Não é difícil vermos os nossos temas favoritos serem incluídos num álbum ao vivo quando a banda conta apenas com dois álbuns de estúdio,... Rammstein “Live Aus Berlin”: céu em chamas

Não é difícil vermos os nossos temas favoritos serem incluídos num álbum ao vivo quando a banda conta apenas com dois álbuns de estúdio. Foi precisamente isso que aconteceu no dia 31 de Agosto de 1999, quando os alemães Rammstein editaram “Live aus Berlin”.

Com “Mutter” ainda a dois anos de ver a luz do dia, o alinhamento desta importante peça da história dos Rammstein incidiu no estreante “Herzeleid”, de 1995, e “Sehnsucht”, editado dois anos depois, mostrando-nos uma banda em excelente forma que já era sinónimo de controvérsia e caminhava a passos largos para nos completar musicalmente com o nível de peso e agressividade que hoje lhes conhecemos.

“Live aus Berlin” é tido por muitos dos fãs como o melhor trabalho ao vivo registado pela banda germânica, com a qualidade sonora e o drama daquilo que é um espectáculo ao vivo dos Rammstein a superiorizar-se ao que foi repetido sete anos mais tarde com “Völkerball”. Depois de uma introdução com pouco mais de 40 segundos, os teclados de “Spiel mit Mir” dão o toque de chamada e arrancam-se as primeiras reacções do público, com as guitarras de Richard Kruspe e Paul Landers a soarem mais pesadas quando comparado com o registo deixado em disco. De facto, a razão pela qual este disco ao vivo funcionou tão bem deve-se ao excelente trabalho de produção que conseguiu fazer com que cada um dos instrumentos fosse perceptível e pudesse jogar com a sua autenticidade, assim como à prestação dos músicos em palco que interpretaram cada um dos 15 temas com uma intensidade que nunca poderia ser obtida em estúdio. Ouça-se, por exemplo, a atmosfera criada em “Bestrafe Mich” ou a energia palpável que advém de temas mais rápidos como “Weisses Fleisch” ou “Sehnsucht”, com o pedal duplo de Schneider e as cordas dos seus colegas a acrescentarem uma dose extra de insanidade aos temas. Destaque também para os solos de guitarra, que encontravam-se com um pouco mais de facilidade nos primeiros trabalhos da banda e que aqui foram reproduzidos de forma exímia.

Este é um trabalho onde a voz de Till Lindemann ganha um contorno mais grave, transmitindo todo o seu carisma em letras tão estranhas quanto o alemão pode ser para ouvidos não familiarizados com a língua. Há ainda espaço para “Wilder Wein” – um tema presente no single “Engel” -, para a explosão de energia literal que é “Wollt Ihr Das Bett In Flammen Sehen”, e para os clássicos “Du Riechst So Gut”, “Du Hast”, “Engel”, “Rammstein” – com direito a um Till Lindemann em chamas – e a infame “Bück Dich”. Aqui, depois de uma introdução electrónica comandada por um Richard Kruspe que obtém facilmente a interacção do público, os Rammstein dão-nos a oportunidade de viver através dos nossos ecrãs a experiência que é “Bück Dich” ao vivo, com direito a dildos, penetração e a todos os fluidos corporais a que temos direito! Uma visão invulgar para a época.

O concerto termina com Christian ‘Flake’ Lorenz a navegar no seu barco de borracha entre o público, enquanto os seus companheiros se despediam com a brilhante “Seemann”, numa prestação repleta de emoções e devoção. Dois anos mais tarde, os Rammstein atingiam o sucesso comercial com “Mutter”, e o resto da história já todos a sabemos!