Títulos como “Intolerância à Intolerância”, “Banalization Of Evil” e “Refugiados” são um grito feroz, cheio de pujança punk e crust, contra tudo o que,... Simbiose “Banalization Of Evil”

Editora: Amazing Records
Data de lançamento: 01.10.2019
Género: punk / crust / metal
Nota: 3.5/5

Há muitos anos que a ala interventiva do metal e do punk não fazia tanto sentido. A intolerância e a extrema-direita conservadora crescem a olhos vistos (EUA, Brasil, Itália, França…), e gostar do riff pelo riff não é desculpa para não saberes onde te queres posicionar. Se gostas de Kreator, Sepultura dos anos 1990 ou de Ratos de Porão, então tens de perceber que estas são bandas muito ligadas ao anarquismo e lutam artisticamente contra os poderes vigentes do capitalismo. Se gostas de um riff de uma banda do Leste Europeu que se rotula como NSBM, então tens de entender que as pessoas por detrás disso são xenófobas e anti-semitas. Tens de saber onde queres estar em tudo na vida! E não, não vamos aqui dar uma lição sobre esta matéria, muito menos entrar em moralismos. Vamos falar do novo álbum dos Simbiose que, sem medo, sabem de que lado da barricada estão – estão do lado dos injustiçados, da demanda pela tolerância, da sede por mudança social para algo mais igualitário.

Num disco alimentado a raiva pela perda do baixista e amigo Bifes, falecido em 2018, vítima de um acidente de viação, a banda portuguesa também se alimenta do desconforto que sente devido à dormência geral que assiste impávida e serena a atrocidades. Títulos como “Intolerância à Intolerância”, “Banalization Of Evil” e “Refugiados” são grito ferozes, cheios de pujança punk e crust, contra tudo o que, para os Simbiose, está errado e devia ser corrigido. Pois bem, a verdade é esta: as maldades feitas a outro ser-vivo são todos os dias banalizadas nas redes sociais e nos telejornais cada vez mais sensacionalistas.

Velocidade, fúria vocal mandante, riffs afiados que esquartejam qualquer conformado, baixo presente metalizado e atitude desmesurada é o que encontramos no regresso dos Simbiose aos discos, mas nem tudo é punk/crust/metal per se. “É a Vida”, com um andamento mais mid-tempo e punk-rock (sem perder a distorção metal), surpreende com um clímax composto por um longo solo que tanto é frenético como melódico; “Na Mão de Estranhos”, com Juan dos Soziedad Alkoholica, e “Viver Assim” fazem surgir uns Simbiose virados para o thrash metal; “Medo de Mudar” encontra-se aqui e ali com o groove metal em generosa evidência; e a última “Violent Minds” (com os seus anormais quase cinco minutos) encerra o álbum a todo o gás, sempre com a bússola a apontar ao punk/crust.