Não é nada descabido dizer-se que Sabaton é ‘A’ banda de heavy metal do momento: digressões mundiais, concertos esgotados, headliners do Hellfest, capa da... Sabaton “The Great War”

Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 19.07.2019
Género: power metal
Nota: 4/5

Não é nada descabido dizer-se que Sabaton é ‘A’ banda de heavy metal do momento: digressões mundiais, concertos esgotados, headliners do Hellfest, capa da Metal Hammer UK – tudo alicerçado em bons álbuns de metal melódico e épico, amabilidade contagiante e energia inesgotável.

O novo “The Great War” será, quase sem questões levantadas, o disco mais impactante dos suecos, e já lá vão nove lançados e duas décadas de carreira. Para além de o conceito ser um motivo de grande atenção – afinal estamos perante a Primeira Guerra Mundial –, a actual roupagem sonora ganhou novas abordagens. Todavia, isso não quer dizer que estes não sejam os Sabaton de sempre – são, mas melhores! Claro que há faixas tipicamente Sabaton, como as primeiras três, em que se reaviva o herói T.E. Lawrence na segunda “Seven Pillars of Wisdom”, mas logo aí se percebe que algo novel está a acontecer e isso acaba por ser totalmente compreensível aos nossos ouvidos com “The Attack of the Dead Men” e “Devil Dogs”, dois temas que apresentam refrãos plenos de criatividade rítmica, solos perfeitos e novos tipos de samples em contraste com as repetições de “The Last Stand” (2016).

Ainda assim, o primeiro grande estrondo materializa-se na impecável “The Red Baron”, que dá vontade de ouvir vezes sem conta. Mais uma vez, o conceito é sedutor, pois é-nos contada a história do ás dos ares Manfred von Richthofen, mas o que é que acontece musicalmente para esta composição ser tão apreciada? Fácil. Para além da intensa prestação vocal de Joakim Brodén e das guitarras precisas, “The Red Baron” vence devido à inclusão de um teclado alucinante que origina todo um ritmo frenético.

Para além das personalidades que proporcionaram novos rumos à guerra, os locais icónicos não foram ser esquecidos – e nem tal podia acontecer. Quando falamos em Primeira Guerra Mundial há dois sítios nativamente inerentes a este que é um dos conflitos mais horripilantes da História: Paschendale e Verdun. Enquanto o primeiro é relembrado em “Great War”, um tema com a passada e orquestração típicas de Sabaton, o segundo aparece em “Fields of Verdun”, uma faixa que parece apenas mais uma dentro da tipicidade da banda, mas que surpreende com uma rendição de Beethoven em mais um solo de guitarra, e diz-se ‘mais um’ porque este é um álbum grassado, e bem, por tais artimanhas, o que não foi tão explorado em álbuns anteriores como “The Last Stand”.

Apesar de “The Great War” não ter sido editado em datas mais precisas, como o centenário do início ou o centenário do término da guerra, “The Great War” foi simbolicamente finalizado a 11 de Novembro de 2018, 100 anos depois de as hostilidade terem cessado, para, agora em 2019, se celebrarem duas décadas de Sabaton com um disco adulto, cintilante, cativante e com excelentes escolhas ao nível estético e sonoro, sendo que o departamento de produção merece todos os elogios possíveis.

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