Oberst é uma promessa que tem tudo para se tornar numa certeza. Oberst “Paradise”

Editora: Indie Recordings
Data de lançamento: 17.01.2020
Género: post-hardcore
Nota: 4/5

Oriundos de Oslo, a sonoridade dos Oberst não é propriamente aquela que geralmente estamos à espera de um país como a Noruega – portanto não, não é black metal. O que o quarteto nórdico nos oferece é post-hardcore salpicado por rock alternativo, metal e algum prog.

Chegando à terceira “Fiends” deparamo-nos com blast-beats à black metal, guitarras dissonantes e ecoadas à post-metal, solos frenéticos, riffs finais em sentido ondular e hipnótico, sendo o primeiro tema que mostra a capacidade de diversidade da banda. Apesar de todo o estilo ser muito direccionado à raiva interior na hora de se berrar a plenos pulmões, “In the Embers” é a primeira exibição mais evidente em relação a esse contexto, sendo uma faixa com um teor enegrecido e raivosamente melancólico.

Seguindo em frente com “Dreambeast”, o que ao início parece ser uma composição complexa – mas daquela complexidade sem muita harmonia e que não sabe lá muito bem ao ouvido – torna-se em algo mais criativo ao testemunharmos várias estruturas e malhas técnicas que põem os Oberst nos campos do prog. E com “Goddess” temos contornos mais alegres e de rock alternativo, sendo muito possivelmente a faixa mais amigável e que mais nos relembra o emocore e o post-hardcore de há 15 anos, ainda que a meio surpreenda com um segmento que só não é puro black metal porque a distorção não é, propositadamente, a indicada para tal.

Na fase final do álbum, a antepenúltima “Parting” evoca aquele sentimento melancólico de nostalgia por algo que acabámos de perder, sabendo que temos de recomeçar, resultando numa faixa que nos deixa no peito a sensação agridoce de deixarmos o conhecido em busca do desconhecido.

Muito bem produzido e com uma agilidade criativa elevada, “Paradise” ganha pelo atrás mencionado mas também pelas guitarras de som híbrido que não são limpas mas também não são distorcidas, um equilíbrio muito bem conseguido e que, diga-se, é muitas vezes utilizado no panorama post-hardcore. A tudo isto, que nem sempre é totalmente pesado e agressivo, junta-se a voz berrada e hardcore de Tarjei Kristoffersen, uma aliança entre restantes instrumentos e vocais que já mostrou o seu valor em bandas como At the Drive-In. Indicados também para fãs de Birds In Row, Oberst é uma promessa que tem tudo para se tornar numa certeza.