Com as alterações climáticas e o aquecimento global na ordem do dia, o metal sempre foi em vasta parte um movimento de activismo social... Oito bandas para combater as alterações climáticas

Com as alterações climáticas e o aquecimento global na ordem do dia, o metal sempre foi em vasta parte um movimento de activismo social e ecológico, por isso não é de estranhar que algumas bandas tenham dedicado composições aos destinos do planeta e dos seus habitantes.

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Wolves In The Throne Room – I Will Lay Down My Bones Among the Rocks and Roots (“Two Hunters”, 2007)
Mais do que post-black metal, os WITTR representam uma região. Oriundos do Estado do Washington (EUA), onde se ergue a Cordilheira das Cascatas que se estende até ao Canadá, a banda fundada pelos irmãos Aaron e Nathan Weaver é pioneira do que ficou conhecido como Cascadian Black Metal. Com o intuito de canalizar as energias paisagísticas e o misticismo do Noroeste Pacífico, a ecologia é um ponto forte na visão da banda.

“The torment has ended
The beast has done his work
Great fires rage outside of this wooded sanctuary
But soon they will be quenched by a purifying rain
The embers of the ceremonial fire burn to ash”

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Khôrada – Season of Salt (“Salt”, 2018)
Com base no Estado do Oregon (EUA), Khôrada é a banda formada das cinzas dos saudosos Agalloch. Don Anderson, Jason William Walton, Aesop Dekker e Aaron John Gregory (Giant Squid) afastaram-se do black metal e com “Salt” (2018) expandiram a sua criatividade para planos relacionados ao post-rock e ao progressivo, sempre com a guitarra de Anderson e as letras políticas de Gregory a operar o leme.

“The damage is done
We consumed it all
We cave to the sun
And the seasons of salt”

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Vektor – Dying World (“Outer Isolation”, 2011)
Coqueluche do thrash metal progressivo, os Vektor são conhecidos não só pelo tipo de música afiado que tocam mas também pelos conceitos que exploram, estes que andam sempre à volta da ficção científica e dos destinos da humanidade.

“Slashing and burning, crushing and drilling
Extinction is coming, the oil keeps spilling
Business as usual while toxins are killing
Destroying the land that our waste keeps on filling”

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Testament – Greenhouse Effect (“Practice What You Preach”, 1989)
Se no final da década de 10 do Séc. XXI a expressão mais badalada é ‘crise climática’, em tempos, há cerca de 20-30 anos, ‘efeito estufa’ representava o fim da humanidade. Nome importante do thrash metal norte-americano e mundial, os Testament utilizaram a recorrência da discussão no tema que podes ouvir abaixo.

“Seal the Planet’s fate
Crimes they perpetrate
Wasting precious land
It’s time to take a stand”

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Napalm Death – On the Brink of Extinction (“Time Waits for No Slave”, 2009)
Conhecidos activistas políticos e ecológicos, os históricos Napalm Death representam um autêntico cancioneiro e não há maldade que os ingleses não tenham combatido desde que iniciaram carreira em 1981. Sempre cáusticos e frontais, letras de temas como “On the Brink of Extinction” perguntam se devemos realmente sobreviver aos nossos falhanços.

“Will we avoid a natural selection?
Do we have the right to survive the failures?
Nature, its force – the scales unbalanced
What’s the next step? How do we evolve?”

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Cattle Decapitation – Manufactured Extinction (“The Anthropocene Extinction”, 2015)
Os Cattle Decapitation podem ser uma das bandas mais ferozes sonicamente à face da Terra, mas também é uma das, que inseridas no mundo do metal, mais se tem debruçado no facto de a Humanidade estar prestes a ser erradicada, especialmente devido à destruição de bens naturais que não serão regenerados.

“Altered climate accelerating exacerbated by our human activities
We used it up, we wore it out, we made it do what we could have done without
Machines to make machines fabricating the end of all living things
Sacrificing all morality, the ends never justify the means”

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Megadeth – Countdown To Extinction (“Countdown To Extinction”, 1992)
Se “Rust In Peace” (1990) já nos tinha mostrado uns Megadeth críticos da guerra, em 1992 temas como a faixa-título de “Countdown to Extinction” atacavam a frieza do abate animal, caracterizando tais actos como pseudo-safaris e ironizando a coragem de o fazer.

“Endangered species, caged in fright
Shot in cold blood, no chance to fight
The stage is set, now pay the price
And ego boost, don’t think twice”

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Gojira – Global Warming (“From Mars to Sirius”, 2005)
Senhores de uma sonoridade renovadora que uniu death, groove e prog metal, os franceses Gojira ganharam o rótulo oficioso de eco-metal devido a letras e conceitos que falam abertamente sobre o mal que o Homem e a Mulher têm feito a um planeta que mais cedo ou mais tarde livrar-se-á de nós. A Natureza já mostrou o quão impiedosa pode ser – será tarde demais?

“A world is down
And none can rebuild it
Disabled lands are evolving
My eyes are shut, a vision is dying
My head explodes
And I fall in disgrace”