Ao longo de mais de uma década de existência, os suecos Saturnalia Temple desenvolveram o seu próprio nicho dentro da cena occult doom metal,... Saturnalia Temple: «A maioria das bandas tem uma atitude algo passiva e inconsciente em relação à sua sonoridade.»

Ao longo de mais de uma década de existência, os suecos Saturnalia Temple desenvolveram o seu próprio nicho dentro da cena occult doom metal, criando uma sonoridade psicadélica autêntica que caiu nas graças de Fenriz, dos Darkthrone, que celebrou o seu 40º aniversário com um mix de sete faixas onde se incluía Saturnalia Temple. A progressão musical da banda é uma vez mais desafiada em “Gravity”, o novo disco deste colectivo que será editado em Fevereiro de 2020 pela Listenable Records. O fundador Tommie Eriksson falou à Metal Hammer Portugal sobre a sonoridade e sobre a magia enquanto temática desta nova proposta cujo primeiro single de avanço será apenas divulgado no dia 10 de Janeiro de 2020.

«O metal nasceu precisamente porque as pessoas quebraram as leis.»

Para este disco, recorreste a velhos equipamentos da década de 1970. Sentes que essa escolha foi crucial para o som alcançado em “Gravity” ou acreditas que serias capaz de obter a mesma essência com equipamentos modernos?
Não se trata de sermos nostálgicos ou retro mas acho que não existem amplificadores melhores do que os velhos Laney Klipp. A atitude na produção é para nós o mais importante. Hoje em dia, a maioria das bandas tem uma atitude algo passiva e inconsciente em relação à sua sonoridade. Apenas porque existem algumas ideias que na hora são vistas como “boas”, “profissionais”, “com qualidade” ou “populares”, não significa que devam aderir às mesmas. Penso que a única maneira de conseguir criar algo interessante é acrescentarmos a nossa própria personalidade naquilo que fazemos. Lá porque existem certas regras que ditam a forma como deves tocar um instrumento ou como deves produzir música, não significa que sejam leis que tenham que ser cumpridas. O metal nasceu precisamente porque as pessoas quebraram as leis, ao sobrecarregar amplificadores com distorção, ou ao tocar bateria de forma insana e consciente, recorrer a sons de guitarra impossíveis ou começar a gritar em vez de cantar. Contudo, parece-me agora que estas revoluções tornaram-se numa nova lei e o resultado de ter toda a gente a caminhar em linha recta e a seguir regras é fazer da música algo monótono, estéril e igual a tudo o resto.

O conceito explorado em “Gravity” diz-me que és o tipo de pessoa que investe muito tempo na leitura…
Correcto e é algo que faço há muitos anos.

Que livros podes citar que tenham servido como influência neste novo disco?
No campo da ficção, adoro Hermann Hesse, Jean Luis Borges, Gunnar Ekelöf, Roger Zelazny, entre outros. Dentro da leitura esotérica e mágica, leio muita coisa mas destaco como alguns nomes chave Iamblichus, Ouspensky e Gurdjieff, Crowley, Spare, Grant. Também vejo o Jaz Coleman dos Killing Joke como alguém muito inspirador. Os Killing Joke são uma banda única e fenomenal, tanto a nível espiritual como intelectual. Não consigo pensar noutra banda que se aproxime deles, sequer.

Na nota de imprensa da banda, referes que este foi o melhor álbum que já compuseste. O que te faz sentir isso, à parte de ser a tua própria arte e a tua criação mais recente?
Quando te espelhas, podes ser como uma criança ou como alguém próximo da morte. Podes sentir-te alegre por aquilo que fizeste, como uma criança, ou ser duro contigo próprio, como alguém que está prestes a morrer. Aqui, é óbvio que escolhi o primeiro exemplo. No entanto, não vejo o desenvolvimento desta banda de forma linear mas sim como um movimento cíclico que é intemporal.

Como gostavas que o ano de 2020 fosse para os Saturnalia Temple?
Estou entusiasmado por seguir em tour europeia com os Wolvennest e os Dread Sovereign, entre os dias 21 e 29 de Fevereiro! Espero que corra tudo bem e que continuemos a prosperar!

Podes pré-encomendar “Gravity” nesta ligação.