"Premonitions" é o título do terceiro álbum dos Sojourner, um projecto arrojado que converge black, folk e post-metal e que se divide entre EUA,... Sojourner: «Não podíamos estar mais orgulhosos deste disco!»
Foto: Katrina Watt

“Premonitions” é o título do terceiro álbum dos Sojourner, um projecto arrojado que converge black, folk e post-metal e que se divide entre EUA, Reino Unido, Itália e Nova Zelândia. Para todos ficarmos a conhecer um pouco mais deste disco, a Metal Hammer Portugal falou com Mike Lamb (guitarra) e Emilio Crespo (voz), uma dupla humilde que só espera continuar em ascensão.

«É incrivelmente gratificante ouvir o resultado final de tanto trabalho e esforço!»

O álbum intitula-se “Premonitions” e a capa apresenta uma coruja, um animal que é comummente reverenciado como uma metáfora da sabedoria e, às vezes, da paciência. Podemos traçar uma relação entre o título e o artwork?
Mike L.: Fico contente que tenham pegado nisso! É um dos aspectos subjacentes sobre os quais não falei muito noutras entrevistas, principalmente porque não quero adicionar uma camada de pretensão, mas a coruja é muito uma referência às interpretações clássicas. A capa foi baseada numa imagem que eu tinha na cabeça, e a ideia da coruja e as conotações de sabedoria e conhecimento foi um subtexto importante. O título “Premonitions” refere-se ao facto de 2019 ter sido um ano terrível em todas as nossas vidas – as coisas estavam a acontecer e a terminar de forma caótica, pareciam fora de nosso controlo. A coruja na capa é muito mais um presságio de esperança diante da adversidade do que qualquer coisa negativa.

O álbum é muito rico em camadas de guitarra e atmosfera, e cremos que foi um trabalho árduo. Normalmente, pergunta-se quão complicado deve ter sido para o concretizar, mas vamos pôr isto noutra perspectiva: quão satisfatório foi imaginar, criar e ouvir essas camadas?
Mike L.: É incrivelmente gratificante ouvir o resultado final de tanto trabalho e esforço! Trabalhámos muito para tornar o álbum o mais dinâmico e interessante possível, e mesmo quando se está confiante no que se faz, só se conhece exactamente o resultado no fim. Não podíamos estar mais orgulhosos deste disco!

Convergir black, folk e post-metal é uma grande conquista em “Premonitions”, e há muitas emoções que variam de tristeza e nostalgia a raiva, tudo isto com uma grande dose de paisagens sonoras épicas. Quão intenso acham que isto é na perspectiva do criador?
Mike L.: Do ponto de vista musical, não é muito intenso no sentido de ser caótico ou fora de controlo enquanto se compõe, apenas se faz o que parece certo e o que se acha que a música precisa, e no final tudo de reúne. O som de Sojourner é a síntese dos meus estilos de composição natural e da Chloe [Bray, vozes, flautas].
Emilio C.: Canalizei todos esses sentimentos e muito mais. É um disco profundamente pessoal, e foi muito catártico quando gravei as vozes. Até este momento, depois de todos os álbuns ou músicas em que já participei, nunca tinha sido tão verdadeiro ou tão puro como agora, já que geralmente crio mais narrativas. Cada palavra que me ouvem dizer é sincera, porque é o que eu realmente vivi durante o processo.

Sabe-se que a faixa “Fatal Frame” foi inspirada no jogo com o mesmo título. Existe alguma outra inspiração em particular para alguma das outras faixas que gostariam de partilhar?
Emilio C.: “The Apocalyptic Theater” é outro tema que não foi baseado na situação difícil em que estive, mas é baseado na realidade. É sobre como nós, como espécie, estamos a prejudicar tudo o que precisamos para sobreviver, o que é uma enorme contradição, porque somos uma espécie sobrevivente, de uma maneira ou de outra. Nessa música, atingimos um ponto sem retorno e olhamos sem expressão, como se não fosse real. Enterramos as nossas cabeças na areia e agora vemos tudo a desabar sobre nós, incrédulos. O planeta revitaliza-se sempre, mas deixamos de existir.

Depois de lançarem os dois primeiros álbuns pela editora de culto Avantgarde Music, quão satisfeitos estão com o salto para uma editora maior como a Napalm Records e que novos objectivos desejam alcançar?
Emilio C.: Muito felizes. Adoramos o Roberto e a Avantgarde Music, e sentiremos sempre que é uma casa para nós, mas ingressar na Napalm Records foi o passo lógico. Queremos espalhar a nossa música por todos os cantos do mundo e tocar ao vivo muito mais. A Napalm tem sido incrível para nós e está a trabalhar arduamente para nos fazer chegar a toda a gente!