O fundador da Metal Blade, Brian Slagel, escolhe os 11 melhores álbuns que lançou através da inovadora editora dos EUA. Os 11 melhores álbuns da Metal Blade

O fundador da Metal Blade, Brian Slagel, escolhe os 11 melhores álbuns que lançou através da inovadora editora dos EUA.

Quando comecei a Metal Blade, em 1982, nunca pensei que iríamos existir após tantos anos. Acho que uma das razões pelas quais ainda andamos por cá é que todas as bandas da Metal Blade são minhas amigas. É uma grande família, e é certo que isso ajuda a editora a continuar bem. Também sinto que sempre aceitámos a nova tecnologia quando ela aparece. Nunca tivemos medo do que isso significa. Portanto, quando os CDs apareceram, usámo-los. E agora, na era digital, certificamo-nos novamente de que isso faz parte da filosofia da Metal Blade. Estamos sempre a pensar no futuro e adaptamos a nossa abordagem ao mais moderno. Mas escolher 11 álbuns do nosso catálogo… é tão difícil. Esta é a minha escolha de hoje, mas pode sempre mudar amanhã. Por isso, pedindo desculpa a todas as bandas que não consegui incluir, aqui vai…

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Armored Saint – Symbol of Salvation (1991)
Armored Saint foi a segunda banda com a qual assinei contrato. E foram os primeiros a mudarem-se para uma grande companhia, a Chrysalis. E estando numa grande editora, estes tipos nunca se esqueceram da Metal Blade, e sempre nos mencionaram em entrevistas, pelo que fiquei muito grato. Mas tiveram problemas com a Chrysalis, e o guitarrista Dave Pritchard morreu de leucemia em 1990. Tinham feito algumas maquetes com o Dave pouco antes de ter morrido, mas, ao que sabiam, estava tudo acabado. No entanto, havia algumas músicas muito boas nessas maquetes, e conversei com eles sobre fazer-se um álbum final. E concordaram. Chamámos o Dave Jerden para produzir, e o álbum correu muito bem – até destacámos um solo que o Dave fez na versão demo de “Tainted Past”. São velhos amigos, e eu estava muito orgulhoso por terem feito este álbum e por ter corrido tão bem.

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Compilação – Metal Massacre (1982)
Claro que tenho de incluir isto. O álbum que deu início à editora. Repara, nunca tive intenção de criar uma editora. Na altura, eu fazia uma fanzine e trabalhava numa loja de discos. Mas via todas aquelas jovens e empolgantes bandas da cena de LA. O que eu não queria que acontecesse era que essas bandas fossem esquecidas e simplesmente desaparecessem. Já tinha visto isso a acontecer antes, com bandas como Xciter, a primeira do guitarrista George Lynch [futuramente nos Dokken]. Eles eram muito bons, mas nunca lançaram nada, portanto ninguém sabia deles. Assim, decidi fazer com que Ratt, Cirith Ungol, Malice e Steeler concordassem em incluir músicas nesta compilação. Também pedi ao meu amigo Lars [Metallica] para formar uma banda e fazer parte disto. Acho que a banda dele saiu-se muito bem! [N.d.T.: gravaram como Mettallica]

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Fates Warning – The Spectre Within (1985)
Sei que os fãs de Fates Warning geralmente preferem o “Awaken the Guardian”, mas, para mim, este soa melhor. Sim, gosto do “Awaken the Guardian”, mas esta é uma escolha pessoal. Sempre gostei do que os Fates Warning faziam. Tocavam metal progressivo quando já ninguém o fazia, e ainda procuravam maneiras de quebrar fronteiras. Creio que este álbum foi revolucionário para a época.

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Cirith Ungol – King of the Dead (1984)
Este grupo sempre foi mais estranho e diferente do resto à época. Vinham de Ventura, na Califórnia, que fica no norte, a cerca de 70km de LA. E, à falta de uma melhor descrição, o que eles tocavam era metal psicadélico. Na altura, os Cirith Ungol tocaram com quase toda a gente. Mötley Crüe, Ratt, Armored Saint, mas nunca se encaixaram no que estava a acontecer naquela época. Agora tornaram-se uma grande banda de culto. Há pessoas, que nunca esperavas, que agora adoram a banda e este álbum.

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Amon Amarth – Twilight of the Thunder God (2008)
Um lançamento mais recente. Esta banda está connosco há muito tempo, desde o “Once Sent from the Golden Hall” de 1998. E este é um dos seus discos seminais. Começaram como uma banda undergound de death metal da Suécia, mas depois começaram a ficar mais melódicos e engrenaram a sério. Lembro-me de ouvir a faixa-título pela primeira vez e adorei. Eu disse à banda que deveria ser a faixa de abertura do álbum, mas os Amon Amarth já tinham decidido tê-la como sétima. Mas insisti com eles e, felizmente, concordaram!

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Compilação – New Wave of British Heavy Metal ‘79 Revisited (1990)
Certo dia, o Lars ligou-me e disse que queria fazer uma compilação para comemorar o 10º aniversário da NWOBHM. Perguntou se a lançaria pela Metal Blade. Claro que sim. Era a música com a qual cresci e desempenhou um papel importante na forma daquilo que tinha feito com a editora. Para além disso, ter a oportunidade de dizer que os Iron Maiden e os Def Leppard estavam na Metal Blade, mesmo que fosse apenas uma música numa compilação, era bom demais para deixar passar! Mas sei que o Lars teve alguns problemas, porque algumas dessas bandas já não existiam. Foi numa altura antes de existir Internet, portanto era difícil apanhar as pessoas relevantes. Típico do Lars, ele nunca desistiria. Por exemplo, ele queria apanhar os Holocaust, mas não tinha os contactos. Portanto, pegou na lista telefónica de Edimburgo, a cidade natal da banda, e ligou para todos os John Mortimer até encontrar o vocalista dos Holocaust. E à custa da faixa de Holocaust na compilação (“Death or Glory”), a banda reuniu-se!

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Cannibal Corpse – Butchered at Birth (1991)
Sim, a banda teve álbuns muito maiores na sua carreira. Mas este é o que eu adoro verdadeiramente. Mostrou que eram muito diferentes de todas as outras bandas de death metal. E a capa é insana! Quando algumas pessoas a viram, perguntaram se eu ia realmente lançar algo assim. Com certeza que iria! Só para chocar as pessoas, como Alice Cooper costumava fazer – e eu era um grande fã do Alice ao crescer. Inevitavelmente, isto gerou muita atenção à banda. Para além disso, são uns tipos excelentes e muito espertos.

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Slayer – Hell Awaits (1985)
É o meu álbum favorito de Slayer. Claro, “Reign in Blood” é um excelente álbum de metal, mas este tem mais dinâmica e sinto que é o melhor. Tive a sorte de estar em estúdio com eles o tempo todo, enquanto criavam a música – e foi um privilégio testemunhar o genial acontecimento. Tinham apenas 18 ou 19 anos na altura, e era incrível ouvir os riffs e as estruturas musicais que apresentavam. Normalmente, quando estavas em estúdio durante tanto tempo a trabalhar num álbum, como eu estava com “Hell Awaits”, não aguentas mais ouvi-lo quando finalmente estiver pronto. Mas com este, eu não conseguia parar de o rodar e mantive-o constantemente nos seis meses seguintes.

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Witchkiller – Day of the Saxons EP (1984)
Esta era uma banda canadiana que eu pensava que ia ser enorme. Mas implodiram. Todavia, este EP foi muito bom. Witchkiller era uma banda de metal tradicional, muito parecida a Anthrax se quiserem compará-los a alguém. Estavam todos prontos para se fazer um álbum quando se separaram. O guitarrista John Dillabough passou a trabalhar para a Marshall no Canadá durante muito tempo. E o vocalista Dominic Sciascia… Bem, quando eu estava na estrada com Metallica para o “Black Album”, o James Hetfield disse-me que ele era gajo da pirotecnia, portanto, ao menos, ainda estava envolvido na música.

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Between the Buried and Me – Coma Ecliptic (2015)
Sempre fui grande fã desta banda. Muito antes de os assinar, eles abriram para The Red Chord, que estavam na Metal Blade. Fui ver o concerto em Oklahoma City, e depois levei as duas bandas a jantar num restaurante tradicional, a cerca de 16km da cidade – era um lugar onde muitas bandas iam. Paguei a conta de 20 pessoas, mas custou apenas 85 dólares. Mas os Between the Buried and Me ficaram muito agradecidos por uma refeição à borla. Quando o agente deles me ligou algum tempo depois e disse que estavam à procura dum acordo, fiquei muito feliz em assiná-los. Este é um álbum muito complexo e progressivo, e adoro a direcção que eles estão a tomar. Às vezes soa um pouco a Dream Theater. Como não sou músico, fico maravilhado com o que eles fazem.

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Riot – Fire Down Under (1999)
Sim, eu sei que este não é estritamente um álbum da Metal Blade, já que foi lançado pela primeira vez em 1981. Mas adoro esta banda, e quando eles conseguiram o álbum de volta ao seu domínio e o agente perguntou se eu o relançaria, fiquei muito feliz por fazê-lo. Para mim, este é um dos maiores álbuns de metal de todos os tempos. Um álbum incrível. Agora não parece tão pesado, mas em 81 soava verdadeiramente pesado.

Consultar artigo original em inglês.