Embora longe de se tornar o melhor registo deste grupo, continuará a agradar, e muito, aos que já são fãs. Russian Circles “Blood Year”

Editora: Sargent House
Data de lançamento: 02.08.2019
Género: post-rock / post-metal
Nota: 3.5/5

Os norte-americanos Russian Circles contam já com 15 anos de carreira, e se há coisa que se pode perguntar, passado todo este tempo, é o que será que ainda se pode esperar de uma banda que apresenta esta enorme quantidade de bagagem e reconhecimento, sendo um projecto que teve, sem dúvida, um papel determinante no que toca à definição e ajuste do que até hoje podemos considerar alguns dos pilares da sonoridade post-rocke post-metal, com uma colecção de álbuns capaz de fazer qualquer um roer-se de inveja, onde se encontram inúmeras influências, nem sempre apresentadas de forma ortodoxa, que vão do sludge ao psych, do hardcore ao shoegaze. Experimentais, sim, mas sem nunca perder a sua identidade. São pura e unicamente instrumentais desde que se juntaram, e ainda assim mais completos do que tantas outras bandas, onde se incluem diversos registos vocais, dentro deste género musical.

Sem grandes desvios, e voltando à nossa questão inicial, podemos responder-vos que se pode esperar bastante, sem nos desapontar. Não poderemos certamente afirmar que este mais recente trabalho está ao nível dos seus primeiros álbuns, pelo menos no que a sonoridades mais densas e obscuras diz respeito, mas também não será novidade para os fãs que, desde “Memorial”, lançado em 2013, este trio se tem revelado bastante capaz na exploração de tonalidades mais atmosféricas, conduzindo o seu post-rock para um rótulo ambient. Passados três anos do seu último lançamento, “Guidance”, voltam a cruzar tons com nomes como Caspian ou Explosions In The Sky, e durante cerca de 40 minutos levam-nos de volta às suas extensas paisagens sonoras, onde o baixo merece um lugar de destaque do primeiro ao último segundo.

“Hunter Moon” funciona como um curto tema introdutório, rapidamente é substituído por “Arluck”, onde percebemos de imediato que os nossos lugares nesta viagem serão assegurados por uma impressionante secção de ritmo, enquanto a guitarra evidencia esse tal papel mais exploratório, quase sem destino, criando riffs e melodias capazes de se instalar de imediato no cérebro de qualquer ouvido mais atento. “Kohokia” e “Sinaia” são possivelmente os temas que merecem mais destaque neste álbum e que, sobretudo por se deixarem intercalar por um delicado “Ghost on High”, nos relembram das interessantes dinâmicas que estes três músicos são capazes de criar. Um trabalho que nos deixa, invariavelmente, curiosos sobre como é que alguns destes temas soarão quando tocados ao vivo, uma vez que este é sem dúvida um dos seus pontos fortes. Embora longe de se tornar o melhor registo deste grupo, continuará a agradar, e muito, aos que já são fãs.