De Metal Militia a Evile e o primeiro álbum (1999-2007)Tudo começou na escola. Eram Matt Drake (guitarrista e frontman) e Ben Carter (baterista) amigos... Perdidos no Arquivo: Evile

De Metal Militia a Evile e o primeiro álbum (1999-2007)
Tudo começou na escola. Eram Matt Drake (guitarrista e frontman) e Ben Carter (baterista) amigos e jovens de tenra idade quando tiveram a ideia de formar uma banda. Ol Drake não perdeu tempo a juntar-se ao grupo como guitarrista principal e Mike Alexander tornou-se no baixista de um quarteto que procurava as raízes do thrash metal para difundir a sua música. Com isto, os Metal Militia nasceram e tocavam covers das suas bandas preferidas.

No entanto, tudo isto soava muito a brincadeira, até que, em 2004, a vida mudou para o quarteto que passou a dedicar-se à escrita de temas originais. Apesar de não terem material suficiente para um álbum e de nem sequer terem uma produtora a apoiá-los, o grupo foi criando material para demos. Nesse 2004, lançaram, de forma independente, uma demo de qualidade, independentemente do seu som áspero e pouco trabalhado. No lançamento do mesmo ano, “All Hallows Eve EP”, temas como “Killer From The Deep” – que faria parte do primeiro álbum –, “Prophecy”, “The Living Dead” e “Dawn Of Destruction” mostraram que estes Metal Militia podiam trazer algo de novo ao género. O talento estava lá, mas claramente havia algum trabalho de produção a ser feito, o que não é de admirar, considerando que foi um lançamento totalmente independente com poucas cópias gravadas. Da mesma forma, “Hell Demo” sai em 2006, mantendo a mesma criatividade e o mesmo talento ao longo de cinco faixas originais. De novo, “Enter The Grave”, “Thrasher” e “We Who Are About To Die” viriam a fazer parte daquele que viria a ser, no ano seguinte, a estreia do grupo na indústria comercial do thrash metal.

O sucesso estava em crescendo, não havia dúvida disso. Era tanto que os agora Evile partiram em digressão pelo Reino Unido e Holanda, tudo de forma independente, durante este período de lançamentos experimentais. Conseguiram até tocar ao lado dos Exodus, como banda de suporte, e participaram no Bloodstock Open Air de 2006, o que lhes valeu um bilhete para assinarem um contrato pela reputadíssima produtora Earache Records. Com uma produtora na algibeira, os Evile tinham caminho arrepiado para lançarem um conteúdo discográfico mais bem trabalhado, sem as imperfeições de uma gravação ‘caseira’.

Em 2007 sai o sólido e potente “Enter The Grave”, que acaba por espantar a crítica profissional e faz aumentar o número de fãs. Em comparação aos registos anteriores, denota-se uma evolução significativa, sobretudo em termos de produção. Quanto ao disco propriamente dito, o quarteto consegue produzir um thrash metal veloz e, por vezes, inesperado com fortes inspirações no metal dos anos 1980, conseguindo transportar-nos para uma era extraordinária que viu nascer um género tão importante para a música. Igualmente, percebe-se com “Enter The Grave” a qualidade dos seus membros, sobretudo a vertente técnica de Ol Drake que, com o irmão, faz um dueto de guitarras do outro mundo, como é evidenciado nas rápidas “Thrasher”, “Schizophrenia” e “Killer From The Deep”, bem como na épica “We Who Are About To Die”. O sucesso do longa-duração aumentou o número de digressões, tendo o grupo actuado ao vivo até ao lançamento do segundo disco.

Afirmação e confirmação (2009-2012)
Em 2009 é a vez de “Infected Nations” entrar em cena, desta vez com uma produção mais refinada e com uma equipa de produtores que havia trabalhado com bandas como Dimmu Borgir e Napalm Death. Como diz o título deste segundo longa-duração, ‘Nações Infectadas’ seria de facto a temática recorrente de um disco que explora um lado mais técnico do grupo, com faixas que assumem um traço técnico mais aprimorado, com “Genocide”, “Metamorphosis”, “Infected Nation”, “Plague to End All Plagues” a liderar a tomada de assalto de um álbum que refina a componente lírica de um quarteto ainda jovem. A crítica profissional gostou do longa-duração, tendo-lhe dado uma pontuação muito positiva, chamando à atenção para a melhoria verificada em relação a “Enter The Grave”.

O sucesso do disco torna os Evile ainda mais reputados na indústria, mas a tragédia abate-se sobre a banda quando, a 5 de Outubro de 2009, o baixista Mike Alexander morre na Suécia vítima de embolismo pulmonar. Após duas noites de concertos em memória do baixista e de eventos de angariação de fundos para a família de Mike, começam as audições para um novo membro. O escolhido seria Joel Graham (ex-Rise to Addiction), que iria com a banda numa série de concertos pela América do Norte.

A morte do amigo e o grande conjunto de concertos que a banda deu no ano de 2010, parecem ter activado a vontade de voltar ao estúdio, pois, após uma série de festivais na América e na Europa, em meados de 2010, a banda começa a preparar o regresso ao estúdio para aquele que seria conhecido como “Five Serpent’s Teeth”. O terceiro disco de originais, lançado em 2011, apresenta um quarteto diferente, mais maduro e mais preparado para as dificuldades. Este seria o primeiro lançamento com Joel Graham no baixo, mantendo a mesma linha de produção do álbum anterior. As dez faixas mostram uns Evile mais emotivos e até mais agressivos, com “In Memoriam” (uma faixa emotiva em memória do amigo Mike Alexander), “Cult” e “Eternal Empire” a demonstrar a raiva escondida de um grupo sofrido, e “Xaraya” e “Descent Into Madness” a serem os temas mais desenvolvidos de um longa-duração que consegue manter a margem qualitativa dos lançamentos anteriores.

Quarto álbum e preparação do quinto disco (2013-)
O ano de 2013 começou com o anúncio inesperado de que a banda iria iniciar a gravação do quarto álbum de originais. Apesar das boas-novas, a verdade é que esse ano tornou-se muito ambíguo, com boas e más notícias que poderiam mudar o rumo da formação.

Em Maio de 2013, “Skull” sai para as lojas com um som muito mais heavy em conjunção com o habitual thrash metal. Temporariamente, este será o último disco a contar com o guitarrista Ol Drake, que iria sair da banda até 2018.

“Skull” consegue ser um salto qualitativo face aos lançamentos anteriores, sobretudo quando comparado a “Five Serpent’s Teeth”. A produção parece ser ainda mais limpa, ao mesmo tempo que mantém uma margem de rudeza que lhe dá um certo ar de frescura, sobretudo em faixas como “Underworld”, “Skull”, “Tomb” e “Head Of The Demon”. Este “Skull” acaba por mostrar uns Evile bem mais maduros, bastando ouvir com atenção as letras para perceber isso mesmo. Essas são mais ríspidas e inteligentes, e todo o disco é muito completo e bem estruturado. Este quarto lançamento de estúdio é verdadeiramente um destaque, podendo ser o melhor álbum da discografia, mas, com “Enter The Grave” na colecção, nunca se sabe se tal afirmação é factual.

“Skull” foi muito bem-recebido pela crítica e pelos fãs, tendo tido uma óptima resposta em termos de digressões com muitos concertos na Europa, tanto em 2013 como 2014. Em 2013, Ol Drake anuncia a sua saída para regressar em 2018, como foi mencionado acima. A saída do irmão de Matt parece ter interrompido o processo criativo do grupo que não fez lançamentos desde então. Entretanto, Ol foi substituído por Piers Donno-Fuller (ex-Fallen Fate) e, em 2016, foi anunciada a preparação de um quinto longa-duração. No entanto, não tem havido novidades sobre o assunto. Ol Drake regressa em 2018, substituindo aquele que o substituiu.

O ano de 2020 pode ser em cheio para os Evile, a jovem banda de Huddersfield, no Reino Unido. Desde 1999, o colectivo tem sido uma das grandes esperanças do thrash metal, reacendendo a chama que o género nos trouxe nos anos 1980. Os Drake & Cia. lideram uma banda cheia de talento que, nos últimos anos, parece ter estagnado ou, então, prepara algo realmente grande para o seu quinto disco.

A verdade é que os Evile já não são uma jovem formação da escola. Deles já se esperam grandes novidades e feitos únicos, tanto ao nível instrumental como lírico e até conceptual. O potencial é imenso e têm tudo para continuar a ser uma das grandes bandas do género, juntamente com outros enormes nomes do thrash metal.