Fundadora e guitarrista das Nervosa que, em constante evolução, trazem o seu thrash metal directamente do Brasil, Prika Amaral já foi muitas vezes questionada... Prika Amaral (Nervosa): «Sinto falta de Portugal na nossa rota»
Prika Amaral (Nervosa). (Foto: Jéssica Mar)

Fundadora e guitarrista das Nervosa que, em constante evolução, trazem o seu thrash metal directamente do Brasil, Prika Amaral já foi muitas vezes questionada pelos fãs e pela imprensa sobre o anúncio da saída de Fernanda Lira (voz, baixo) e Luana Dametto (bateria), que entretanto prosseguiram caminho com Crypta. «Eu já esperava isso há muito tempo, e o sentimento foi… Ok! Ao trabalho! Há mulheres muito competentes por aí, e só me empurrei para a frente para pesquisar, procurar e encontrar as integrantes certas. E as coisas correram bem, estou com uma equipa muito forte e competente, estamos a criar coisas muito boas e porreiras, estamos todas muito empolgadas e felizes, e a resposta dos fãs, dos produtores, editora, imprensa foi muito positiva, e isso só nos dá ainda mais força», responde Prika. Após anos de banda, uma separação é sempre um momento difícil, mas a guitarrista e as integrantes garantem que não houve discussões, apenas divergências na hora de trabalhar. Sobre a relação actual, Prika comenta: «Já nos estávamos a distanciar, então nesse momento não há amizade, mas há respeito.»

Sobre as novas Nervosa e o desafio na hora de compor, gravar e ensaiar, não há muitas dificuldades, com Prika a garantir que, após a pandemia, irá para a Europa. «Nervosa já era uma banda que fazia tudo à distância, pois cada uma morava em cidades diferentes. O “Downfall of Mankind” foi feito 90% à distância, então neste momento de pandemia faço o mesmo. Porém quando as fronteiras se abrirem, eu vou pra Europa passar uma temporada para ensaios, composições, gravações, fotos.» Prika também explicou sobre a nova formação e as escolhas – agora, Nervosas é um quarteto. «Já seguia todas as meninas no Instagram e já admirava o trabalho delas. Já conhecia a Diva [Satanica, voz] pessoalmente quando os Bloodhunter abriram alguns concertos de Nervosa no ano passado, já acompanhava o trabalho da Mia [Wallace, baixo] em Abbath e sempre a achei maravilhosa, a Eleni [Nota] foi a baterista que mais me impressionou na vida, tem feeling e técnica ao mesmo tempo – não poderia estar mais feliz com esta equipa. Sobre sermos um quarteto, é um sentimento que eu já tinha há tempos. Um quarteto, para mim, preenche mais o palco, traz mais peso e abre portas para trabalhar coisas que antes não podia.»

Em relação aos concertos marcados, como o Wacken Open Air, que é o grande sonho de muitas bandas, e questões contratuais, a brasileira responde: «Continua tudo exactamente como estava antes, mas sbre o Wacken, ainda não sabemos pois o Wacken foi o único dos festivais que vai refazer todo o lineup, mas os outros festivais já confirmaram nosso show, e além disso recebemos outras propostas muito interessantes que esperamos poder anunciar logo.»

Nervosa é um dos grandes nomes do metal brasileiro, e com este line-up diversificado podem crescer muito mais, mas a crise gerada pela pandemia da COVID-19 pode atrasar um pouco os planos de muitas bandas. As Nervosa garantem novidades para voltarem aos palcos: «O ano 2021 será de actividades muito intensas, temos muitas coisas marcadas, e muitas digressões para encaixar. Não posso dizer muito até que tenha todos os flyers e que tenhamos a confirmação sobre a situação do coronavírus.»

Para quem achou que Nervosa iria acabar, Prika Amaral aparece com uma formação realmente profissional e digna de ganhar o mundo. Aguardemos que todo o caos desta crise termine para podermos conferir o próximo trabalho da banda. «Gostaria de agradecer imensamente todo o apoio dos fãs de Portugal e de toda a imprensa. Espero dar um concerto em Portugal muito em breve. Sinto falta de Portugal na nossa rota; muitas vezes por questões de logísticas acaba por ficar de fora, mas tentamos sempre tenta ao máximo, e seguiremos trabalhando para isso.»