Não tão velhos contos de batalhas e necromancia unem-se a solos elaborados e outro punhado de riffs memoráveis, deixando consigo uma forte aura de... Smoulder “Dream Quest Ends”

Editora: Cruz del Sur Music
Data de lançamento: 13.03.2020
Género: heavy/doom metal
Nota: 4/5

Não tão velhos contos de batalhas e necromancia unem-se a solos elaborados e outro punhado de riffs memoráveis, deixando consigo uma forte aura de expectativa sobre o que se seguirá.

Smoulder é um projecto que teve início em 2013 e, desde então, a par de nomes como Visigoth e Atlantean Codex, em muito tem contribuído para revitalizar um dos estilos mais tradicionais no que toca a sonoridades extremas, em que o heavy metal se combina com o epic doom para nos transportar até múltiplos universos de demónios, espadas e longas demandas. O seu primeiro álbum “Times of Obscene Evil and Wild Daring” integrou alguns dos tops de 2019 e pode dizer-se que este novo EP foi lançado não apenas com o objectivo de reforçar a identidade sonora da banda, mas também de levantar um pouco o véu no que toca às suas direcções futuras. Entre tons psicadélicos e passagens menos convencionais, influências de bandas como Saxon, Solitude Aeturnus e Candlemass mantêm-se intocáveis, sempre apresentadas com criatividade e originalidade.

Os dois primeiros temas do EP, a estrear neste lançamento, são exemplos disso mesmo. “Dream Quest Ends” e “Warrior Witch of Hell” foram escritos pelo baterista Kevin Hester, em que, para além dos riffs orelhudos e uma secção rítmica imponente, nos apresentam também uma nova e interessante dinâmica vocal, combinando a voz de Sarah Ann com uma voz mais grave de background em momentos chave. A terceira faixa do EP relembra outra das principais influências do quinteto e surge também como homenagem a Mark Shelton, falecido em 2018. “Cage of Mirrors” integra originalmente “Metal”, segundo álbum de Manilla Road, e poucos conseguiriam apresentar uma cover tão bem executada deste tema. A voz adapta-se, o baixo e a bateria destacam-se uma vez mais, sem nunca ofuscar as cordas, e quase se poderia dizer que a gargalhada que se faz ouvir pertence a Mark.

A segunda parte destes 37 minutos inclui três temas da demo também lançada no ano passado, do qual faz parte “Sword Woman”, single de estreia da banda. Aqui podemos voltar a desfrutar de um registo ligeiramente mais convencional, sobretudo útil para demonstrar a evolução de qualquer um dos elementos em menos de um ano. Não tão velhos contos de batalhas e necromancia unem-se a solos elaborados e outro punhado de riffs memoráveis, deixando consigo uma forte aura de expectativa sobre o que se seguirá.