Depois do que os Sorcery já nos ofereceram, “Necessary Excess Of Violence” é um registo algo abaixo da média. Sorcery “Necessary Excess Of Violence”

Editora: Xtreem Music
Data de lançamento: 20.08.2019
Género: melodic death metal
Nota: 3/5

Com os pés firmemente assentes no produto musical com maior exportação da sua terra-natal, a Suécia, os Sorcery, fundados em 1986, são uma das bandas esquecidas da primeira vaga de death metal sueco. Após expectativas de um futuro auspicioso proporcionado por “Bloodchilling Tales”, álbum de estreia de 1991 perfeitamente sincronizado com o espírito desse tempo, a banda acabou por se dissolver. Em 2013 lança “Arrival At Six”, segundo disco que não passou despercebido da comunidade do death metal devido ao seu som legítimo e algo contagiante. Sucedeu-lhe “Garden Of Bones”, um furo abaixo do que esperávamos mas, ainda assim, sólido e competente. 2019 é ano de “Necessary Excess Of Evil”, quarto longa-duração dos Sorcery, que peca por essa mesma longa duração.

Se qualquer disco anterior do quinteto sueco possuía uma boia de salvação, algo a que nos agarrarmos, “Necessary Excess Of Violence” parece um ajuntamento de temas ao invés de um disco. Sente-se que a alma dos Sorcery está ausente, de férias ou a gozar de uma sabática, quando nem os riffs habitualmente másculos nos convencem a prestar atenção ao que se está a desenrolar tema após tema. Para que não restem dúvidas, o disco é uma mistura agridoce – se a afinação geral, os riffs e os solos nos atiram a alta velocidade em direcção a Estocolmo e a Gotemburgo do princípio dos anos 1990, e ainda que a fazerem lembrar Entombed, Dismember, Unleashed e outros que tais, “Necessary Excess Of Violence” é o pior disco dos Sorcery: previsível, com falta de emoção, padecendo do sintoma clássico de não apresentar nada de novo ou que nos capte a atenção e, em última análise, aborrecido para quem conhece o género de olhos fechados e de trás para a frente. A produção ainda é a cola que ajuda a manter erecto um registo magro na sua plenitude, mas, bem-vistas as coisas, aquilo que desejamos sentir ao ouvir um disco deste estilo musical é priapismo, nunca impotência. E é esta segunda sensação que os Sorcery nos transmitem com este novo registo, algo que já teve os seus dias e que, geralmente, só se ergue com recurso a um certo fármaco cuja composição inclui solos inspirados, riffs orelhudos ou mesmo extracto de magia que não se consegue a nível individual, mas que se realiza totalmente em grupo. Tudo isto falta a “Necessary Excess Of Violence”, um disco abaixo de bom e apontando a sua mira para o alvo do razoável, parecendo que a banda tem receio de algo, como mostrar a massa de que verdadeiramente é feita. Se fosse uma banda sem provas dadas, entendia-se essa timidez. Depois do que os Sorcery já nos ofereceram, “Necessary Excess Of Violence” é um registo algo abaixo da média.