A melodia incessante de Moss e Patterson (1997-2005)Antimatter é um projecto iniciado em 1997 pelas mentes geniais de Mick Moss e Duncan Patterson (ex-Anathema).... Perdidos no Arquivo: Antimatter

A melodia incessante de Moss e Patterson (1997-2005)
Antimatter é um projecto iniciado em 1997 pelas mentes geniais de Mick Moss e Duncan Patterson (ex-Anathema). ‘Projecto’ é na verdade a palavra ideal para esta banda que se fundou com apenas dois membros. A ideia era criar algo ligado a Anathema e ao gótico, enquanto se mantinha uma toada melancólica e electrónica, com grandes pinceladas de dark-music.

Os Antimatter sempre se demarcaram por serem diferentes, tanto conceptual como liricamente. Para além de o grande objectivo ser a produção de música de qualidade, era necessário um seguimento filosófico para as suas músicas. Ora, Patterson e Moss tinham muitas parecenças neste aspecto e, em 1997, decidiram formar este projecto que, após vários avanços e recuos, conseguiu um contrato com uma produtora australiana para o lançamento do seu álbum de estreia.

“Saviour” sai para as lojas em 2001, um disco ambicioso de trip-hop com dark-electronica e muita melancolia à mistura. Não esquecer que apesar de tudo isto, os Antimatter denotam uma forte tendência para o rock progressivo, dando um grande destaque aos elementos de rock gótico e a vocais femininos. Este seria o primeiro de três álbuns que o duo iria produzir. A linha orientadora é a mesma ao longo dos três primeiros discos, mas a qualidade vai crescendo de álbum para álbum. “Saviour” consegue sacar uma boa base de apoio e, de imediato, cria algum impacto na crítica.

Como tal, “Lights Out”, lançado em 2003, apresenta um rumo muito virado para o rock gótico, mas com mais elementos do rock progressivo – grandes exemplos disso são as faixas “The Art of A Soft Landing” e “In Stone”, que acabam por apresentar um duo muito mais atrevido e que decide ir mais longe no seu rock melancólico de enorme qualidade. Este segundo álbum traz mais reconhecimento ao grupo, sobretudo em termos de concertos com várias digressões pelos Estados Unidos e pela Europa. “Lights Out” foi um esforço conjunto com metade do álbum a ser composto por cada um dos artistas e é ainda hoje considerado um clássico do duo, sendo ainda tocado ao vivo.

O ano de 2005 teve aspectos positivos e negativos: se, por um lado, sai para as lojas “Planetary Confinement”, que obteve um estatuto icónico na indústria com um rock acústico e muito sombrio, por outro lado, Duncan Patterson anuncia a sua saída fruto das diferenças artísticas com Mick Moss. Ao contrário dos últimos discos, Moss e Patterson não convidam músicos para os vocais, preterindo-os para a instrumentalização do álbum, ficando Moss a cargo de todos os vocais. A voz de Moss vinca a toada negra e sombria dos Antimatter, um dos aspectos que levou Patterson a abandonar o projecto posteriormente. É um dos lançamentos mais inteligentes e um dos preferidos da crítica e dos fãs. “Planetary Confinement” é uma base para o que Moss viria a produzir sem Patterson, contendo elementos acústicos, progressivos e um rock mais orgânico.

Sucesso comercial (2006-2015)
Com a saída de Patterson, Moss passou a ser o homem do leme de um navio que parecia caminhar para algo mais progressivo, apesar da inclusão de elementos orgânicos e da continuação de componentes melódicas e melancólicas. Danny Cavanagh é chamado como músico de sessão para participar num dos mais impressionantes trabalhos dos Antimatter – “Leaving Eden”, lançado em 2007. Desde a abertura, com “Redemption”, todo o disco é uma passagem obscura pelo sofrimento e redenção, tudo isto assente num ambiente alternativo com fortes elementos acústicos e progressivos. Foi a partir daqui que o sucesso atingiu Moss & Cia., com cada vez mais artistas de renome a serem convidados para as sessões de gravação.

O longa-duração torna-se no quarto lançamento de estúdio, o primeiro sem Patterson, que viria mais tarde a tocar uma noite com Moss num festival de música em Poznan (Polónia), em 2008. Com este concerto ficara provado que a separação havia sido amigável e que ambos continuavam a ter uma relação pessoal. O ano de 2008 prova ser um período importante e de confirmação, bem como de preparação para “Fear Of A Unique Identity”, disco que viria a sair em 2012. Entretanto, a banda participa em vários concertos e digressões, lançando em 2009 o álbum ao vivo “Live@An Club”, e em 2010 a compilação “Alternative Matter”; tudo isto ajudando – e de que maneira – a construir a reputação como uma das bandas mais importantes do dark-rock.

Finalmente, em 2012, “Fear Of A Unique Identity” apresenta-se ao público com maior pujança em termos electrónicos e progressivos. A guitarra tem maior ênfase e o ambiente sonoro é mais intrínseco e acentuado, sobretudo em termos de variações e passagens de género. O quinto álbum é, para muitos, o melhor da discografia. Apesar de único e muito Moss, este longa-duração consegue regressar às origens de “Saviour” e do duo Moss-Patterson, sem tantos elementos góticos mas com muito das vertentes electrónicas que os primeiros lançamentos tiveram.

Em 2015, “The Judas Table” apresenta-se como um disco mais arrojado e completamente progressivo, apesar dos elementos de dark-rock. Os fãs adoram este álbum, muito devido ao seu estilo musical mais pendente para o progressivo, mas também fruto dos anos que o antecederam. De facto, tanto a crítica como a base de apoio vê neste “The Judas Table” um grande exemplo de rock progressivo da nova era com uma miscelânea de estilos e variações instrumentais. A voz de Moss atinge um pico de qualidade e o grupo até se aventurou num videoclipe para “Stillborn Empires”, uma das melhores faixas do disco. Por curiosidade, este álbum conta com o dedo português de Daniel Cardoso na produção, um multi-instrumentista que tem no currículo bandas como Anathema e Heavenwood.

Rock progressivo e futuro (2016-)
A marca indelével de Moss em Antimatter tornou a banda numa referência do rock progressivo após um longo e árduo caminho até ao sucesso. Ora, esse sucesso é transposto para as várias digressões efectuadas, sobretudo pela Europa fora. Em 2017, é lançado o primeiro DVD, que fora gravado em Março de 2016 na Holanda. E em 2018, sai o incrível “Black Market Enlightment”, um disco adorado pela crítica e pelos muitos fãs, podendo ser um dos melhores lançamentos da história da banda e é, provavelmente, um dos longa-durações mais livres de correntes que Moss criou. De novo, a autoria é de Moss, que escreveu o álbum a guitarra acústica, apesar de manter alguma sonoridade electrónica. Este sétimo disco de originais destaca-se pelo dramatismo e obscuridade, buscando e mostrando, nos confins mais escondidos do ser, os caminhos mais perturbadores da raça humana. Supera “The Judas Table” e tem uma vertente mais atmosférica e de dark-rock, escapando, em grande medida, à componente mais electrónica de álbuns anteriores. Desde a dramática “The Third Arm” à sôfrega “Wish I Was Here” e às intensas “Liquid Light” e “Between The Atoms”, este disco é altamente diverso e brutalmente honesto, e parece mostrar um Moss mais introspectivo e profundo, sendo um dos trabalhos mais inteligentes do grupo britânico até à data. “Black Market Enlightment” pode não ser a obra-prima dos Antimatter, mas está muito bem posicionado no topo da sua discografia.

Em relação ao futuro, as digressões parecem ser o caminho a seguir. É de esperar um longa-duração mais tarde ou mais cedo, já que a sua frequência de lançamentos é invejável, lançando de dois em dois anos ou de três em três anos. Antimatter representam um novo caminho e mostram um rock/metal atmosférico e, por vezes, electrónico muito dinâmico e inteligente. É liderado por um mestre da música, de nome Mick Moss, que engrandece o seu trabalho quando se senta para escrever e compor. É uma das bandas de referência da última década e, certamente, ainda têm muito para nos mostrar.