A impiedade black metal de Paysage d'Hiver prevalece e a voz que incarna um corvo desvairado continua altiva, mas “Geister” não... Paysage d’Hiver “Geister”

Editora: Kunsthall Produktionen
Data de lançamento: 23.04.2021
Género: black metal
Nota: 2.5/5

A impiedade black metal de Paysage d’Hiver prevalece e a voz que incarna um corvo desvairado continua altiva, mas “Geister” não é um dos melhores recentes capítulos do projecto suíço.

Paysage d’Hiver é um projecto (de nicho) conhecido por várias valências: black metal atmosférico cru, muitos elementos bucólicos e muitos lançamentos com largos minutos de duração.

Numa discografia repleta de maquetes/demos, o novo título “Geister” é apenas o segundo lançamento a considerado um LP. Sucedendo ao imersivo “Im Wald” (2020), as diferenças são notórias, tanto musicalmente como a nível de duração, passando de cerca de 120 minutos para 70, o que torna tudo mais digerível, ainda que menos profundo. E porquê? Porque as camadas ultra-atmosféricas, os leads de guitarra épicos, os ingredientes campestres e os sintetizadores que oferecem nuances espaciais foram praticamente substituídos por um black metal mais ortodoxo e simplista.

Numa produção menos crua do que é habitual em Paysage d’Hiver, ainda que continuamente estridente e rude, o suíço Wintherr optou agora por uma massiva homogeneidade que, de certa maneira, retira ao projecto a sua pegada mais particular que, muito bem ao longo dos tempos, tem deixado uma marca classificada quase como inigualável. Agora, neste “Geister”, a floresta, com a sua humidade e densidade, tão bem representada em Paysage d’Hiver por guitarras em modo tremolo-picking dá lugar a um ambiente algo aborrecido com riffs desapaixonados e um trabalho de bateria muito mais cadenciado. Sendo tudo muito semelhante entre si, à medida que as 11 faixas avançam, a diversidade oferecida é pouquíssima – para não se dizer nenhuma.

Claro que a impiedade black metal de Paysage d’Hiver prevalece e a voz que incarna um corvo desvairado continua altiva, mas “Geister” não é um dos melhores recentes capítulos da história de Der Wanderer, o andarilho que vagueia por vários mundos entre sonhos e epifanias.