O primeiro álbum, "Orchid", foi lançado a 15 de Maio de 1995 na Europa, chegando aos EUA apenas em 1997. Opeth “Orchid”: orquídea venenosa

Depois da explosão mundial do heavy e thrash ocorrida nos anos 1980, o metal foi comercialmente abalado durante a década de 1990 com a revolução musical que o grunge proporcionou. Contudo, tal não aconteceu ao nível criativo com o death metal a rebentar na Suécia, o black metal na Noruega e o doom mais pestilento na Inglaterra. Todavia, da Suécia não surgiu só o death metal melódico de Gotemburgo, mas também uma mescla entre esse género e doom metal com bandas como Opeth e Katatonia a encabeçarem o movimento.

Formados em 1990, perto da capital Estocolmo, por David Isberg e Mikael Åkerfeldt, os Opeth ensaiavam numa escola com material dos anos 60, o que muito prova a paixão que Åkerfeldt nutre por essa década, utilizando ainda hoje em dia equipamento vintage.

Sem qualquer demo e anos antes de chegarmos a “Orchid”, os jovens Opeth já partilhavam palcos com Therion e At the Gates, mas o essencial para se mostrarem às editoras – que seria um lançamento – teimava em não acontecer.

Já sem Isberg na formação (saiu em 1992), Åkerfeldt tomou as rédeas da banda. Sem qualquer demo, o líder do grupo optou por enviar captações de ensaios a algumas editoras, mas nunca obteve resposta, até que Lee Barrett, da Candlelight Records, fez uma proposta para se lançar um álbum. Mikael achou estranho. Foi Anders Nyström, dos amigos Katatonia, quem contou aos Opeth que a editora britânica tinha interesse neles, tudo baseado no rumor de que Samoth (Emperor) tinha enviado a Barrett uma tape com bandas independentes, sendo que nessa compilação estavam uns segundos de “The Apostle in Triumph”. Assim, sem mais nem menos e sem qualquer demo ou EP, os Opeth assinavam contrato com uma editora em 1994.

Em 1995 estava-se longe de classificar tal sonoridade como progressive death metal, mas tal ambiente já lá estava, em “Orchid”.

O primeiro álbum, “Orchid”, foi lançado a 15 de Maio de 1995 na Europa, chegando aos EUA apenas em 1997.

Para além da veia criativa do colectivo, que transformou o doom e o death metal, muita da limpeza que se ouve em “Orchid” deve-se a Dan Swanö, o agora elogiado e requisitado produtor de death metal. E se na altura podia ser um risco produzir um álbum numa cave de uma casa alugada, agora é certo que qualquer disco terá o seu spotlight – nem que seja efémero – quando se descobre que Swanö tem lá o seu cunho.

Em 1995 estava-se longe de classificar tal sonoridade como progressive death metal, mas tal ambiente já lá estava, em “Orchid”. Ainda que as vozes fossem berradas, como se exigia, a limpeza melódica dos riffs e leads de guitarra era completamente antagónica aos ataques espessos de bandas contemporâneas como Dismember. Para além disso, que já era suficiente para ser diferente e revolucionário, os Opeth apresentavam músicas de 13 minutos com estruturas mais complexas e uma narrativa mais detalhada que, claro, fugia ao estereótipo do sangue e tripas.

No entanto, e por mais que as letras fossem elaboradas e fantasiosas, os Opeth, ainda jovens, não eram propriamente emocionais e sentimentais como se poderá verificar de 2002 para a frente. Por detrás daquelas belas melodias, as letras continham teores ocultistas e satânicos, sendo Åkerfeldt publicamente adepto do ocultismo, algo que, pelo meio do seu sentido de humor, não foi perdido, mesmo com álbuns de rock, e não metal, como “Heritage” (2011) ou “Pale Communion” (2014). Dois exemplos disto serão “Mystique of the Baphomet” que se tornou “Forest Of October” (eternizada nos nossos dias no alinhamento de “In Live Concert at the Royal Albert Hall”, 2010) ou “Oath” que se transformou em “The Twilight Is My Robe”, algo que inicialmente não era mais do que um juramento a Satanás.

Ao longo das décadas, os Opeth desenvolveram a sua sonoridade para algo mais denso e atmosférico (“Blackwater Park”, 2001), chegando até aos nossos dias como uma banda muito mais inclinada ao prog-rock, mas, ainda assim, mantendo algumas raízes em alguns discos como “In Cauda Venenum” (2019). Factualmente, os Opeth tornaram-se num dos nomes mais queridos e populares do panorama metal.