“Obsidian” é tão bom e fluído que os seus 55 minutos nem custam a passar – aliás, passam demasiado rápido e chegando-se ao fim... Paradise Lost “Obsidian”

Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 15.05.2020
Género: dark/gothic metal
Nota: 4.5/5

“Obsidian” é tão bom e fluído que os seus 55 minutos nem custam a passar – aliás, passam demasiado rápido e chegando-se ao fim quer-se ouvir novamente.

Paradise Lost, 32 anos de carreira, 16 álbuns. É incrível como, ao fim de mais de três décadas, uma banda consegue manter-se tão relevante e a fazer com que cada disco seja uma nova experiência. Ao longo de mais de uma dezena e meia de álbuns, os britânicos gizam o seu mapa musical entre death, doom, gothic e dark metal com uma facilidade tão fantástica que continua a deixar-nos espantados.

Se do death/doom metal (“Gothic”) passaram para o dark/alt-metal (“Draconian Times”, “One Second”) ainda durante os anos 1990 e por aí se mantiveram uns tempos, o arranque da década de 2010 começou a originar uma recuperação de raízes que brotaram esplendorosamente com “Tragic Idol”, “The Plague Within” e “Medusa”, este último, de 2017, que foi globalmente aplaudido por ter tido a capacidade de fundir os sons death e alt-metal tão característicos de Paradise Lost.

Quase a meio deste famigerado ano de 2020, os ingleses apostam em mais uma mescla de influências com “Obsidian”, um disco à Paradise Lost que reintegra na sua discografia o que de tão bom fizeram há 25 anos. E não, não é um “Draconian Times” 2.0 e muito menos uma rejuvenescida ideia do que possam ter feito em “One Second”, tendo-se aqui até mais de “Faith Divides Us – Death Unites Us” do que, possivelmente, doutro qualquer trabalho.

Enquanto a inaugural “Darker Thoughts” surpreende com uma orquestração a apoiar os berros do excelente Nick Holmes, a seguinte “Fall From Grace” tem um início à My Dying Bride e é, sem dúvida, a música doom metal deste disco, possuindo reminiscências de “Medusa”, como se algo tivesse sido deixado de fora em 2017 e recuperado agora em 2020. E se até aqui, com apenas duas faixas, se pode dizer que o que se ouve é bom mas sem novidades descaradas, o tabuleiro muda de feição com a terceira “Ghosts”, com os Paradise Lost a reactivarem o gothic rock dos anos 1980 sem nunca perderem o seu tão próprio rumo e som. Depois, com “The Devil Embraced”, a direcção continua idêntica mas com uma inspiração muito forte em bandas históricas como Fields of the Nephilim – e temos até o atrevimento de dizer que esta música está mesmo a pedir um dueto com Carl McCoy.

A nostalgia não pára de ser sentida com a quinta “Forsaken” e a oitava “Hope Dies Young” ao testemunharmos uma revisitação ao dark metal dos anos 1990 tão inerente não só aos Paradise Lost como também aos nossos Moonspell, uma abordagem que o guitarrista Greg Mackintosh espera que os fãs reconheçam, conforme confessou à Metal Hammer Portugal.

No geral, “Obsidian” é negro sem ser cavernoso e sem ser desmesuradamente pesado, havendo toda uma condenação urbana espelhada nas letras por vezes crípticas de um Nick Holmes ardente e profundo na sua performance de se tirar o chapéu – é que o homem já tem quase 50 anos e nem parece! E se todo o colectivo (seja banda ou equipa de produção) está de parabéns, o maior elogio vai indubitavelmente para Greg Mackintosh que, com a sua guitarra, pinta todo um cenário melancólico e melódico, ora com leads omnipresentes, ora com solos rock n’ roll.

“Obsidian” é tão bom e fluído que os seus 55 minutos, que fogem aos padrões de duração que se exigem hoje em dia, nem custam a passar – aliás, passam demasiado rápido e chegando-se ao fim quer-se ouvir novamente.