À luz da notícia que dá conta de um jovem do black metal que achou por bem incendiar três igrejas nos Estados Unidos para... Protege a tua credibilidade musical com as nossas dicas!

À luz da notícia que dá conta de um jovem do black metal que achou por bem incendiar três igrejas nos Estados Unidos para aumentar a sua credibilidade no meio, a Metal Hammer Portugal sentiu que tinha a obrigação de fazer-te chegar meia dúzia de conselhos para protegeres a tua imagem na cena metal. Juro que não é a brincar.

Faz cuidado com os comunicados!
Na hora de publicar um comunicado na página da tua banda (ou no teu perfil pessoal, porque esta é uma actividade que também se estende a todos os que não são músicos), deves perguntar-te se a informação que pretendes difundir é, de facto, do interesse máximo do público que te segue. A probabilidade da resposta ser negativa é alta, como naquelas apostas desportivas seguríssimas em que o lucro é tão insignificante que mais vale ir trabalhar. Contudo, as chances de ignorares isso e achares que os teus fãs não serão capazes de viver sem essa informação dramática são também elevadas, pelo que sabemos que irás em frente independentemente do que te possam dizer. Então, quando chegar a altura, uma boa maneira de ganhares credibilidade é não tratares o texto do teu comunicado como se estivesses na terceira classe a redigir uma composição sobre as férias da Páscoa. Sabemos que os erros ortográficos e a pobre construção frásica é uma questão de estilo até para mostrar que não te irás conformar com aquilo que a sociedade espera de ti, o que é uma atitude bem metal. Por outro lado, há quem possa pensar que estás mesmo a falar a sério e ao cruzar-se contigo num concerto pode comentar com os amigos “Olha, vai ali aquele burro”. É chato e ninguém gosta.

Faz cuidado com os foguetes antes da festa!
É frequente fazer-se todo um aparato pela criação de uma nova banda ou anunciar ao mundo que no dia seguinte vão divulgar novidades em relação às vossas bandas. Isto vai um bocadinho ao encontro do ponto anterior, onde te deves perguntar se os teus fãs precisam mesmo de saber que amanhã à meia-noite vais anunciar algo que os vai deixar completamente histéricos. Não quero falar mais em probabilidades, até porque tenho o bichinho do jogo e não quero deitar ao lixo anos de terapia, contudo, e dado que actualmente as pessoas têm um nível de atenção inferior à de um peixinho dourado, não vais querer que o teu público se concentre mais em algo que ainda não existe do que na tua música. Se bem que há credibilidade no facto de uma banda ser reconhecida mais depressa pela fotografia de grupo do que pela música que faz, por isso ignorem este ponto.

Faz cuidado com os vídeos!
O vídeo é uma excelente ferramenta de promoção e pode fazer toda a diferença no sucesso do teu disco ou single. Isto, claro, se não o gravares no pinhal e as personagens não andarem por lá desorientadas a darem o seu melhor para dar vida a uma narrativa pior que o “Senhor dos Anéis”, e convenhamos: não querem ser piores do que o “Senhor dos Anéis”, pois não? É que aquilo são horas e horas a documentar uma peregrinação cheia de perigos (apenas pelo facto de aceitarem boleia de estranhos e por não se fazerem acompanhar de coletes reflectores) e quando chegam ao destino, o que é que acontece? Voltam para trás. Não nos façam lamentar o facto de não recuperarmos o tempo que investimos a ver pessoas a caminhar em florestas, todas desorientadas. Por favor, sejam pessoas mais equilibradas.

Faz cuidado com o fogo!
Há aqueles que sentem que incendiar igrejas é uma excelente técnica de marketing e a forma ideal de aumentar a credibilidade na cena musical. É e não é. Pode ter funcionado para Varg Vikernes, alguém tão durão que até nos deixa naquela estado de ilusão que não nos permite ver os defeitos da pessoa pela qual estamos apaixonados. Afinal de contas, qual é o mal de ser um assassino, racista e xenófobo, quando temos um sorriso tão doce e inocente do outro lado? Desde que tenha credibilidade nas ruas, tudo o resto é secundário. No entanto, para além de ser uma técnica que exige um certo domínio, incendiar igrejas é uma decisão que precisa de ser muito bem ponderada, dado o risco elevado de dares por ti numa situação em que és visto como uma anedota, com a tua fotografia a circular mundialmente em milhentos memes. Ser motivo de chacota na comunidade musical não é bem o mesmo que ter credibilidade, mas isto sou eu.

Faz cuidado com os nervos!
É muito fácil chateares-te com as outras pessoas, porque as outras pessoas geralmente gostam de meter o bedelho onde não são chamadas e isso é chato. Afinal, quem são elas para dizer que a tua música não presta e que estavas bem era a trabalhar? Ninguém gosta de ver a sua visão artística desafiada, e as redes sociais servem precisamente para isso… Para mostrarmos a toda a gente com acesso à Internet o quão desagradados estamos com um comentário de alguém que apresenta um gato como fotografia de perfil e que diz ter estudado na mundialmente conhecida “Universidade da Vida”. Podes e deves defender as tuas ideias. Lutar por aquilo em que acreditas e ser verbal a esse respeito acaba por ser uma coisa muito metal. Contudo, sê mais selectivo com as pessoas a quem diriges a tua raiva. Dares tempo de antena a alguém que comenta com “mais arroz” ao facto dos Emperor fazerem a sua estreia em Portugal, é geralmente um bom indicador de que estás perante um oponente com uma capacidade argumentativa demasiado evoluída para ousares desafiá-la.

Faz cuidado com o humor!
Este artigo, por exemplo, não fará grande coisa pela credibilidade da Metal Hammer Portugal. Isto porque será certamente lido por fãs de metal que fizeram muito headbanging quando começaram a ouvir Slayer e a trocar tapes aos 4 anos, e então já não houve espaço para o cérebro desenvolver noções de ironia, sarcasmo e outras figuras de estilo. O melhor a fazer é mesmo compreender todos os passos aqui descritos em apenas um, e publicar um comunicado a insultar-nos, com um vídeo gravado num pinhal onde dizes que nos vais chegar o fogo. O número de reacções será certamente explosivo (perceberam?) até porque hoje em dia é isso que se quer.