida por drogas que ironicamente revela o lado sombrio das substâncias recreativas. Tive experiências boas e más, mas as más parecem assumir o controlo após um tempo e tenho visto muitas pessoas a ficarem fortemente alteradas pelo uso prolongado de drogas. Não importa se usas ‘apenas drogas leves’ ou ‘pesadas’… Mais cedo ou mais tarde, vais estragar a tua mente até certo ponto se continuares a fazer merda durante anos. Estejam sempre cientes disso!»

Evolução e influências: «Como mencionado, agora tentamos manter as coisas um pouco mais simples. Comparado ao nosso primeiro álbum, “Incorporeal” tornou-se mais rápido, mais cativante e, no geral, melhor! Quando fizemos o primeiro álbum, tínhamos entre 15-18 anos e tivemos muitos problemas em concordar com algumas coisas. Embora eu tenha escrito 80% de todo o nosso material na altura, alguém achava sempre que seria melhor mudar isto e aquilo, deixando algo de fora e assim por diante. Com os meus novos colegas, consigo produzir as músicas totalmente em casa, para que consiga ouvir sempre como o produto final soa, o que me dá uma perspectiva muito melhor para onde ir! A produção também ficou muito melhor desta vez porque gravei tudo sozinho, excepto a bateria, o que me deu muito tempo para me concentrar na qualidade das gravações. Portanto, é claro que o nosso baterista Matè Balogh fez um ótimo trabalho, além de misturar e masterizar o álbum! Em termos de influências, inspirei-me principalmente no lado mais groove do progressive death metal! Gojira é a única razão pela qual não parei de ouvir metal em certo momento da minha vida, mas, logo depois, descobri Strapping Young Lad. Devin Townsend é simplesmente insano, e o seu trabalho com SYL mostrou-me quanto realmente é possível em termos vocais nesse género. Graças a ele, comecei a abordar a minha técnica vocal de maneira diferente e comecei a trabalhar o meu alcance, o que foi um grande passo. Outras bandas seriam Rivers of Nihil, Black Crown Initiate, mas também bandas de death metal mais tradicionais, como Morbid Angel, Nile ou Cryptopsy antigo.»

Review: À medida que temas como “Glowworms” crescem começamos a perceber que se trata de death metal progressivo, havendo espaço para muito groove através de guitarras gordas e tensas. Ainda que os Stoned God firmem uma assinatura musical muito própria e particular, o novo álbum “Incorporeal” é indicado para fãs de Gojira. Adeptos de Opeth, na fase entre 2000-2010, também poderão encontrar bons momentos enquanto se ouve a música desta banda germânica.