Os Psychotic Waltz ainda têm algo a dizer e tornam este regresso numa obra bem-vinda, escapando ao rótulo de progressivo e indo mais além.... Psychotic Waltz “The God-Shaped Void”

Editora: InsideOut Music
Data de lançamento: 14.02.2020
Género: prog metal
Nota: 4/5

Depois de um hiato discográfico de quase vinte e quatro anos, o quinteto californiano de metal progressivo Psychotic Waltz regressa aos discos com “The God-Shaped Void”, numa altura em que os fãs já mergulhavam na descrença de que o grupo viesse a fazer música nova. A banda tinha iniciado um hiato em 1997, só retomando a actividade musical em 2010.

Ao ser progressivo, “The God-Shaped Void” não cai no tecnicismo excessivo, sendo acessível para quem gosta de boa música. Soa muito honesto com um toque clássico, o que se convencionou chamar old-school. Aposta-se no uso de bastantes passagens acústicas e o uso de flauta nalguns temas (a cargo do vocalista Devon Graves) ajuda a dar ainda mais personalidade à banda. A formação da banda mantém-se estável e isso, cada vez mais raro, ajuda a explicar a coesão e o amadurecimento que este disco mostra.

O primeiro single, “Devils and Angels”, abre o disco e mostra uma atmosfera sci-fi pelo uso de teclados e pelos efeitos aplicados sobre a voz de Devon Graves. As guitarras, tal como no resto do álbum, destacam-se pelas linhas melódicas e harmonias que criam e que dão individualidade ao disco, bem como pelos solos. Dan Rock, que além de guitarras, também é o responsável pelos teclados, junta-se a Brian McAlpin para criarem as paisagens melódicas que dominam o disco. A primeira faixa recorre logo ao acústico, serve de montra ao disco e termina com um final complexo.

A terceira faixa, “Back to Black” usa abundantemente de teclados para criar mais um ambiente cósmico e os solos mais uma vez ressaltam nesta faixa.

“All the Bad Men”, o segundo single, é outro dos pontos altos do álbum, fazendo lembrar alguns dos momentos a solo de Bruce Dickinson. Grandes solos desta excelente dupla de guitarristas são seguidos de uma intervenção do baixo e bateria de Ward Evans e Norman Leggio respectivamente, que compõem uma secção rítmica muito bem entrosada. É uma faixa com um som muito clássico, sem soar datado.

“Pull the String” é a mais pesada do disco e um tema forte, mas quando menos esperamos somos surpreendidos pela flauta de Devon Graves, assim mesmo. E soa bem, por sobre os riffs pesados de guitarra, quais Jethro Tull bastante mais pesados. Certamente esta será uma das faixas favoritas deste álbum.

Em “Demistyfied”, as flautas assumem um destaque ainda maior, juntamente com os ritmos acústicos e o baixo de Ward Evans. É um dos temas menos metal e mais rock, mas que acaba por resultar bem, quase como uma power-ballad à Psychotic Waltz.

“Sisters of the Dawn”, a décima, é uma das melhores, iniciando com teclas e evoluindo lentamente. Os Psychotic Waltz não têm pejo em usar partes limpas e fazem-no aqui de forma magistral, evoluindo para um belo solo melódico. Os teclados e o baixo de Ward Evans surgem e Dan Rock e Brian McAlpin brindam-nos com um trabalho de guitarras de grande qualidade.  

“In the Silence” fecha o álbum com um início quase sem distorção, recorrendo mais uma vez a paisagens acústicas. Todos os instrumentos dão um ar da sua graça, e, na verdade, a faixa nunca acelera, mantendo-se sempre a meio gás, e termina com um belo final acústico enquanto saímos do vórtice criado pelos Psychotic Waltz e onde quereremos sem dúvida mergulhar de novo.

No total são onze faixas, em que se destaca “Devils and Angels”, “All the Bad Men”, “Pull the String” e “Sisters of the Dawn”, que vêm mostrar que os Psychotic Waltz ainda têm algo a dizer e que tornam este regresso numa obra bem-vinda, escapando ao rótulo de progressivo e indo mais além. Uma obra de qualidade.