Ainda que o aspecto comercial e popular do metal tenha sido estancado nos anos 1990 devido ao breve movimento grunge, a verdade é que... Sonata Arctica “Ecliptica”: power metal renovado

Ainda que o aspecto comercial e popular do metal tenha sido estancado nos anos 1990 devido ao breve movimento grunge, a verdade é que o final dos 1980s e a década seguinte foram ricas no que diz respeito à evolução do género com grandiosos álbuns de black, death e power metal.

Se no black metal tínhamos toda a cena norueguesa, no death metal emergiam bandas dos EUA (Death e Morbid Angel) e da Suécia (At The Gates e Entombed), e o power metal já tinha assistido ao crescimento de grupos como Helloween, Stratovarius, Blind Guardian ou Gamma Ray.

Fundados em 1996 (primeiro como Tricky Beans e depois Tricky Means), a 4 de Setembro de 1999 é lançado “Ecliptica”, o álbum debutante dos Sonata Arctica. Já numa fase algo tardia, mas ao mesmo tempo à porta do grande regresso da música extrema aos escaparates da MTV e afins à custa do nu-metal, o tema inaugural “Blank File” mostrava bem ao que os finlandeses vinham. Fortemente influenciado por Stratovarius, o primeiro álbum dos Sonata Arctica apoia-se na velocidade melódica das guitarras e na voz em falsete de Tony Kakko. “My Land” oferece um lado mais atmosférico e a chamar as raízes do hard-rock, “8th Commandment”, com o seu groove e teclas frenéticas, é facilmente considerada uma das mais orelhudas composições de power metal e “Picturing the Past” realça o lado neoclássico inspirado em Yngwie Malmsteen.

Claro que há espaço para baladas, como “Replica”, que apesar de tudo cresce em poder sonoro e volta a beber do hard-rock, e “Letter To Dana”, que, obviamente bonita, pode ser hoje em dia considerada algo cheesy.

Não só o álbum mas também o single “UnOpened” fizeram com que a banda despertasse atenções, e em 2000 partiram em digressão com os seus ídolos de sempre, os Stratovarius. Num legado que ainda não terminou, ficam para posteridade álbuns seguintes maioritariamente bem-recebidos e extensas digressões, mas para falarmos de Sonata Arctica teremos sempre de retornar ao ponto de partida com “Ecliptica”, porque é do início que se conta uma história.