"Angel of Death" não só é a faixa inaugural de "Reign In Blood" (1986), o álbum mais aclamado e influente dos... Slayer “Angel of Death”: influente e controversa

“Angel of Death” não só é a faixa inaugural de “Reign In Blood” (1986), o álbum mais aclamado dos Slayer, como é também uma das mais conhecidas composições da banda norte-americana.

Para além de famosa pela sua influência na evolução do thrash e speed metal, “Angel of Death” está também envolta em controvérsia devido às letras de Jeff Hanneman, que detalham as experiências levadas a cabo por Josef Mengele, o tal Anjo da Morte, em judeus aprisionados em Auschwitz, o mais infame campo de concentração nazi situado na Polónia.

Com letras que descrevem os abusos perpetrados por Mengele, tanto na sua perspectiva como na de terceiros, os Slayer foram acusados de simpatizar com o regime nazi, algo que sempre negaram, visto tratar-se de uma exposição de factos e não de um apoio.

Com versos escritos por Jeff Hanneman inspirados em livros que leu sobre Mengele e o nazismo, esta música atrasou o lançamento de “Reign in Blood”, uma vez que a Columbia Records, que distribuía a Def Jam Records, se recusou a editar o álbum devido aos seus assuntos e artwork demasiado gráficos. O terceiro álbum dos Slayer seria distribuído pela Geffen Records em Outubro de 1986.

“Angel of Death” causou indignação entre sobreviventes do Holocausto, algo que nunca abandonou a carreira dos Slayer. Interessado pelo momento histórico que envolveu a ideologia nazi e os seus crimes, Hanneman disse, em 2004, à KNAC: «Sei por que é que a pessoas interpretam mal [essa música] – porque têm uma reacção de reflexo automático. Quando lêem as letras, não há lá nada em que eu diga que ele [Mengele] era um homem mau, porque para mim – bem, não é óbvio? Não era preciso eu dizer-vos isso.»

Em 2006, Kerry King também tocava no assunto num artigo da Decibel: «Pois, ‘os Slayer são nazis, fascistas, comunistas’ – essa merda toda engraçada. E, claro, fomos muito criticados na Alemanha. Eu sempre fui do tipo, ‘leiam as letras e digam-me o que há de ofensivo nelas; conseguem vê-las como um documentário ou acham que os Slayer estão a pregar a porra da Segunda Guerra Mundial?’. As pessoas têm este pensamento nas cabeças – especialmente na Europa – e nunca vão desistir.»

“Angel of Death” não é caso único na discografia dos veteranos: em “Divine Intervention” (1994) aparece “SS-3” (sobre o comandante das SS Reinhard Heydrich) e em “Christ Illusion” (2006) está incluída “Jihad” (sobre os atentados de 11 de Setembro de 2001 do ponto-de-vista dos terroristas). Contudo, nenhuma dessas duas músicas causou tanta celeuma entre a opinião pública, talvez porque, para Hanneman, as pessoas começaram a perceber que eram só os «Slayer a serem os Slayer» (in Metal-Rules).

Josef Mengele (1911-1979) é um dos cérebros mais malévolos do regime nazi ao submeter prisioneiros judeus às mais bárbaras experiências, a maioria delas executadas em Auschwitz, um dos mais de 40 campos nazis de concentração e extermínio. Ao longo dos seus cinco anos de existência, estima-se que lá morreram cerca de 1.1 milhões de pessoas. Anne Frank, Primo Levi e Simone Veil são alguns dos mais conhecidos nomes que passaram por Auschwitz. O campo foi libertado a 27 de Janeiro de 1945 pelas forças soviéticas, que em poucos meses entrariam em Berlim, derrotando definitivamente a Alemanha Nazi.