A primeira metade dos anos 1990, com a ascensão do grunge, obrigou parte do metal a reformular-se. Isso aconteceu no geral, originando o dark... Sentenced “Amok”: o início de um reinado

A primeira metade dos anos 1990, com a ascensão do grunge, obrigou parte do metal a reformular-se. Isso aconteceu no geral, originando o dark metal (Moonspell, Tiamat, Katatonia, Rotting Christ), mas também em casos muito particulares, como com Sentenced que a 3 de Janeiro de 1995 lançavam “Amok”, o terceiro álbum que nos ofereceu uma banda com novas ideias e cada vez mais longe do death metal mais ortodoxo de “Shadows of the Past” (1992) e “North from Here” (1993).

Ainda que algo influenciados pelo death metal melódico da época, os finlandeses entraram em 1995 com uma cara mais lavadinha – isto é, com uma sonoridade mais limpa, amigável, orelhuda e experimental. Por outro lado, as bases essenciais do heavy metal, nomeadamente britânico, também não foram esquecidas, as quais podemos ouvir em faixas como “Phenix” e “New Age Messiah”, esta que contém um lead de guitarra cativante e praticamente omnipresente como só Miika Tenkula (1974-2009) nos habituou, bem como o refrão mais bombástico do disco.

A combinação total de vários subgéneros surge em “Forever Lost”, um tema de sete minutos que encapsula amplamente todos os métodos criativos que os Sentenced queriam implementar neste disco: death metal melódico, doom metal e gothic rock.

“Amok” representou uma época no seio do metal e o início de uma nova orientação musical em direcção ao gothic/dark metal/rock.

Uma espécie de doom metal alternativo, com leads cheios de efeitos, acontece em “Funeral Spring” e abre caminho para o single e icónica composição que dá pelo título de “Nepenthe”, o hino dos Sentenced. Neste tema, a melodia (tanto acústica como eléctrica) cruza-se com uma negritude lírica que aborda a efemeridade dos aspectos positivos da vida numa catárse através de alcoolismo, uma premonição daquilo que seriam os dias finais do já mencionado Miika Tenkula.

Entre conceitos mitológicos, misantrópicos e suicidas, “Amok” representou o último álbum do vocalista/baixista Taneli Jarva e, para uma franja de fãs, uma bizarria que cortou pela raiz o death metal dos dois primeiro discos, mas, e olhando para o lado luzidio da situação, este trabalho representou realmente uma época no seio do metal e o início de uma nova orientação musical em direcção ao gothic/dark metal/rock operado na sua magnitude no álbum seguinte que seria lançado em 1996 e que se intitularia “Down”.